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Especialista alerta os pais: namoro grudado demais é prejudicial

Geral – 12/06/2009

Namorar e usar aliança de compromisso, proibir que o outro saia com amigos, ciúme exacerbado. Tudo isso na adolescência! Viver numa redoma prejudica o crescimento emocional e pais não podem ‘descansar’ e devem alertar os filhos quando perceberem o ‘grude’, aconselha a psicóloga Ana Elizabete Arruda.
“Namorar é para deixar as pessoas felizes”, diz a especialista em adolescentes. Ela questiona o modelo atual de namoro preconizado pelos jovens e alerta que está generalizado por todo o País.
Todos os dias ela atende no consultório dela a moçada que já namora ou está no começo da relação afetiva, na fase da descoberta.
Preocupada, ela observa uma seriedade sufocante e prejudicial. Primeiro, porque à medida que o outro se anula para agradar o namorado ou namorada, há uma frustração dolorida quando a relação acaba. O resultado, o mundo desaba, pode haver depressão e muita dor.
Estabelecer confiança, respeito e amor, sem precisar vigiar as conversas no MSN e Orkut é algo muito raro, diz. “Vejo relacionamentos sufocantes, adolescentes com aliança de compromisso como sinal de que aquela pessoa tem dono. O namoro deixa de ser uma coisa gostosa com as cobranças e cobradores”, afirma.
Ficar
O ‘ficar’ desmedido, forma moderna de se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo surge como um pré-namoro. Elizabete pondera os lados nocivos e positivos.
“O ‘ficar’ deu a intimidade entre estranhos que também não é bom”. Mas, quando o ficar se torna ‘tô ficando”, ou seja, começa a ser gostoso ver de novo o outro, ficar feliz quando encontra, sentir o friozinho na barriga, enfim sem cobranças e já com sentimentos, Ana Elizabete é categórica ao dizer: ‘ai a relação é muito mais leve e gostosa do que aquele namoro’.
“Vejo hoje os jovens namorando feito velhos cheios de obrigações. Ninguém mais fica emocionado com um beijo”, pondera.
Carência familiar
Outro aspecto que os pais precisam estar atentos é quando a filha ou o filho estão naquele grude, não podem sequer passar um fim de semana longe do namorado ou namorada e viajar com a família? Nem pensar.
Muitos jovens que têm problemas em casa tendem a adotar a família do outro para preencher o vazio deixado pelos próprios pais.
Por outro lado, quando isso começa a acontecer, muitos pais se dizem mais tranqüilos porque pelo menos os filhos estão em casa, por perto, não vão beber, estão protegidos. Enganam-se.
Para a especialista, esse ‘grude’ pode resultar em gravidez indesejada já que após o relacionamento sexual o casal fica ainda mais ligado emocionalmente e muitos, sentem-se ‘donos’ um do outro. Mas, estão longe da maturidade.
É dever dos pais colocar os pés no freio, impor limites, aconselhar e buscar dosar o relacionamento, jamais se acomodarem e achar que ao estar ‘namorando’ os filhos estão livres do perigo. Educar é um ato diário, árduo e insistente, alerta a psicóloga.
“Falta para a família mostrar que namoro de adolescente é leve. Namorar é fazer programa com amigos também. Hoje, quem namora só sai com casais ou sozinhos. É mais sofrido e a tendência de ter depressão e pensar em morrer quando o namoro acaba é real”.
Ana Elizabete Arruda é categórica ao dizer ainda que não há idade definida para namorar. O que indica estar pronto é a maturidade.
Namoro virtual
Namorar sem ouvir a voz, sem sentir o cheiro o toque do outro? Ana Elizabete Arruda chama de ilusão os namoros virtuais e alerta para que as pessoas estejam prontas para sentir as emoções da vida real, viver aceitações, frustrações. “É muito problemático namorar virtualmente. A atração é animal, é química, cheiro, tocar, lamber, sentir o gosto pelo outro. Virtualmente a gente pode ser a perfeição que quiser. Namorar é entender a imperfeição do outro para aceitar as próprias imperfeições”.
 

Fonte: Midia Max

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