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Marcelo Mourão: ‘Quando a crítica vira ruído, a cidade paga a conta’

Marcelo Mourão – vereador de Dourados-MS

Existe uma diferença enorme entre fiscalizar e apenas despejar amargura. A internet, infelizmente, virou palco para um tipo de comentário sem futuro: a crítica pela crítica. Gente que, da poltrona de casa, com o celular na mão, tenta diminuir qualquer entrega pública como se o esforço coletivo que move uma cidade fosse uma bobagem.

Esses dias, li um comentário que resume bem esse espírito. Um indivíduo escreveu, em tom de desdém, que um vereador “em dois mandatos fez apenas uma ponte” e que estaria “fazendo propaganda” desse feito. Como se uma ponte fosse um detalhe. Como se uma obra de mobilidade urbana, logística e desenvolvimento pudesse ser reduzida a uma frase maldosa.

Só que aquela ponte, em especial, não é “uma ponte”. É um marco. Foi uma obra guardada por anos, em uma região que precisava e clamava por conexão e dignidade. Hoje, ela é sinônimo de progresso: liga uma região a outra, abre caminhos, encurta distâncias, melhora o trânsito, fortalece o comércio, valoriza imóveis, facilita a vida de quem trabalha, estuda e vive ali. Uma ponte muda a dinâmica de um território inteiro. E a cidade sente o impacto no cotidiano.

E obras assim não nascem do acaso. Elas exigem responsabilidade, projeto, planejamento, recursos, articulação e tempo. Levam anos para sair do papel. Dependem de parceria institucional. Envolvem vereador, Executivo municipal, Senado, Estado, técnicos, licenças, orçamento. Quem conhece os bastidores da administração pública sabe: quando uma entrega acontece, é porque existiu trabalho. Houve insistência. Houve construção política da boa política, aquela que não faz barulho, mas entrega resultado.

O problema é que a crítica rasteira não discute política pública. Ela não quer entender o processo. Ela não quer comparar antes e depois. Ela não quer perguntar o que mudou na vida das pessoas. Ela quer apenas diminuir. E esse desejo de desdém diz mais sobre quem escreve do que sobre quem trabalha. Um comentário mesquinho revela um nível social e intelectual que não foi educado para o debate, para o respeito, para a civilidade. É o retrato de uma cultura que se alimenta do sarcasmo, da ignorância e do prazer em atacar.

Mas aqui há uma verdade que também precisa ser dita com frieza: parte desse ambiente foi construído pela própria política. Quando o político banaliza a política, quando trata o mandato como espetáculo, quando promete o que não pode cumprir, quando mente, quando improvisa, quando se distancia do povo, ele contribui para que a sociedade passe a enxergar o político como caricatura e não como autoridade pública.

Só que a solução não é aprofundar o desprezo. É elevar o padrão.

Reconhecer e valorizar o trabalho de bons políticos não é demérito. É maturidade. A boa prática precisa ser valorizada porque ela ensina, cria referência e pressiona o sistema a melhorar. Quando a sociedade decide que “nada presta”, ela entrega o campo para os piores. Quando a sociedade trata toda entrega como “propaganda”, ela desestimula quem faz, confunde quem observa e premia quem apenas grita.

É possível discordar de um político. É saudável discordar. Democracia é isso. O que não é aceitável é normalizar a falta de respeito. O respeito é um padrão civilizatório. Você pode não concordar com a visão, com a linha, com o voto, com a ideia. Mas existe uma regra que protege a vida pública e a convivência social: a dignidade do debate.

Porque quando a crítica vira ruído, quem perde não é o político. É a cidade.

E quando uma ponte liga dois lados de Dourados, ela liga mais do que ruas. Ela liga oportunidades. Ela liga futuro. E isso não merece desdém. Merece compreensão, cobrança responsável e, principalmente, reconhecimento quando é feito.

A crítica que constrói aponta caminhos. A crítica que destrói só espalha vazio. E vazio não move cidade nenhuma.

@marcelopmourao

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