Redação da Folha de Dourados –
Três dias após o programa Fantástico, da TV Globo, exibir no domingo (1º) reportagem de quase 20 minutos, gravada na Itália, sobre suposto golpe do engenheiro Eduardo Bottura na viúva, Maria Matuzenetz, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declarou a indisponibilidade de todos os bens de Adalberto e Suzana Bueno Netto.
Os dois casos, envolvendo Maria Matuzenetz e a família Bueno Netto, estão interligados, o que desperta interesse público por envolver ainda a família de Bottura.
Os dois casos, envolvendo Maria Matuzenetz e a família Bueno Netto, estão interligados, o que desperta interesse público, por envolver ainda a família de Bottura
A Folha de Dourados teve acesso a mais de 45 minutos de vídeos de conversa entre Eduardo bottura e o jornalista da TV Globo, Maurício Ferraz, na Itália. O jornalista omite que todos os valores de Maria Matuzenetz estão depositados em Juízo há vários anos, sem que Bottura tenha utilizado qualquer valor.
O jornalista também omite que as denúncias de Maria Matuzenetz foram investigadas em seis inquéritos policiais na Polícia Civil e na Polícia Federal – todos eles arquivados.
denúncias de Maria Matuzenetz foram investigadas em seis inquéritos policiais na Polícia Civil e na Polícia Federal – todos eles arquivados
As gravações abaixo e outros documentos foram entregues ao Ministério Público Italiano, em denúncia que foi iniciada ainda no mesmo dia da reportagem na Itália.
A TV Globo já foi condenada com trânsito em julgado por ilícitos contra Bottura em dois processos, julgados por duas Câmaras distintas do TJSP (0104509-56.2012.8.26.0100 e 0035773-68.2021.8.26.0100), inclusive tendo que publicar um direito de resposta aprovado em Juízo, onde admite ter sido usada para publicar falsos dossiês: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2024/12/13/eduardo-bottura-direito-de-resposta-judicial-em-face-da-tv-morena.ghtml
Nesta sexta-feira (6), Bottura, que possui mais de 45 minutos de gravações, disse à Folha de Dourados que convida “o jornalista Mauricio Ferraz a voltar para a Itália almoçar comigo, na Páscoa, em Veneza, quando os efeitos de seus atos contra a minha pessoa já estarão maduros perante a Justiça Italiana.”
“Eles me atacaram saindo para a academia e mesmo assim gravamos tudo, respondemos tudo e eles e, de forma covarde, fizeram uma edição para enganar o público”, acusa Bottura.
“Eles me atacaram saindo para a academia e mesmo assim gravamos tudo, respondemos tudo e eles e, de forma covarde, fizeram uma edição para enganar o público”
O que chama atenção é que a reportagem foi ao ar quando estava pendente de análise um pedido de indisponibilidade de bens dos controladores do Grupo Bueno Netto, Adalberto Bueno Netto e Suzana Von Nielander Bueno Netto, por fraudes contra a família de Bottura.
O que chama atenção é que a reportagem foi ao ar quando estava pendente de análise um pedido de indisponibilidade de bens dos controladores do Grupo Bueno Netto
Três dias depois, a Justiça deferiu o pedido, penhorou os terrenos do Parque Global (empreendimento na Marginal Pinheiro) e posterou a análise do pedido de intervenção judicial na administração do Parque Global e de multa por fraude à execução contra os Bueno Netto:


A Bueno Netto é defendida pelo advogado Alexandre Fidalgo, entrevistado no Fantástico.
Alexandre Fidalgo também é o advogado de Maria Matuzenetz (a viúva apresentada como vítima de Bottura) e da associação criada por Bueno Netto, seus advogados, empresas e familiares, que se auto-entitula associação de vítimas de Bottura.
Alexandre Fidalgo é especializado na defesa de jornais e jornalistas. Bottura protocolou “um pedido para a OAB de Mato Grosso do Sul apurar o uso de uma foto de Raquel tirada pelo escritório Fidalgo em uma audiência em processo sigiloso para alimentar essa máquina de notícias publicadas por Alexandre Fidalgo em jornais que advoga, num uso de meios ilícitos e antiéticos para promoção, captação de clientes e de advocacia predatória”.
O outro entrevistado na matéria do Fantástico, Cleinaldo Simões, é o assessor de imprensa da Bueno Netto, condenado com trânsito em julgado a indenizar Bottura por falso testemunho e denunciação caluniosa (1050655-31.2015.8.26.0002), entre outras condenações sofridas.
Em 2009, Cleinaldo Simões utilizou o site da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para divulgar um dossiê similar contra Bottura, e isso resultou em dezenas de processos julgados procedentes para condenar todos os jornais que divulgaram referido dossiê.
Mais de 30 jornais de Mato Grosso do Sul são executados por terem sido induzidos a erro com o falso histório publicado pela polícia civil do Estado, tendo como fonte Cleinaldo Simões.
Mais de 30 jornais de Mato Grosso do Sul são executados por terem sido induzidos a erro com o falso histório publicado pela polícia civil do Estado
Bottura diz acreditar “que a Justiça Italiana saberá dar uma resposta legal a tudo isso”.
Em 2008, Bottura denunciou um suposto esquema ilegal no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, envolvendo o mesmo litigio societário, quando foi preso preventivamente e logo depois absolvido sumariamente.
Bottura foi também responsável por diversas representações contra os “coronéis” de Mato Grosso do Sul, inclusive ações populares contra o mensalão, representações no CNJ e no CNMP que o tornaram notório no estado e que resultaram em medidas que abalaram diversos grupos políticos estabelecidos historicamente em MS.
Em 2018, foi Bottura que divulgou a foto de juiz federal candidato a governador blindando com grupo que comandava o jogo do bicho, o que levou ao colapso o projeto “MS é nosso”.
Meses depois, esse grupo foi preso por comandar uma rede de pistolagem e negócios ilegais.
Veja a decisão do CNJ:
Decisão do TJSP:
Manifestação da PGR:
As íntegras dos vídeos do Fantástico:

