‘
'Mandar as mulas para a cadeia não é tão difícil. O correto é prender as cabeças do crime organizado', afirma o magistrado
Odilon de Oliveira – 31/08/2009
() José Henrique Marques
Odilon de Oliveira, o mais destemido juiz federal de Mato Grosso do Sul, é categórico e outra uma vez gera polêmica ao colocar em discussão um tema muito sensível na sociedade brasileira: a soberania nacional. Disse o juiz: “Acho uma hipocrisia o Brasil não aceitar a instalação de uma base norte-americana em nosso território para colaborar com a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado que age nas fronteiras com o Paraguai e Bolívia”.
O juiz ficou nacionalmente conhecido por prender traficantes de drogas e sonegadores de impostos e, por isso, vive sob forte escolta de policiais federais em Campo Grande. Já recebe dezenas de ameaças de morte.
“Mandar para a cadeia as ‘mulas’ do tráfico não é tão difícil assim. As cadeias estão cheias delas”, disse Odilon, lembrando que dos 450 mil presos no sistema penitenciário brasileiro, a maioria é condenada por envolvimento com o tráfico de drogas. “Mulas” são pessoas geralmente das camadas sociais mais pobres que se sujeitam a traficar pequenas quantidades de drogas.
De acordo com o juiz é imperativo para o combate eficaz contra o tráfico, “mandarmos os cabeças, os chefões mesmo, para trás das grades, mais para isso, têm que ser localizados e presos por uma força tarefa conjunta entre os policiais dos três países, com a colaboração dos Estados Unidos”, que é grande interessado nessa providência, já boa parte da cocaína e maconha produzidas na América do Sul destina-se àquele país.
De fato, a polícia norte-americana que vem atuando há anos em território paraguaio na prisão de traficantes e destruição de lavouras de maconha é muito bem treinada, informada e com uma avançada logística estrutural.
“Uma base americana no Brasil potencializaria as operações de nossas polícias no combate aos traficantes, num primeiro momento”, afirma Odilon de Oliveira, ressaltando que com a prisão dos barões do tráfico, cairá drasticamente a prisão das ‘mulas’. Para o juiz, os custos dos presos dariam para se construir cerca de 1500 escolas por mês. ‘O trabalho tem de ser de prevenção, e não ostensivo’, disse o juiz lembrando que a maioria destes presos vem das camadas pobres da sociedade.
A instalação de base americana no Brasil será possível se houver vontade política do governo federal. Mesmo assim, por ser uma matéria polêmica, com certeza será debatida no Congresso Nacional e em Assembléias Legislativa de estados que porventura venham abrigar a estrutura dos Estados Unidos.
De acordo com o juiz, os americanos também seriam importantes para combater o PCC que está em franca e crescente atividade nas fronteiras do Brasil com a Bolívia e Paraguai, além de outros países da América do Sul. “Tenho quase certeza. “Campo Grande, Dourados e a fronteira com o Paraguai possuem grande concentração de integrantes dessa facção, presos e também em liberdade”, afirma Odilon de Oliveira.
Fundada em 31.08.93, no interior de São Paulo, a facção criminosa teria, segundo o juiz, um exército de mais ou menos 84 mil integrantes. As FARC, grupo terrorista colombiano, fundado em maio de 1964, possuem apenas 10 mil integrantes. O juiz garante que o PCC mantém fortes contatos com as FARC.
() Com reportagem de Waldemar Gonçalves – Russo
Fonte: Folha de Dourados



