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Estudando o Salmo 23 (4)

Geral – 11/09/2009

O versículo 4 do Salmo 23, “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”, é um dos textos mais complicados das Escrituras.
Este texto não é complexo no sentido de não entendermos a sua interpretação. É complexo pelo fato de nos comunicar a grande tensão existente entre Deus e o homem; porque nos faz perguntar algo a Deus, mas não temos resposta da nossa pergunta.
 
A Ovelha está com o Pastor
O texto é complexo exatamente pelo fato da ovelha estar com o pastor. O pastor perfeito, que não deixa nada faltar, que conduz a ovelha pelas veredas da justiça é o mesmo que está fazendo a ovelha passar pelo vale da sombra da morte. Por acaso, o pastor não conhece nenhum outro caminho? Por que a ovelha tem que passar por este vale? Ou melhor: por que a ovelha foi levada ao vale pelo pastor?
Se o texto dissesse “quando me desvio” ou “quando me esqueço do pastor” ou “quando me atraso”, “mesmo assim não vou temer porque ele cuida de mim, ele vem me resgatar”, o texto ficaria menos complicado. Mas o texto não trabalha com uma ovelha que está passando por uma crise, com uma ovelha desviada. O texto trabalha dentro de uma condição ideal. O pastor e a ovelha estão em sintonia, no entanto, andando com o pastor, sendo guiada por ele, a ovelha atravessa o vale da sombra da morte.
Este texto nos fala de um relacionamento com Deus que nem sempre gostamos de ouvir: andar com Deus significa que, eventualmente, nós vamos passar pelo vale, com um agravante: será o próprio pastor que nos levará a passar por ele.
 
O Segredo de Passar pelo Vale
Talvez você esteja me perguntando: “Por que temos que passar pelo vale? Por que Deus, o pastor, nos leva a este vale?”
Se perguntarmos do porque ele nos levar ao vale, não teremos resposta. Ou poderemos dizer simplesmente que ele nos leva porque é Deus soberano sobre todas as coisas. A melhor pergunta seria: “Para que ele nos leva ao vale?”. Para esta pergunta tenho três respostas:
 
1 – No vale aprofundamos nossa comunhão com Deus: No vale a ovelha depende irrestritamente do seu pastor, obrigando-a a ter uma sintonia plena, total e irremediável. É atravessando pelo vale que podemos dizer como Jó: “Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem” (Jó 42:5). Ali conhecemos a eficiência do pastor; entramos em afinidade com ele; dependemos dele para tudo.
 
2 – No vale estamos com o Pastor: No vale, a ovelha aprende que o segredo da sua vida não são os lugares por onde ela passa, mas com quem ela passa. A ovelha tem a consciência de que, andando com este pastor, ela terá momentos de descanso, de saciedade, mas também de angústia e de dor. O lugar onde ela é levada não importa. O importante é a presença do pastor.
 
3 – No vale não precisamos ter medo: Andar com este pastor significa garantia de que nunca mais precisaremos ter medo de nada. O Pastor não nos dá a garantia de sempre andar por lugares seguros. Ele não nos dá a garantia de que nossos inimigos não nos tentarão atacar. Ele não nos dá a garantia de que não teremos sofrimentos. A garantia que temos é que ele nos protegerá e não nos desamparará nunca. No vale, conhecemos a fidelidade do pastor.
Ele é o nosso pastor. E os nossos olhos só precisam enxergar uma coisa: ele. Os nossos pés só precisam seguir um rastro: o dele. Nossas pisadas só precisam acomodar-se a uma pegada: a dele. Nosso coração só precisa seguir uma batida: a dele. Quando passarmos pelo vale da sombra da morte, não devemos perguntar o porquê. Não teremos resposta. Apenas devemos confiar, pois só temos ele e foi o próprio que nos levou para lá. E se ele nos levou para lá, devemos confiar e passar em segurança, porque ele estará conosco; a sua vara e o seu cajado nos consolarão. Esta é uma promessa!
 
Rev. Vagner Rodrigues Morais, faz parte da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana Independente de Dourados. E-mail: [email protected]
 
 
 

Fonte: Folha de Dourados

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