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Cresce número de mães com menos de 15 anos

Pesquisa – 12/06/2009

Sozinha em casa, em plena noite de natal do ano passado, G.M.M. de 14 anos, recebeu a visita de um “ficante”, um rapaz de 19 anos. Não era a primeira vez que os dois se relacionavam sexualmente, mas naquela noite eles não tinham preservativos e o desejo falou mais alto. Hoje, G.M.M. está grávida de cinco meses de um menino que já tem nome, Lucas Gabriel. Sem a compreensão da mãe e com medo de discussão com resultado trágico, a adolescente mudou-se para a casa da mãe do rapaz que a engravidou. “Nós não estamos juntos, sei que ele ‘fica’ com outras garotas, mas não gosto dele. Só estou aqui por que preciso. Depois que ele nascer, penso em me mudar para Brasília, onde meu pai mora”, comenta a jovem mãe ao acariciar sua barriga.A menina, que se prepara para ser mãe é um exemplo da realidade brasileira. Pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), intitulada Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender, mostra que 9,4 em cada mil bebês nascidos são filhos de mães menores de 15 anos de idade, no ano de 2006. Em 1994 eram 8,1. A informação do estudo é de 2006, quando Goiás registrou 821 nascimentos de bebês nascidos em gravidez precoce. Em 1994, segundo o levantamento, eram 513 bebês nascidos de mães menores de 15 anos.A pesquisa revela também que a porcentagem de bebês nascidos vivos com baixo peso aumentou de 6,8% em 2000 para 7,5% em 2006, no Estado. O presidente do Comitê Estadual de Mortalidade Materna, médico ginecologista e mestre em Saúde Coletiva, Clidenor Gomes Filho, defende existir uma relação direta entre os números da pesquisa que mostram o aumento de gravidez em menores de 15 anos e o avanço de nascidos com baixo peso. “É diretamente proporcional o peso do neném à idade da mãe. Na gravidez na adolescência ou após os 35 anos, o bebê tende a nascer com baixo peso.” De acordo com o especialista, o organismo adolescente está em desenvolvimento e o corpo ainda não é adequado para parir. “Um bom pré-natal só atenua o problema”, avisa.O presidente do Comitê em Goiás considera que a diminuição de casos de gravidez na adolescência não só está longe de ser alcançada, como também tem piorado ano a ano. “Parece que não conseguimos ao menos estacionar nas estatísticas. Aliás, nos países onde foi reduzida a gravidez precoce a educação foi a política empregada”, destaca. O médico acredita que um conjunto de fatores leva as meninas a iniciar a vida sexual antes da época adequada. “Vivemos em uma sociedade liberal, onde se acha engraçado a filha de cinco anos passar batom ou calçar os sapatos de saltos da mãe.”Além disso, o mestre em Saúde Coletiva defende que a mídia estimula danças sensuais, como o funk e a conhecida dança da ‘boquinha da garrafa’. Os meios de comunicação social ditam regras às crianças para agir e vestir como adulto, segundo Filho. “Acontece que elas não estão preparadas, nem física e nem psicologicamente, para ser mãe. Nossa sociedade é tolerante à iniciação sexual precoce”, observa. Conforme o presidente do Comitê, é importante encarar o tema como um problema educacional, midiático, familiar e de saúde.A gerente do Programa Menina de Luz, assistente social Nilsonete Costa Velasco, acredita que as causas de gravidez na adolescência passam pela falta de informação, pela insegurança com o parceiro e terminam na fragilidade financeira ou afetiva da família. “São meninas que querem sair de casa e acham que engravidando irão casar ou que são muito apaixonadas pelo menino e querem, com a gravidez, prender o parceiro. É a juventude inconsequente”, julga. O Menina de Luz, desde 1999, atendeu cinco mil adolescentes, entre 12 e 21 anos, com assistência psicológica, social, odontológica, médica e outras, por mês são mais de 300 atendimentos. 

Fonte: Jornal Hoje

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