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Fábio Dorta: ‘O buraco moral do futebol: a quem interessa tanto escândalo?’

Fábio Dorta (*) –

Se tem uma coisa no futebol brasileiro que sempre se renova é a capacidade produzir escândalos. O último, que está na moda, envolve o São Paulo Futebol Clube e provocou a renúncia do então presidente Júlio Casares. Rolo de milhões diga-se de passagem. Muita água ainda vai rolar debaixo desta ponte e gente que se considera inatingível pode parar atrás das grades.

Mas, o São Paulo, infelizmente, é só mais um caso. O ex-presidente do Corinthians Augusto Melo, em um passado não tão distante, sofreu um impeachment. Nos dois casos, Polícia Civil e Ministério Público estão debruçados em denúncias gravíssimas, que já afetam moralmente e financeiramente dois dos maiores clubes brasileiros.

A coisa não para (e não vai parar) por aí. Recentemente o torcedor brasileiro, incrédulo, acompanhou a máfia das apostas nas BETs, com muito jogador envolvido, além é claro de dirigentes, empresários e outros atores ligados ao caso, principalmente apostadores que aliciam atletas para fraudar o sistema.

A CBF, que deveria dar exemplo, afinal é a dona do futebol tupiniquim, viu uma série de escândalos provocarem a destituição de Ednaldo Rodrigues da presidência e a convocação às pressas de novas eleições. Antigo dono do trono, Ricardo Teixeira, que foi implicado em escândalos de propina da FIFA, conforme revelado pela Justiça suíça, já havia renunciado, lá em 2012. A história sempre se repete.

Trazendo esta verdadeira tragédia aqui para o nosso MS, Francisco Cezário, após décadas comandando com mãos de ferro a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) foi defenestrado do poder após a Operação Cartão Vermelho do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público Estadual (MPE).

Cezário levou o futebol sul-mato-grossense, outrora forte em nível nacional, a penúltima posição no ranking da CBF entre todos os estados e o Distrito Federal. Hoje não temos nenhum representante nas três principais divisões do futebol brasileiro. Sobram as migalhas da Série D, onde, invariavelmente, os times não passam das duas primeiras fases (a maioria, aliás, já cai logo na primeira fase).

Com Cezário fora a expectativa em torno do mandato do novo presidente, Estevão Petrallas é grande. Ele se mostra até ter boas intenções, porém, inexplicavelmente (ou não?) ainda mantém em postos chave da instituição pessoas fortemente ligadas com a gestão anterior, que parecem ter um poder infinito sobre quem quer que seja o mandatário.

Trazendo o debate ainda mais para o nosso quintal, até a eleição para Liga Esportiva Douradense de Amadores (Leda) está judicializada. Quem venceu não consegue assumir o cargo. Quem perdeu diz que o pleito eleitoral foi irregular. Em jogo está o futuro do futebol amador, e, claro, um patrimônio milionário encravado no centro da cidade, o Estádio Napoleão Francisco de Souza. Ou seja, de cabo a rabo, só tem imbróglio (pra dizer o mínimo).

(*) O autor é jornalista

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