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Entre pesquisas, pastores e banqueiros: o Brasil em modo pré-eleitoral

Juliel Batista –

Pesquisa Quaest e o cenário de 2026

Foi divulgada nesta quarta-feira (14) a primeira pesquisa eleitoral da Quaest para a sucessão presidencial. Como já se antecipava, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança em todos os cenários de segundo turno. No entanto, os números revelam um dado relevante: a vantagem diminuiu em relação à pesquisa anterior.

Entre os possíveis adversários, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas despontam, até o momento, como os nomes mais competitivos. Ainda assim, quando se observa o índice de rejeição, os cenários permanecem abertos e sujeitos a mudanças significativas.

O que se desenha, por ora, é a continuidade de uma eleição fortemente polarizada, enquanto o campo do Centro e da Direita segue como uma grande incógnita. Fragmentada, sem um nome nacionalmente consolidado e com baixa capilaridade fora do eixo Centro-Sul, essa ala ainda patina na construção de uma alternativa eleitoral viável.

Damares x Malafaia: o racha no campo evangélico

A semana também foi marcada por turbulência entre importantes lideranças do meio evangélico. O pastor Silas Malafaia, figura polêmica e frequentemente apontado como um dos principais articuladores do bolsonarismo, entrou em rota de colisão com a senadora Damares Alves.

O estopim foi a CPMI do INSS. Em entrevista ao SBT News, Damares denunciou uma suposta relação entre instituições religiosas e fraudes em benefícios previdenciários. A reação de Malafaia foi imediata e agressiva: afirmou que, caso não houvesse provas, a senadora seria uma “leviana linguaruda”.

No dia seguinte, Damares utilizou as redes sociais para divulgar uma lista de nomes e instituições religiosas supostamente envolvidas. Mesmo assim, Malafaia manteve as críticas. A pergunta que fica é inevitável: por que tanto alarde? Especialmente vindo de alguém que costuma silenciar diante de denúncias de corrupção e crimes envolvendo setores da Direita e do conservadorismo.

Mais uma vez, o comportamento do pastor expõe uma postura seletiva, oportunista e, sobretudo, prejudicial à imagem de milhões de evangélicos que não se reconhecem nesse tipo de atuação política.

Toffoli, Polícia Federal e o caso Master

Ganha cada vez mais espaço no noticiário a série de controvérsias envolvendo o ministro do STF, Dias Toffoli, e a Polícia Federal, no contexto do escândalo conhecido como caso Master.

Nesta semana, após mais uma operação relacionada ao banco, Toffoli determinou inicialmente que os materiais apreendidos fossem encaminhados ao STF. Pouco depois, a decisão foi revista, e os itens deveriam seguir para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Especialistas alertaram ao g1 que o atraso na perícia poderia resultar na perda irreversível de dados.

Toffoli tem se destacado como um dos principais defensores do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Suas decisões como relator acumulam disparates jurídicos e contradições, a ponto de se questionar seriamente sua permanência à frente do caso. Em um cenário minimamente republicano, seu afastamento seria não apenas recomendável, mas necessário — inclusive para preservar a já desgastada imagem do STF, cuja credibilidade junto à população vem em queda há pelo menos uma década.

Doações de campanha e o elo com o Banco Master

Há ainda um ponto pouco explorado por parte da grande imprensa, mas que merece atenção. Fabiano Campos Zettel, cunhado e braço direito de Daniel Vorcaro, doou R$ 5 milhões às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022.

Longe de qualquer acusação direta aos beneficiários, o que se comenta nos bastidores de Brasília é o clima de apreensão que toma conta de setores do Centrão e do PL diante da possibilidade de uma eventual delação do banqueiro.

O tema nos leva de volta ao ponto inicial desta coluna: as eleições. Tarcísio aparece como o nome que, hoje, reduz a diferença contra Lula em um eventual segundo turno. A pergunta é inevitável: o caso Master pesa nessa equação? As doações foram apenas afinidade política ou existe algo além?

As respostas só virão com o avanço das investigações — isso, claro, se não houver interferências pelo caminho. Até lá, resta aguardar os próximos capítulos.

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