Uma mulher de 57 anos está sendo acusada de racismo religioso após atacar, por meio das redes sociais, um ato religioso de matriz africana, em Dourados, a 221 quilômetros de Campo Grande. O Comafro (Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos Afro-brasileiros) registrou o caso na Polícia Civil.
Segundo o presidente do Conselho, que também é investigador de polícia na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), Ailson do Carmo de Souza foi o responsável pela denúncia, após ser procurado por membros da entidade.
O comentário feita na publicação, que mostrava a celebração em homenagem ao Dia de Iemanjá, celebrado no dia 2 de fevereiro, se referia ao ato como ‘putaria’ e ‘maldição’. “Vão ler a bíblia, Jesus está voltando e vocês aí com putaria, o Carnaval ainda vai chegar e o demônio está solto mesmo. Vão se ajoelhar e pedir perdão a Deus, ainda dá tempo de Jesus perdoar quem está cego perante Ele e seus pecados. Vou orar por vocês, para Deus libertar dessa maldição”, dizia o comentário feito pela suspeita.
Conforme informações do portal Dourados News, o presidente relatou que o caso não é apenas um ‘proselitismo religioso’, ou seja, o esforço de converter outros a uma determinada fé. Isso porque os termos usados seriam considerados “manifestação de desprezo e ódio”.
Ainda conforme a ocorrência, o conselho relatou que atos semelhantes tem se tornado mais frequentes nos últimos anos e, por isso, “carecem de ação eficaz e célere das autoridades para a garantia dos direitos constitucionais destas minorias sociais”.
Nas redes sociais, Ailson publicou um vídeo relatando sobre a ocorrência. “Ninguém precisa ofender outra religião para reafirmar a sua. É só respeitar. Nós vivemos numa sociedade plural, numa sociedade onde existem pessoas que pensam de maneira diferente e que creem de maneira diferente. É só respeitar”.
Além disso, o presidente ainda afirmou que o ato é um Cirne, previsto na Lei 7.716/89. “O racismo religioso é uma ferida aberta que tenta apagar a ancestralidade e o sagrado do próximo. É desolador ver a fé, que deveria ser refúgio, tornar-se alvo de ódio e perseguição. Atacar um terreiro ou um fiel é um atentado contra a dignidade humana e a memória de um povo. Respeitar o sagrado de matriz africana é garantir que o preconceito não silencie nossas raízes. O ódio nunca será divino”
O caso foi registrado na Depac como: praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, por intermédio dos meios de comunicação social, de publicação em redes sociais, da rede mundial de computadores ou de publicação de qualquer natureza. A investigação ficará a cargo do 1º Distrito Policial.
(Com informações Top Mídia News)


