Morador da Capital foi ao país passar o fim do ano, voltaria no dia 10, mas precisou ficar na Venezuela após ataque
Moradora de Campo Grande, a secretária venezuelana Gabriela Isabela Méndez, de 25 anos, assiste assustada aos vídeos de bombardeios enviados por familiares que estão na Venezuela. Entre eles, o cunhado dela, Jhoan Cabrice, que trabalha como mecânico em Ribas do Rio Pardo e mora na Capital, passou o fim do ano no país de origem e voltaria ao Brasil no próximo sábado (10), mas teve de ficar na Venezuela por conta do ataque estadunidense.
“As pessoas estão com muito medo, chorando. Eu mesma fui dormir quase 5h da manhã, tentando acompanhar as notícias e sem conseguir fazer nada além de orar”, desabafa Gabriela. “A maioria das pessoas não gosta do regime Maduro, mas isso não significa que apoiem uma intervenção militar estrangeira”, opina a secretária. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, diz ter capturado Nicolás Maduro.
Nas imagens enviadas pela família de Gabriela, é possível ver explosões por toda a capital venezuelana. As pessoas assistem aos bombardeios assustadas, gritam e correm. Há caos no trânsito, com venezuelanos correndo para sair da cidade atacada. Ao mesmo tempo, aviões de guerra sobrevoam Caracas.
Gabriela tomou conhecimento dos bombardeios por volta de 3h da madrugada deste sábado (3), por uma ligação de sua irmã. “Lá, as informações circulam de forma muito restrita. As pessoas avisavam umas as outras para guardar comida, água, vinagre, e que a internet poderia ser cortada. Pediam para ligar para parentes que estão fora do país”, explica Gabriela Isabela Méndez.
Fronteiras fechadas
O cunhado dela, Jhoan Cabrice, viaja para a Venezuela todos os anos em dezembro, com objetivo de visitar a esposa. “A fronteira fechou e agora não há previsão de reabertura”, relata Gabriela, assustada com a situação. A mulher ainda aguarda para saber se este é um ataque pontual ou se a situação pode se agravar.
Segundo ela, há pessoas saindo de Caracas, capital venezuelana. “Houve acidentes, buzinas, motos, um cenário de desespero, como se fosse o fim do mundo.” Os familiares de Gabriela duvidavam que um ataque realmente pudesse acontecer, mesmo com frequentes ameaças. “Dessa vez foi diferente, houve vários helicópteros, foi algo muito bem planejado, estratégico. Quem mora lá nunca imaginou”, conta.
Por enquanto, ela consegue se comunicar com os familiares, mas teme perder o contato. “Não sabemos até quando. O governo pode cortar internet, Wi-Fi e aplicativos como o WhatsApp. Minha irmã avisou que, se parasse de responder, seria por causa disso”, afirma Gabriela Isabela Méndez.
Preocupações: Maduro e EUA
A venezuelana moradora de Campo Grande é pouco esperançosa sobre os rumos do país natal. “Sinceramente, eu acho que o Maduro não vai largar o poder. Desde o início da crise houve muitas mortes, muita repressão, e ele nunca se importou”, opina a secretária.
Ao mesmo tempo, a ocupação estadunidense também preocupa. “Mesmo ataques a pontos estratégicos acabam atingindo civis. As pessoas estão desesperadas e não confiam que os Estados Unidos estejam interessados em ajudar o povo. O interesse é econômico. O discurso de restaurar a democracia parece apenas um pretexto para intervir”, conclui Gabriela Isabela Méndez.
Entenda
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por equipes da Delta Force, uma unidade de elite do exército dos Estados Unidos especializada em contraterrorismo e resgate de reféns, de acordo com a emissora americana CBS News.
A emissora cita como fonte um oficial do exército dos EUA. Na madrugada deste sábado (3), explosões foram ouvidas em Caracas, acompanhadas por aeronaves que sobrevoavam a capital venezuelana em baixa altitude.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou em pronunciamento na TV estatal que o governo não possui informações sobre o paradeiro de Maduro e sua esposa, exigindo uma prova de vida imediata.
(Midiamax)


