Quadrilha de traficantes causa pânico
CAPITAN BADO – 17/08/2009
Waldemar Gonçalves – Russo
MPE (Ministério Público Estadual) investiga roubo de carga na fronteira entre o Brasil e o ParaguaiCerca de 300 caminhões foram roubados entre MS e o Paraguai, diz MP.Prejuízo para empresas e caminhoneiros é estimado em R$ 12 milhões.
O Ministério Público investiga um suposto esquema criminoso que teria resultado no roubo de aproximadamente 300 caminhões na fronteira entre Brasil e Paraguai, segundo reportagem do “Fantástico” de ontemA quadrilha, conforme as investigações, é comandada por Felipe Baron Escurra, conhecido como o Barão da Maconha, e atua na região de Ponta Porã e Coronel Sapucaia, na divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraguai.O “Fantástico” mostra o depoimento de caminhoneiros que foram vítimas da quadrilha. Um deles, que transportava 40 toneladas de adubo conta que foi forçado a entrar em território paraguaio e ficou preso em um cativeiro por dois dias, amarrado e sofrendo ameaças de morte. Além de perder a carga, o motorista teve que pagar R$ 25 mil para recuperar o caminhão.
Escurra é procurado por vários crimes, entre eles roubo, tráfico de drogas e homicídio. Segundo a polícia da região, ele mora em Capitan Bado, no Paraguai. Ele também é alvo de investigações de procuradores brasileiros, que o apontam como um dos maiores fornecedores de maconha dos traficantes brasileiros.FORTALEZA
Com a ajuda da polícia, o “Fantástico” foi até a casa do Barão da Maconha com a ajuda da polícia.
Ao chegar em Capitan Bado, os repórteres encontraram uma fortaleza com duas torres de observação, de onde empregados do traficante avisam sobre a aproximação de estranhos.Ao lado da casa principal, há uma residência menor onde ficariam os capangas do Barão.
A reportagem falou por telefone com um homem que se apresentou como amigo do traficante. Ele disse que Felipe Baron Escurra não é traficante e sim um negociador de veículos.Segundo a promotoria do Mato Grosso do Sul, o interlocutor da reportagem era o próprio Barão da Maconha que se diz injustiçado no telefonema. “Qualquer galinha que roubam, todo mundo chama o Barão aqui”, diz o suposto amigo do Barão. O juiz Cesar de Souza Lima contou que o grupo já tentou intimidá-lo. “Nós tivemos recentemente alguns carros rondando nossas casas. Aqui no Fórum virem com carro com placa estrangeira, tirarem fotos, uma intimidação ostensiva”, contou o magistrado.Na avaliação do Ministério Público, o Barão passou a ordenar o roubo de cargas e caminhões porque teve problemas com a produção de maconha. Foi um ano de muita chuva na fronteira e a produção da droga ficou comprometida, segundo os procuradores. Aí, a quadrilha começou a atuar em outras áreas. ESQUEMAA quadrilha usa a seguinte estratégia: um bandido liga para uma empresa de produtos agrícolas e se apresenta como dono de fazenda, faz uma encomenda de calcário ou de fertilizantes e chega a pagar uma parcela pelo carregamento. Mas, no lugar combinado para a entrega, acontece o assalto.
A estimativa do Ministério Público é que a quadrilha tenha roubado o equivalente a R$ 12 milhões, considerando as cargas de calcário e adubo e os caminhões. Segundo as investigações, há vítimas no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em São Paulo e em Minas Gerais.O delegado do departamento de repressão aos crimes de fronteira, Antônio Carlos Videira, disse que eles conseguem recolocar a carga no mercado da região com facilidade.
Fonte: Folha de Dourados



