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‘Operação Owari: Faltam explicações e ações convincentes do prefeito’, por Ribeiro Arce

Artigo – 14/07/2009

Passei os últimos dias analisando atentamente, pela mídia e nas conversas com o povo, o alvoroço criado pela “Operação Owari” da Polícia Federal e que levou 41 pessoas para a cadeia, a maioria delas já soltas por força de habeas corpus concedidos pelo judiciário. Essa operação, como sabemos, causou um estrago danado nas pretensões políticas de figuras conhecidas, especialmente de Dourados – cidade onde concentrou a maior parte das prisões.Causou espanto a quantidade de pessoas da administração Ari Artuzi presas nessa operação. Também foi espantosa a forma como o prefeito tratou o assunto. Por um bom tempo a população douradense ficou órfã de boa parte das autoridades eleitas para governar o município. Enquanto o vice prefeito; o presidente do legislativo e mais dois vereadores, um deles líder do prefeito na câmara, além de secretários municipais e assessores da prefeitura “tocavam piano” na delegacia da polícia federal, o prefeito Ari Artuzi se ausentou da cidade, foi para Brasília.Nada contra o prefeito ir à Brasília em busca de recursos para o município. O que se questiona é o momento, agenda se remarca, meios para isso é que não faltam. Naquela fatídica manhã de terça-feira, 07 de julho, faltaram ousadia, firmeza e determinação do governante. Se fosse arrojado e corajoso encarava o problema de frente, chamava para si a responsabilidade. Vinha a público explicar para o povo as medidas tomadas, no mínimo os afastamentos imediatos de todos os servidores públicos municipais envolvidos nos inquéritos das falcatruas levantadas pela PF, a substituição do seu líder na Câmara Municipal de Vereadores, bem como a nomeação de pessoas íntegras para ocuparem os cargos vagos. Não fez nada disso e ainda se ausentou da cidade.Prefeito é eleito para tomar decisões e nos mementos cruciais, como as prisões de funcionários municipais com cargos comissionados, da “Operação Owari” elas tinham que ser urgentes e ditas pelo chefe do executivo e não por subalternos. Após a volta de Brasília, alguns dias depois do “furacão”, apareceram as primeiras vagarosas e pífias decisões tomadas pelo prefeito. Antes a prefeitura veiculou uma nota na capa dos dois jornais diários impressos da cidade e no principal e mais tradicional da Capital. Na nota oficial a prefeitura informava que “os servidores públicos desta administração apenas prestaram esclarecimentos, conforme informou a própria Policia Federal”. Vamos fazer um exercício de reflexão, cidadãos são tirados de suas casas por policiais e levados até a delegacia para prestar esclarecimentos e saem de lá para o presídio, são soltos mais tarde por habeas corpus emitidos por um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado e a prefeitura diz que foram apenas prestar esclarecimentos. É brincar com a inteligência do povo. Essa história, no mínimo, está mal contada.Outro fato que chama a atenção é que as decisões de cargos na prefeitura são tomadas com ajuda de políticos de fora, como ficou claro em matéria veiculada na imprensa no sábado. Segundo a matéria, as decisões estão sendo tomadas com a participação dos deputados Londres Machado, Ary Rigo e Vander Loubet, que apoiaram a eleição de Artuzi. Ajudaram a eleger, agora ajudam a governar. Até quando políticos de fora vão continuar mandando em Dourados?Em outra nota a prefeitura diz que “o prefeito de Dourados, por meio de sua assessoria comunica a todos os meios de comunicação que acatou o pedido de afastamento dos nove servidores municipais envolvidos na ‘Operação Owari’”. Está na hora do prefeito parar de ficar tentando explicar o inexplicável através de notas e vir a público falar com o povo. Ao invés de emitir nota, convoque uma coletiva com toda a imprensa e responda as perguntas com seriedade e altivez, o mínimo que se espera de governante sério e comprometido com verdade.*Historiador e professor da rede estadual de ensino.

Fonte: Folha de Dourados

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