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Juiz não defende base americana no Brasil

Odilon de Oliveira – 14/09/2009

Ilustríssimo Senhor
JOSÉ  HENRIQUE MARQUES
Folha de Dourados
CAMPO GRANDE (MS)   
                       Senhor Jornalista,  
                       Dirijo-me a esse conceituado jornal para dizer que houve um equívoco de interpretação de minha entrevista sobre a necessidade de intensa cooperação internacional, sobretudo dos Estados Unidos, como condição indispensável para se combater o narcotráfico na América do Sul. O equívoco está apenas na parte em que eu teria defendido a instalação de base militar americana no Brasil. Nunca defendi isto e não vejo necessidade dessa medida.
                       O que sempre defendo na América do Sul, em relação ao narcotráfico e ao narcoterrorismo colombiano, no que toca aos Estados Unidos, pode ser resumido nos seguintes tópicos:

BRASIL – deve aceitar ajuda financeira, quanto maior melhor, e cooperação técnica da DEA (Drug Enforcement Administration) americana. Nosso país não produz drogas, salvo 20% da maconha que consome, esta colhida em partes dos Estados de Pernambuco, Bahia, Piauí e Maranhão. O restante (80%) de seu consumo vem do Paraguai, segundo maior produtor mundial da espécie. Só perdendo para o Marrocos.
                                                           Todavia, o Brasil é vizinho da Colômbia (maior produtor mundial de cocaína e que já vem produzindo heroína), do Peru (segundo maior produtor mundial de cocaína), da Bolívia (terceiro maior produtor mundial de cocaína) e do Paraguai, que, além da maconha que produz, em torno de 15 mil toneladas anuais, é estratégico na geopolítica do tráfico internacional de cocaína que sai da Colômbia e da Bolívia. Passou a servir de rota aérea depois da lei do abate de aviões, editada pelo Brasil.
                                                          A maior parte da cocaína consumida no Brasil vem da Colômbia. O restante vem do Peru e da Bolívia.
                                                    Cercado por países produtores, o Brasil fica numa situação difícil para combater o narcotráfico. Tudo isto é agravado por suas longas fronteiras. São 16 mil quilômetros por terra, desde o Uruguai até a última Guiana, além dos 8.200 km de fronteira marítima, isto sem falar no espaço aéreo.
                                                             Desses grandes produtores de drogas da América do Sul, o que mais risco oferece ao Brasil é exatamente a Colômbia, sob o aspecto das drogas e do terrorismo. As drogas que procedem da Colômbia matam mais gente no Brasil do que a quantidade de vítimas da guerrilha naquele país. Por outro lado, o risco de contaminação ideológica marxista-leninista é grande. Já são rotineiras, também, as estreitas relações entre as Farc e facções criminosas e grandes traficantes brasileiros.
                                                               A situação da Colômbia, que não nasceu há pouco tempo, mas desde a guerra civil generalizada, esta chamada “la violencia”. Lá, tudo começou com o flagelo social que se estabeleceu no país pelo menos desde o começo do século passado. Havia muitas rivalidades políticas e desmandos administrativos. A economia do país estava nas mãos unicamente da elite dominante, o que tornava caóticas as políticas rurais e sociais. As terras foram desvalorizadas. Decorrentemente, havia escassez de produtos agrícolas. A consequência mais natural era o desemprego. Por tabela, vieram a insegurança, a pobreza, deficiência na educação, na saúde,   crescimento da prostituição e uso de drogas. A economia informal cresceu assustadoramente, chegando a superar a economia oficial. As receitas públicas caíram. A sociedade ficou sem esperança.
                                                        Surgiram conflitos armados. Com esse nascedouro, a doutrina sustentada não poderia ser outra a não ser aquela inspirada no marxismo-leninismo, em que se defende a extinção da propriedade privada e um governo proletariado.
                                                        Apareceram os chamadas comandos de resistência armada, dentre eles o Movimento Agrário de Marquetália, o Movimento de Autodefesa Comunista e o Movimento Agrário Comunista. Depois, esses comandos foram unificados. Surgiram, daí, as Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, inicialmente comandadas por Manoel Marulanda, que permaneceu no cargo até março de 2008, quando faleceu.
                                                    Cada lugar onde atuava um daqueles focos de resistência armada veio a ser ocupado por uma frente das Farc.
                                                       Para o Brasil, o que este juiz defende é mera ajuda técnico-financeira da DEA (Drug Enforcement Administration) americana para o combate ao narcotráfico internacional

COL

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