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Ser mãe depois dos 40: planejamento, ciência e novas possibilidades

Março é o mês de conscientização sobre a endometriose. Embora frequentemente associada à infertilidade, a doença vai muito além da dificuldade para engravidar. Antes de interferir na fertilidade, a endometriose costuma impactar de forma importante a qualidade de vida.

A dor menstrual intensa ainda é amplamente naturalizada. No entanto, quando a cólica impede atividades habituais, causa faltas recorrentes ao trabalho ou à escola, provoca dor na relação sexual ou interfere na saúde emocional, é necessário ampliar a investigação. Sintomas persistentes e progressivos não devem ser considerados parte esperada da rotina feminina.

O que é a endometriose?
A endometriose é uma doença inflamatória crônica e progressiva, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Esse tecido pode atingir ovários, ligamentos uterinos, intestino, bexiga e outras estruturas, provocando inflamação, aderências e dor.

As manifestações variam: cólicas progressivamente mais intensas, dor pélvica crônica, dor profunda durante a relação sexual, alterações intestinais no período menstrual e fadiga persistente estão entre os sintomas mais frequentes.

Apesar do impacto clínico, o diagnóstico ainda costuma ser tardio. Estudos indicam que o intervalo entre o início dos sintomas e a confirmação da doença pode chegar a sete ou até dez anos. Nesse período, muitas pacientes passam por múltiplas consultas e tratamentos sintomáticos antes de receberem a investigação adequada.

Parte desse atraso está relacionada à complexidade da doença, mas também à tendência histórica de minimizar a dor menstrual. A consequência é a postergação da investigação e, muitas vezes, a progressão das lesões.

Avanços importantes
Nos últimos anos, entretanto, houve avanços importantes. A ultrassonografia pélvica evoluiu significativamente, sobretudo quando realizada por profissionais treinados, especialmente quando associada ao preparo intestinal.

A ressonância magnética com protocolos direcionados tornou-se ferramenta valiosa na identificação de endometriose profunda. Além disso, a valorização da história clínica detalhada e do exame físico minucioso ampliou a capacidade de suspeição diagnóstica.


Atualmente, em muitos casos, é possível estabelecer o diagnóstico com base em critérios clínicos associados a exames de imagem bem conduzidos, sem que a cirurgia seja necessariamente o primeiro passo. Essa mudança permite intervenção mais precoce, controle mais eficaz dos sintomas e planejamento terapêutico individualizado.

É importante destacar que a endometriose não afeta apenas o sistema reprodutivo. Trata-se de uma condição inflamatória que pode impactar saúde mental, relações interpessoais, desempenho profissional e bem-estar global. O manejo adequado exige abordagem multidisciplinar e acompanhamento contínuo.

O Março Amarelo reforça a importância do reconhecimento precoce dos sintomas e do acesso a diagnóstico qualificado. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controle clínico, preservação da fertilidade e manutenção da qualidade de vida.

Conscientizar, nesse contexto, significa ampliar o acesso à informação e reduzir o atraso diagnóstico, para que sintomas persistentes sejam avaliados com a atenção que merecem.

(Informações R7)

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