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Metade dos universitários da área de saúde não sabe orientar fumante

Saúde – 28/08/2009

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) afirmou que 50% dos universitários do terceiro ano dos cursos de medicina, enfermagem, odontologia e farmácia não aprenderam na faculdade métodos e tratamentos para orientar fumantes a abandonar o vício. Porém, segundo o estudo, 90% dos alunos receberam informações sobre os perigos do fumo. O levantamento “Vigilância do Tabagismo em Universidades da Área da Saúde” foi realizado com 2.642 estudantes de 18 a 24 anos, em 52 universidades públicas e privadas de quatro capitais de regiões diferentes do país: Rio, Florianópolis, Campo Grande e João Pessoa. De acordo com o Inca, pesquisas semelhantes estão sendo feitas no mundo, mas ainda não há um parâmetro internacional para se avaliar o resultado. “Os jovens pesquisados são futuros profissionais da área de saúde e como tal devem incorporar o importante papel social que tem como fornecedores de opinião e modelos de comportamento”, disse a coordenadora nacional do programa de Controle de Tabagismo do Inca, Tânia Cavalcante. O diretor-geral do Inca, Luis Antônio Santini, afirmou que “é preocupante não haver uma organização sistemática de ação nas universidades em relação a abordagem para enfrentar o problema do tabagismo”. Santini ainda disse que o objetivo dessa pesquisa é identificar o problema para permitir uma ação focalizada para capacitar alunos e professores dessas instituições. “É importante intensificar as informações sobre tabagismo entre os universitários para que eles se tornem agentes multiplicadores dos males causados pelo hábito de fumar e influenciem pessoas a tomar essa decisão. Eles têm o papel de disseminar as informações a respeito do tabagismo como um problema de saúde pública, como uma grande epidemia mundial que hoje é reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e por todos os agentes da saúde”, afirmou o diretor-geral do Inca. Ainda de acordo com a pesquisa, o número de universitários fumantes foi considerado baixo: 11% entre mulheres e 20% entre homens, sendo que basta ter fumado um cigarro nos últimos 30 dias para entrar na conta. Segundo o estudo, 90% dos entrevistados não fumam cigarros diariamente e 70% consomem dez ou menos cigarros por dia, além de 50% dos jovens que gostariam de parar de fumar imediatamente. O tabagismo é considerado doença, desde 1992 pela OMS e é identificado pelo CID (Código Internacional de Doenças). Para a OMS, o tabagismo cria uma “desordem mental e de comportamento em razão da síndrome da dependência à nicotina”. O mesmo levantamento do Inca destaca que apenas a metade dos entrevistados discutiu em sala de aula os mecanismos psicológicos e comportamentais relacionados ao conhecimento que o profissional precisa ter para tratar fumantes. “O tabagismo é responsável por 10% de todas as mortes ocorridas no mundo e 30% das mortes por câncer que ocorrem no mundo. Portanto, o tabagismo é a maior epidemia hoje no mundo, reconhecida pela OMS” , afirmou o diretor-geral do Inca.

Fonte: Folha OnLine

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