Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Dourados 26 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Veto a boi antiecológico pode encarecer a carne

Famasul – 13/06/2009

O veto anunciado pelas três maiores redes de supermercados do País – Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart – e por outros 72 compradores a produtos bovinos oriundos de fazendas envolvidas no desmatamento da Amazônia pode refletir no bife que o consumidor planeja comer nos próximos dias. O preço da carne bovina pode subir em todo o país se o boicote for pra valer e se prolongar, avalia o presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e vice-presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura), Ademar Silva.
Ele vê uma manobra do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por trás da medida. A decisão de boicotar o boi antiecológico saiu após Minc ter pressionado frigoríficos. Agora, os supermercados também anunciam o veto. Eles dizem que vão exigir dos frigoríficos as Guias de Trânsito Animal anexadas às notas fiscais que asseguram a origem do gado abatido. “O setor supermercadista, através da Abras, não irá compactuar com as ações denunciadas e reagirá energicamente”, diz nota divulgada à imprensa.
Ainda segundo a associação, também será pedido um plano de auditoria independente e de reconhecimento internacional que assegure que os produtos que comercializam não são procedentes de áreas de devastação da Amazônia. Essa garantia não é fácil de se obter, na visão de Ademar Silva. Ele pondera que as redes frigoríficas têm filiais em vários estados, dificultando a identificação da origem da carne que é comercializada nos supermercados.
A região Amazônica é importante produtora de bovinos. Abrange parte de Mato Grosso, que detém o maior rebanho do País. O veto ao boi antiecológico poderia representar oportunidade de venda à pecuária estadual, mas a Famasul não vê dessa forma. “Ainda não dá para avaliar o impacto. É possível que isso ocorra. Mas o que se pode afirmar com certeza é que, se a manutenção desse veto continuar, vai haver aumento significativo no preço da carne ao consumidor”, disse Ademar.
Ele considera a medida “intempestiva”, tanto por parte do Ministério, ao pressionar frigoríficos a não comprar bois das fazendas autuadas, como por parte dos supermercados ao anunciarem o veto ao produto. “Ainda se trata de um laudo, não está comprovado que essas fazendas praticaram o desmatamento ilegal. E isso pressiona toda a cadeia, tanto a indústria quanto o varejo. Tudo em cima de um laudo, uma autuação”, disse.
O problema do boi antiecológico chega junto com o início da entressafra, quando o preço da arroba da carne bovina começa a reagir. Saiu da casa dos R$ 68, nos últimos dias, para o teto de R$ 74 verificado na última pesquisa feita pelo Midiamax, na quarta-feira. A expectativa é de que continue subindo na medida em que escasseiem as pastagens devido à estiagem típica de inverno.
Pesquisa feita pela Embrapa revela que, hoje, o custo de produção de uma arroba de carne bovina já está em R$ 79, portanto vendendo a R$ 74 o criador tem prejuízo. Ademar Silva torce para que a alta na entressafra pelo menos seja suficiente para cobrir os custos. A entressafra se prolonga até setembro ou outubro, quando voltam as chuvas e as pastagens se renovam.
Boi antiecológico
A polêmica do boi antiecológico surgiu após divulgação de relatório da Ong (organização não-governamental) Greenpeace, no início do mês, revelando que carne e couro produzidos em áreas de desmatamento ilegal estão sendo vendidos por indústrias brasileiras. O estudo motivou ação civil pública do Ministério Público Federal do Pará, que recomendou a grandes redes de supermercados e outros 72 compradores de produtos bovinos para que deixem de comprar carne proveniente da destruição da floresta.
iniciaCorpo(“15;12;16;13;17;14;18;15”);

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial