Uma mulher de 46 anos foi presa na última quinta-feira (12), suspeita de envolvimento no desaparecimento da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos.
A prisão de Ângela Maria Moro ocorreu inicialmente pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar diversos objetos que pertenciam à vítima em um residencial que a suspeita diz administrar.
Porém, durante a audiência de custódia, ainda nesta quinta, o juiz citou a existência de indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias. Na delegacia, ela negou qualquer envolvimento com o desaparecimento da vítima. O g1 tenta contato com a defesa de Ângela.
Luciani teve o desaparecimento registrado na polícia na segunda-feira (9). Segundo o Ministério Público Estadual (MPSC), há elementos da investigação que indicam que ela foi morta, esquartejada e teve partes do corpo ocultadas em diferentes locais. A polícia apura se o corpo encontrado esquartejado em Major Gercino, na Grande Florianópolis, é da corretora.
O MPSC também pediu a mudança de competência do caso para o Tribunal do Júri.
Investigação rastreou compras feitas em nome da desaparecida
Conforme a investigação, após o desaparecimento da corretora, compras teriam sido feitas utilizando o CPF da vítima. A partir dessas informações, a Polícia Civil passou a monitorar os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis.
Durante o monitoramento, os policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas. Ele afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão.
Com base nesse relato, os agentes foram até um residencial, onde encontraram a suspeita, que se apresentou como responsável pelo local.
Em um dos apartamentos da residencial, os policiais encontraram duas malas com pertences da corretora, além de diversos itens comprados em nome dela, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da corretora, um HB20, também foi encontrado no residencial.
Depoimentos também indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho da polícia. Para o Ministério Público, os fatos apontam que o caso vai além de um crime patrimonial.
Carro de Luciani foi visto em Major Gercino, onde corpo foi encontrado
Uma das mulheres ouvidas pela polícia relatou que a morte de Luciani teria ocorrido com a participação da dona do residencial, do irmão do adolescente e da companheira dele. A polícia não informou se os dois são considerados suspeitos de envolvimento no sumiço de Luciani.
A investigação aponta ainda que, no dia 7 de março, o carro da corretora foi visto circulando pelos municípios de São João Batista e Major Gercino.
De acordo com os autos, o corpo apresentava características compatíveis com as de Luciani, mas a identificação oficial ainda depende de exames periciais.
“Com efeito, conforme destacado no despacho policial e nas oitivas constantes dos autos há elementos seguros de que a vítima foi morta, esquartejada e teve partes do corpo ocultadas em diferentes locais, inclusive tendo sido localizado tronco humano compatível com suas características”, diz trecho.
Diante dos indícios de crime contra a vida, o Ministério Público solicitou que o caso seja encaminhado ao Tribunal do Júri.
Erros gramaticais levantaram suspeita
Segundo Matheus Estivalet Freitas, Luciani mora sozinha e mandava mensagens todos os dias para a família. O último contato com ela ocorreu em 4 de março.
Na segunda-feira, no entanto, após receber mensagens suspeitas enviadas pelo celular da corretora — repleta de erros gramaticais —, a família decidiu registrar o desaparecimento na polícia.
Em uma delas, Luciani diz que está bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado. (Informações g1)

