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MS: paciente epiléptica denuncia despreparo após convulsão em UBS

Redação –

A moradora de Campo Grande, Célia das Graças de Oliveira, de 47 anos, afirma ter vivido uma situação traumática dentro de uma unidade básica de saúde da Capital após sofrer uma convulsão enquanto aguardava atendimento. Segundo ela, além da demora no serviço, houve despreparo por parte dos profissionais durante o episódio, o que teria resultado em diversos hematomas pelo corpo.

Célia relatou que procurou atendimento inicialmente na UPA do bairro Santa Mônica, na madrugada de terça-feira (20), por volta das 3h30, após apresentar sintomas gripais e forte inflamação na garganta. Após consulta médica, recebeu uma receita com antibiótico e outros medicamentos, mas não conseguiu iniciar o tratamento por não haver farmácia disponível na unidade naquele horário.

“Depois da meia-noite não tem farmácia aberta nos postos. A gente sai só com a receita na mão e vai embora”, contou.

Na manhã seguinte, por volta das 7h, ela foi até a unidade de saúde do Aero Itália, na região do Jardim Aeroporto, para retirar os medicamentos prescritos e também pegar a chamada “chave” de atendimento, documento necessário para uma consulta com neurologista marcada para a tarde daquele mesmo dia, na Santa Casa.

Sem ter dormido durante a noite e ainda sem medicação para controlar a febre, Célia permaneceu por horas aguardando atendimento. Segundo ela, o tempo passou sem qualquer chamado. “Deu oito horas, oito e meia, quase nove horas da manhã e nada. Eu estava com frio, com febre, muito cansada”, relatou.

Durante a espera, a paciente sofreu uma convulsão ainda na área de recepção da unidade. Ela afirma que, ao recobrar a consciência, estava desorientada e percebeu que havia sido levada para uma sala, colocada em uma maca e contida de forma inadequada.

“Quando acordei, meu rosto estava todo machucado, roxo de um lado, braços doloridos. Disseram que eu bati a cabeça no chão, mas eu nunca fiquei assim em nenhuma outra convulsão”, afirmou.

Epilética há 19 anos, Célia disse conhecer bem o próprio quadro clínico e questiona os procedimentos adotados pelos profissionais durante o atendimento. Segundo ela, as técnicas utilizadas não seguiram os protocolos adequados para crises convulsivas.

“Não se segura uma pessoa durante uma convulsão. O certo é deitar de lado e proteger a cabeça. Me seguraram, tentaram pegar veia, e isso me deixou toda machucada”, relatou.

A paciente também afirmou que um funcionário da recepção teria ido até a sala onde ela se recuperava e passou a questioná-la de forma agressiva sobre o motivo de estar no local. “Ele falava alto, nervoso, cuspindo enquanto gritava. As enfermeiras tiveram que tirá-lo da sala, porque eu tinha acabado de sair de uma convulsão”, disse.

Ainda conforme o relato, apesar de haver outras pessoas na unidade, nenhuma se dispôs a testemunhar o ocorrido. Mesmo após a sugestão dos profissionais para que fosse encaminhada a uma UPA para observação, Célia optou por não aceitar.

“Convulsão faz parte da minha condição. O que não é normal é a forma como fui tratada. Falta preparo, falta conhecimento”, desabafou.

Ela afirmou que decidiu tornar o caso público por acreditar que outras pessoas possam enfrentar situações semelhantes caso não haja capacitação adequada dos profissionais. “Quando é o cidadão que é prejudicado, tudo fica abafado. Eu quis falar porque isso não pode continuar acontecendo”, concluiu.

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