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Bancos não respeitam lei da fila; 15 minutos só no papel

Dourados – 11/08/2009

A longa espera no autoatendimento dos bancos continuam causando aborrecimento. De um lado as agências pregam o discurso de constante investimento e de outro a população revela-se indignada em permanecer por mais de uma hora na fila.A queda-de-braço entre prestador de serviço e consumidor sempre existiu. Todas as agências da cidade já foram autuadas pelo Procon, que regularmente faz inspeção nos bancos públicos e privados. A maior reclamação são das grandes agências.Doriane Doravante é uma das “vítimas” das longas filas. Ela conta que para pegar a senha do autoatendimento no Banco do Brasil (agência Joaquim T. Alves) levou quase 30 minutos. A maior espera vinha pela frente. Quando se dirigiu para o serviço de atendimento no caixa esperou por quase duas horas.“Eu precisava trocar o cheque do pagamento de salário. É uma vergonha existir lei que não é cumprida e saber que quem paga por tudo isso são usuários”, disse indignada. Em Dourados Lei Municipal de atendimento em banco é de 15 minutos.A longa espera é enfrentada pelos usuários todos os meses. “Eu não reclamo porque sei que o sistema é lento, as coisas não funcionam”, disse desacreditado o comerciante João Aparecido Silva.O diretor do Procon, Rosemar Mattos Souza, diz que realmente a população aparenta estar desacreditada. Isso se constata pelo baixo índice de reclamação nesse tipo de serviço, que segundo ele, não passa de cinco nesse ano. Com a reclamação do cliente fica mais fácil instaurar processo administrativa para multar  a agência.As fiscalizações nos bancos continuam sem a participação das pessoas. O diretor diz que o maior tempo de espera flagrado pelo Procon nesse ano foi de uma hora e meia. As multas vão de R$ 200 a R$ 3 milhões, de acordo com cada caso.Dados divulgados pelo próprio Banco do Brasil revela que a estatal lucrou R$ 8,8 bilhões no ano passado, crescimento de 74% se comparado a 2007. O lucro anual é o maior entre os bancos brasileiros. O Bradesco ficou na segunda posição, R$ 7,62 bilhões, uma queda de quase 5% frente ao ano anterior. Com tanto lucro os clientes e os próprios funcionários dos bancos não conseguem entender a falha no atendimento. Joacir Rodrigues de Oliveira, presidente do Sindicato Bancário de Dourados, diz que a situação é preocupante devido a falta de entrosamento entre empresas e funcionários.No final do ano passado vários bancos no país entraram em greve. A exigência era por melhores condições de trabalho, contratação de mais funcionários e ampliação no horário de atendimento. A reivindicação era grande. Vários outros itens formavam a pauta. Eles conseguiram reajuste salarial, mas várias outras solicitações continuam pendentes.Joacir Oliveira não descarta a possibilidade de nova greve para os próximos meses. Ele diz que as negociações não estão avançando. “Tudo vai depender das negociações, que até o momento está devagar”, disse ele. O sindicalista explica que a longa fila é consequência da falta de funcionários, muitas vezes sobrecarregados. “Aqui em Dourados temos vários bancários afastados por diferentes problemas relacionados a questões trabalhistas”, afirma.A reportagem procurou os dois maiores bancos públicos de Dourados. A assessoria da Caixa Econômica Federal informou que “vem realizando esforços no sentido de se adequar à grande variedade de leis municipais”. Em nota informou ainda que, “tais ações consistem na aquisição de sistemas para gestão de fluxo de atendimento, modernização de equipamentos”. Nesse final de semana os caixas eletrônicos tiveram pane em todo o país. O serviço, segundo a assessoria, já foi normalizado.Por telefone a reportagem solicitou uma justificativa do Banco do Brasil (agência Joaquim T. Alves). A gerência ficou de retornar a ligação, o que não ocorreu.

Fonte: Dourados Agora

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