Juliel Batista –
Fundada em 8 de março de 1968, a Folha de Dourados completa 58 anos de história consolidada como um dos mais importantes veículos de comunicação do interior de Mato Grosso do Sul. Ao longo de quase seis décadas, o jornal acompanhou e registrou momentos decisivos da história de Dourados e da região, mantendo como princípio editorial o lema “Verdade, Trabalho e Vigilância”.
A trajetória do jornal começou em um período turbulento da história brasileira. Criada pelo jornalista Theodorico Luiz Viegas, a Folha nasceu no mesmo ano em que o país mergulhou em uma das fases mais duras da ditadura militar, marcada pela decretação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968. O ato ampliou os poderes do regime e instituiu censura e perseguições políticas.
Mesmo nesse contexto, o jornal seguiu publicando informações e opiniões. Theodorico chegou a ser preso em decorrência de sua atuação profissional, evidenciando o ambiente de pressão vivido pela imprensa na época.

Um pioneiro da imprensa regional
Nascido em 1931, em uma chácara na região da Cabeceira Alegre, em Dourados, Theodorico Viegas construiu uma carreira marcada pelo envolvimento com o jornalismo e com instituições da sociedade local. Ele faleceu em 2009, deixando um legado importante para a comunicação regional.
Ao longo da vida, participou de diversas entidades, como a Associação Brasileira de Imprensa e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso, além de ter sido membro fundador do Clube de Imprensa de Dourados e de organizações voltadas à imprensa do interior.
Também teve atuação em vários veículos de comunicação, incluindo correspondências para jornais e revistas nacionais e participação em emissoras de rádio. Além da Folha de Dourados, fundou os jornais O Democrata, em Caarapó, e Folha de Maracaju.
Acompanhando a evolução de Dourados
Durante décadas, a Folha registrou os principais acontecimentos que marcaram o crescimento de Dourados. O jornal acompanhou desde a consolidação da cidade como polo agrícola até sua transformação em um centro urbano e universitário.
Entre os registros históricos estão fatos como a chegada do asfalto à Avenida Marcelino Pires, em 1970, a inauguração da praça central com seu chafariz colorido e as festividades tradicionais que marcaram o calendário da cidade.
O veículo também noticiou visitas presidenciais, como as passagens de Ernesto Geisel e João Figueiredo por Dourados, além de acontecimentos históricos como a criação do estado de Mato Grosso do Sul, em 1977.

No século XXI, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cidade para a inauguração da Universidade Federal da Grande Dourados também foi registrada pelo jornal.
A cobertura também se estendeu ao esporte, registrando conquistas importantes como os títulos estaduais do Ubiratan Esporte Clube e a inauguração do Estádio Frédis Saldivar, o Douradão.
Escola de jornalismo
Nos anos de circulação impressa, a Folha de Dourados tornou-se referência no jornalismo local e abriu oportunidades para diversos profissionais da área. O veículo foi o primeiro jornal diário da cidade e ajudou a formar gerações de jornalistas, gráficos e trabalhadores da comunicação.
Em depoimentos publicados na edição especial de 50 anos, lançada em 2018, profissionais que passaram pela redação recordaram as dificuldades de produzir um jornal impresso durante a ditadura militar, quando a atividade jornalística era exercida sob vigilância e censura.

Transição para o digital
A partir de 2004, o jornal passou a integrar o grupo empresarial comandado pelo jornalista José Henrique Marques, que assumiu a direção em 2007.
Com a transformação do mercado da comunicação e a popularização da internet, a Folha iniciou uma nova fase. Em 2013, o veículo migrou definitivamente para o formato digital, tornando-se um portal de notícias e ampliando seu alcance para leitores dentro e fora do estado.
Hoje, o site publica conteúdo em tempo real e utiliza redes sociais e recursos multimídia, como vídeos e áudios, para ampliar o acesso às informações.

Memória preservada
Todo o acervo histórico da Folha — incluindo edições antigas, fotografias e documentos administrativos — foi doado ao Centro de Documentação Regional da Universidade Federal da Grande Dourados, preservando parte importante da memória da imprensa regional.

Um patrimônio de Dourados
Ao completar 58 anos, a Folha de Dourados segue como testemunha da história da cidade e da região. Suas páginas registraram acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais que ajudaram a moldar a identidade local.
Mais do que um veículo de comunicação, o jornal tornou-se um patrimônio da cidade, mantendo o compromisso de informar com independência e respeito à inteligência do leitor, agora impulsionado pelas novas tecnologias da era digital.



