Artuzi precisa ”depurar” secretariado para dar novo rumo na administração
O projeto político do prefeito pode ser comprometido se a equipe estiver preocupada apenas com objetivos pessoais
Pós-Owari – 10/08/2009
José Henrique Marques
O prefeito Ari Artuzi (PDT) em quase oito meses de administração ainda não conseguiu acertar o tom do seu secretariado. Antes mesmo da Operação Owari da Polícia Federal, o prefeito já encontrava problemas para criar e manter a unidade do seu secretariado. Na saúde teve que descartar o atual vereador e presidente do PDT local Edvaldo Moreira da Secretaria de Saúde para acomodar outras forças políticas e deu no que deu.
Logo depois foi a vez do secretário de Receita, João Azambuja a entregar o chapéu. Ele não agüentou as pressões e pediu para sair alegando compromissos particulares.
Quando a Operação Owari eclodiu a administração de Artuzi ficou totalmente descoberta e mostrou a sua vulnerabilidade com o envolvimento de um grande grupo de secretários e assessores do primeiro escalão nos escândalos de supostos atos de corrupção, investigados pelo Ministério Público Estadual e pela Controladoria Geral da União.
De uma só caçambada Artuzi perdeu os secretários de Governo Darci Caldo, de Serviços Urbanos, Carlinhos Cantor; de Saúde Sandro Barbara que era a esperança de redenção; de Obras, Carlos Ioris; além dos assessores diretos Jorginho Dauzacker e Márcia Geromini Fagundes.
Logo depois pediu demissão o secretário de Planejamento, Neno Razuk, como reflexo de que a política local estava tomando novos rumos. Com a saída de Neno, a sua mãe, a vereadora Delia Razuk (PMDB) livrou-se do ônus de apoiar a administração Artuzi na Câmara.
Aos poucos Ari Artuzi foi recompondo a sua equipe, entremeio a enxurrada de reportagens na imprensa local e regional expondo o seu calcanhar de Aquiles e a ferida que não se fecha cada vez mais se torna um problema.
Artuzi tomou medidas caseiras e homeopáticas. Colocou o procurador-geral do município na Secretaria de Governo e em seu lugar o advogado Fernando Baraúnas. Para a secretaria de Serviços Urbanos, a saída encontrada foi colocar o vereador Marcelão Hall (PR) para contemplar o sonho de Edvaldo Moreira em ir para a Câmara.
Para Saúde, Artuzi novamente mostrou jogo de cintura e conseguiu emplacar um médico compromissado com a saúde pública e avalizado pela classe. Mario Rocha está agradando gregos e baianos. Nas demais secretarias Artuzi optou pela interinidade de técnicos concursados e que ao longo dos anos demonstraram competência e compromisso com a administração pública.
Mesmo com todas essas mudanças o prefeito Ari Artuzi precisa tomar mais cuidado na escolha não só de seus secretários, mas também de assessores diretos e demais cargos comissionados, pois desse pessoal é que depende o fracasso ou sucesso de suas ações. Por mais bem intencionado que o prefeito esteja se não contar com uma equipe uníssona, não conseguirá tocar adiante o seu projeto administrativo. Depois da Owari os cuidados devem dobrar-se para não se cometer erros estratégicos.
Porém, esta unidade está comprometida por causa de projetos pessoais e políticos de alguns secretários que ainda não entenderam a dinâmica da política e da administração pública. Cabe ao próprio prefeito peneirar as intenções de cada membro de sua equipe, refinar o caldo e deixar apenas aqueles que realmente estão comprometidos com seu projeto político, para que no futuro a emenda não fique pior que o soneto e que o liquido entorne novamente.
Fonte: Folha de Dourados



