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Terapia inovadora mostra cura de lesões graves de medula espinhal cultivada em laboratório

Pesquisadores da Universidade Northwestern alcançaram um marco promissor no estudo de lesões graves da medula espinhal, utilizando mini medulas cultivadas em laboratório. Esses organoides reproduzem fielmente os danos típicos que causam paraplegia ou tetraplegia, incluindo morte celular, inflamação e formação de tecido cicatricial que impede a regeneração neuronal. 

O estudo, publicado na Nature Biomedical Engineering em 11 de fevereiro de 2026, explora uma terapia inovadora que pode estimular a recuperação das funções motoras e sensoriais (título do artigo: Lesão e terapia em um organoide da medula espinhal humana, DOI: 10.1038/s41551-025-01606-2).

Organoides humanos: modelos miniatura que imitam a medula espinhal

Terapia inovadora mostra cura de lesões graves de medula espinhal cultivada em laboratório
Ilustração de organoide da medula espinhal mostra regeneração de neurônios. (Foto: Fala Ciência via ChatGPT)Fala Ciência

Os organoides são criados a partir de células-tronco pluripotentes, desenvolvendo um tecido complexo que inclui neurônios, astrócitos e até microglia, permitindo simular de forma realista a resposta inflamatória a uma lesão. Ao longo de meses, essas medulas em miniatura amadurecem o suficiente para reproduzir lacerações e contusões que normalmente causam perda de movimento parcial ou total em vítimas de acidentes.

Segundo Nozomu Takata, autor principal do estudo, o modelo permite testar terapias diretamente em tecido humano antes de passar para ensaios clínicos, oferecendo uma visão mais precisa do potencial de recuperação funcional.

Moléculas dançantes: a chave para regeneração

A terapia com moléculas dançantes consiste em injeções líquidas que formam redes de nanofibras, recriando a matriz extracelular da medula espinhal e estimulando o crescimento de neuritos, que incluem axônios responsáveis pela comunicação entre neurônios. Após lesões simuladas, o tecido apresentou:

  • Crescimento de neuritos reconectando circuitos neuronais
  • Redução significativa da gliose, tecido cicatricial que bloqueia a regeneração
  • Organização dos neurônios em padrões que favorecem sinalização funcional

Esses efeitos indicam que, em pessoas com paraplegia ou tetraplegia, a terapia poderia ajudar a restaurar parcialmente a mobilidade e sensibilidade abaixo do ponto da lesão, dependendo da extensão do dano original e da resposta individual ao tratamento.

Simulação de lesões reais

O estudo reproduziu dois tipos comuns de trauma na medula espinhal:

  •  Lacerações cirúrgicas, semelhantes a ferimentos penetrantes
  •  Contusões compressivas, como em acidentes de carro ou quedas graves

Ambos resultaram em morte celular e cicatrização glial, mas após o tratamento com moléculas dançantes, os organoides mostraram regeneração significativa, validando a eficácia da abordagem observada anteriormente em modelos animais.

Perspectivas futuras

O professor Samuel I. Stupp, inventor das moléculas dançantes, destaca que os organoides permitirão desenvolver terapias personalizadas usando células do próprio paciente, minimizando o risco de rejeição. Pesquisas futuras poderão incluir modelos de lesões crônicas, ampliando a aplicação da terapia para casos mais complexos de paraplegia e tetraplegia.

O estudo demonstra que a medicina regenerativa baseada em nanofibras e movimento molecular pode transformar o tratamento de lesões na medula espinhal, oferecendo esperança real para pacientes que atualmente enfrentam paralisia permanente.

(Informações R7)

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