Estudando o Salmo 23 – parte II
Espiritualidade – 28/08/2009
“Deitar-me faz em verdes pastos; guia-me mansamente às águas de descanso”.
Este segundo versículo do Salmo 23 nos traz uma situação curiosa. Ele nos fala da ovelha que repousa, que está deitada sobre pastos verdejantes. Situação curiosa porque esta não é uma cena comum. O fato de uma ovelha, cujo Pastor é Deus, deitar em pastos verdejantes quer nos trazer dois ensinamentos importantes.
1 – Uma Ovelha se deita quando está Saciada
Deus realmente alimenta a sua ovelha até a saciedade. Ele satisfaz a nossa necessidade existencial e não temos carência de nada. Ele sacia tudo, e faz isso de forma a termos descanso em nossas vidas. Deus não apenas nos sacia, mas leva-nos ao descanso. Ele faz todo o trabalho a fim de que o nosso coração se aquiete e deixe toda a ansiedade.
2 – Uma Ovelha se deita quando há uma Transformação em sua natureza
Infelizmente, hoje, vivemos um equívoco na igreja cristã. A fé cristã não fala de melhoria, mas fala de transformação, renovação, regeneração. Jesus não veio para fazer o ser humano melhor, mas para fazê-lo nascer de novo. Ao vivenciar este equívoco, nos esforçamos para melhorar e nos esquecemos que a transformação em nossas vidas não acontece por esforço nosso, mas pela ação do Espírito Santo. O que compete ao cristão é apenas se render.
O escritor Don Richardson, em seu livro “Eternidade em seus Corações”, ilustra como vários povos tiveram um conhecimento prévio de Deus que os capacitaria ao conhecimento posterior da revelação do Evangelho de Jesus, mas como muitos se esqueceram de Deus. Numa destas ilustrações, ele conta como os atenienses, na época das cidades-estados, enfrentaram uma praga que dizimava sua população. Um rei que diante de uma sublevação garantiu a anistia aos sublevados se eles depusessem as armas. Eles depuseram as armas e o rei os matou degolados. Daí começou uma desgraça em Atenas: fome, miséria, morte, animais morrendo. Os atenienses se deram conta de que havia um deus furioso. Eles foram ao panteão e ofereceram sacrifício a todos os deuses daquele panteão. Mas a praga não parou. Então, eles foram até um profeta na ilha de Creta, de nome Epimênides, para que este pudesse localizar um novo deus, desconhecido por eles, pois a praga não havia parado. O profeta pediu um tempo. E depois de alguns dias, mandou chamar os atenienses para lhes dizer que realmente havia um Deus que eles desconheciam, que era o mais poderoso de todos os deuses e que estava irado por causa da carnificina que haviam feito. A única forma de aplacar a ira deste Deus era pegar as melhores ovelhas, sem defeito, e deveriam levá-las ao campo. As ovelhas que se deitassem no campo deveriam ser sacrificadas num altar erigido naquele mesmo lugar. “Mas ovelhas não se deitam no pasto” – se queixaram os atenienses – “deveríamos levá-las para o deserto”. Mas o profeta afirmou que eles deveriam levá-las ao pasto e aquelas que este Deus quisesse que fossem sacrificadas, ele as faria deitar. E conta a história que várias se deitaram. Foram feitos vários altares. E quando todas as ovelhas que haviam se deitado foram sacrificadas, Epimênides disse que a ira do Deus desconhecido havia sido aplacada e que eles poderiam ir em paz. E os atenienses levaram consigo um dos altares e colocaram no panteão. É o mesmo altar ao Deus desconhecido que décadas depois o apóstolo Paulo encontrou em Atenas (Atos 17). Que Deus é este? O Deus do Salmo 23, que faz uma ovelha se deitar mesmo estando em meio a pastos verdejantes.
Lembre-se: Ele é quem te faz deitar, é ele quem te guia. Quanto a você? Seja levado.
Deixe-o saciá-lo totalmente. E, inclusive, mudar a sua natureza.
Rev. Vagner Rodrigues Morais, graduado em Teologia, faz parte da Equipe Pastoral da Igreja Presbiteriana Independente de Dourados. E-mail: [email protected]
Fonte: Folha de Dourados



