Uma câmera de segurança instalada em uma via pública no bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza, flagrou o momento em que uma mulher é agredida pelo companheiro com socos e puxões, neste domingo (22). A ocorrência se deu durante a madrugada.
As imagens mostram a vítima em via pública, no momento em que sofre as agressões. A Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi acionada para atender à ocorrência e os agentes chegaram a fazer uma abordagem, estabelecendo contato com a mulher. Ela, no entanto, disse estar bem e que houve apenas uma discussão, negando ter sido vítima de agressão.
Com isso, a ocorrência foi encerrada ainda no local. Como consequência, ninguém foi conduzido para a delegacia.
Violência contra a mulher no Ceará
Casos de violência contra a mulher, inclusive casos de feminicídio, vêm se repetindo no Ceará, ao longo dos últimos dias. No mesmo dia, neste domingo (22), uma mulher de 43 anos foi morta a facadas pelo ex-companheiro no município de Boa Viagem, no interior do estado. Aldecina Albuquerque foi morta na zona rural do município, com o corpo tendo sido encontrado em uma estrada na localidade de Lázaro, distrito de Guia. O suspeito foi preso em seguida.
O homem teria assumido a autoria do crime em um áudio divulgado nas redes sociais, com a gravação agora sendo analisada pela polícia. Ele foi preso também em Boa Viagem, mas na localidade de Jantar de Baixo, no mesmo dia do crime. Segundo a Polícia Militar do Ceará (PMCE), agentes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRAIO) foram acionados após o assassinato.
Em Itapipoca, a empresária e influenciadora digital Ana Carolina de Sousa Silva, de 31 anos, foi encontrada morta dentro de casa. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. O episódio reforça um padrão que se repete em diferentes contextos: sinais de controle e conflitos que, quando não interrompidos, podem evoluir para um desfecho trágico.
Em Fortaleza, no bairro Jangurussu, outra mulher foi agredida com um gargalo de garrafa em plena via pública. Os episódios, segundo especialistas, não são isolados. Eles revelam uma violência que cresce, se intensifica e, em muitos casos, termina em morte.
No Brasil, o feminicídio é considerado crime hediondo, previsto na Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal para incluir o assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino. “O crime de feminicídio é um crime de ódio contra as mulheres”, afirma Jéssica Rodrigues, advogada criminalista. “O que caracteriza um feminicídio é quando há um crime contra a vida, tentado ou consumado, contra a vida de uma mulher, em razão dela ser mulher, por ódio, vilipêndio, à condição de mulher”, explica. Antes do desfecho extremo, no entanto, há sinais que indicam a escalada da violência. A agressão fatal, segundo especialistas, raramente é o primeiro episódio.
(Informações R7)

