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Por que o homem que localizou o passaporte de Eliza Samudio procurou um site de fofocas?

Se você encontrasse o passaporte de alguém que já faleceu e fosse algo suspeito, quem você procuraria? A polícia ou um portal de fofoca?

Um homem preferiu a segunda opção após localizar o documento de Eliza Samudio, a jovem assassinada pelo goleiro Bruno em 2010, após denunciar o ex-companheiro por violência e cobrar o reconhecimento do filho.

O crime chocou o país pela brutalidade e pela impunidade emocional que se arrasta até hoje.

O caso aconteceu em Portugal. O rapaz teria localizado o passaporte de Eliza entre livros, em uma estante, no local onde mora e, pouco tempo depois, o assunto virou manchete.

Pessoas que convivem há anos com a perda, com a ausência de respostas de um crime brutal.

Sônia Moura, mãe de Eliza Samudio, ficou extremamente abalada com a repercussão. Nesta semana, em suas redes sociais, escreveu sobre como a notícia gerou sofrimento.

“Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira. Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir”, destacou.

Em outro trecho do texto, comentou a respeito da angústia por não ter respostas: “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa.”

“A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente”, afirmou.

Responsabilidade e bom senso
A pessoa que encontrou o documento preferiu a imprensa. Preferiu os holofotes. E assim, uma informação incompleta ganhou o mundo, sem o cuidado de explicar que aquele documento havia sido cancelado quando Eliza ainda estava viva.

Não foi apenas a notícia de um passaporte. Foi uma falsa possibilidade. Um “e se?” jogado no colo de quem já aprendeu, à força, a conviver com o “não”.

Uma tentativa de levar esperança ou busca por fama, dinheiro?

Não sei qual foi a intenção do homem que localizou o passaporte, mas uma coisa é certa: quando nos colocamos no lugar do outro, evitamos muitas atitudes que podem ser prejudiciais.

Existe uma diferença gritante entre informar e buscar likes. Informar exige responsabilidade, contexto, apuração. Explorar exige apenas oportunidade.

Trata-se de entender que nem tudo que gera curiosidade pública merece ser tratado como espetáculo. Temos muitos exemplos ao longo da história do jornalismo de graves consequências causadas por notícias divulgadas sem a devida apuração.

Quando a busca por cliques passou a valer mais do que fazer o certo?

Não sei dizer, mas tenho certeza de que contribuir, consumir e espalhar informações sem o devido cuidado, apenas por visibilidade, além de ser baixo e imoral, transforma, pouco a pouco, as pessoas em cúmplices de uma violência pública, muitas vezes sem volta.

(Informações R7)

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