Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula virou assunto nas redes petistas e bolsonaristas
Raphael Veleda, do Metrópoles –
A disputa política que será travada até outubro deste ano tomou o Carnaval com o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí nesse domingo (15/2). Com uma homenagem ao presidente Lula (PT) e provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como palhaço na prisão, a escola inflamou apoiadores do petista e, principalmente, seus opositores, que viram na avenida uma afronta à legislação eleitoral.
Já nesta segunda-feira (16/2), o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile.
“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE. Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família, Vamos vencer o mal com o bem!”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.
Como o Metrópoles informou, na coluna da Manoela Alcântara, o partido Novo também afirmou que voltará a acionar o TSE. O perfil oficial da legenda publicou que “o desfile é uma peça de propaganda do regime Lula”. “Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade”, reforçou a legenda.
Os dias que antecederam o desfile já foram de disputa nas redes e na Justiça. A oposição, sem sucesso, tentou proibir o desfile. E mesmo parte dos aliados de Lula viu no desfile da Acadêmicos de Niterói e no envolvimento direto do presidente e da primeira-dama Janja uma casca de banana.
Venceu, porém, a visão de que participar diretamente do desfile da escola que levou o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” para a Sapucaí era um risco político que valia a pena. Elogioso ao petista, o samba-enredo passou longe de qualquer tema polêmico de sua trajetória, como as investigações sobre corrupção.
Janja, no entanto, desistiu de desfilar na última hora, enquanto Lula desceu do camarote de onde acompanhava a escola de samba para ver parte do desfile da pista. Foi cercado por apoiadores, seguranças e jornalistas.
A decisão de Janja de não desfilar ocorreu em meio a questionamentos a respeito de delitos eleitorais na apresentação. Ministros do governo foram aconselhados a não desfilar nesse domingo, a fim de evitar questionamentos jurídicos da apresentação.
As reações
A oposição está denunciando o que vê como crime eleitoral e pede até a inelegibilidade de Lula. Com o desfile em sua homenagem, o petista se tornou o principal assunto nas redes bolsonaristas.
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL), por exemplo, reclamou da alegoria que mostra um palhaço com tornozeleira eletrônica, uma referência direta a seu marido: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”, declarou ela.
Para seus críticos nas redes, Lula tenta “roubar o Carnaval”. Eles apostam, porém, que o desfile vai gerar críticas na maioria da sociedade e só agradou petistas convictos.
Políticos que querem desafiar Lula nas eleições deste ano também entoaram críticas. O governador mineiro, Romeu Zema (Novo), centrou suas críticas à notícia de que evangélicos seriam retratados em uma lata de conserva.
“Olha, até difícil de acreditar que um troço desses é real. O Lula tá fazendo um desfile de Carnaval, com um bloco inteiro dedicado ao preconceito religioso. Os 50 milhões de evangélicos do Brasil estão pagando isso tudo. Inadmissível. Levaremos esse crime à Justiça”, escreveu Zema nas redes.
Petistas
Os petistas também engajaram o desfile nas redes. Primeiro, criticaram a Rede Globo por supostamente esconder a entrada da escola e trechos do desfile. Depois, passaram a exaltar momentos da evolução da escola e ironizar as críticas da oposição.
A deputada federal Maria do Rosário escreveu: “Enquanto a direita ladra, a escola passa! E passa linda! “Vale uma NAÇÃO! Vale um grande ENREDO! Lula é essa pessoa e essa história”.
“Quem passou fome, hoje alimenta a alma do Carnaval. A Acadêmicos de Niterói narra a história desse nordestino que dedicou a vida ao povo. É emoção que não acaba mais!”, manifestou-se o senador Humberto Costa (PT-PE).

