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MS: mesmo após denúncias de fome e agressões, Emanuelly seguiu exposta a riscos

Redação –

Antes de ser sequestrada, estuprada e assassinada, a pequena Emanuelly Victória Souza Moura, de apenas 6 anos, já havia passado por três atendimentos no Conselho Tutelar Sul de Campo Grande só em 2025. Documentos obtidos pela reportagem revelam que, mesmo diante de sinais claros de maus-tratos, negligência e fome, a criança não foi retirada do ambiente de risco.

Agora, o caso levanta questionamentos sobre a atuação dos órgãos de proteção à infância e mobiliza uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para apurar possível omissão por parte do Conselho Tutelar.

Histórico de denúncias ignoradas

O primeiro registro ocorreu em 17 de janeiro de 2025, quando Emanuelly foi encaminhada ao Conselho após uma avaliação de rotina no posto de saúde do bairro Leblon. A equipe de enfermagem relatou dificuldade de fala, além de indícios de negligência nos cuidados básicos. O Serviço Social recomendou atenção à família, mas nenhuma medida protetiva imediata foi tomada.

No dia 19 de março, a situação se agravou. Um novo relatório indicava que a criança era vítima de agressões físicas e psicológicas, morava em ambiente com violência doméstica, e apresentava deficiência cognitiva comprovada por laudo médico. Ainda segundo o documento, Emanuelly teria ido duas vezes ao hospital em menos de um mês, com sinais de desnutrição e fragilidade física.

A última denúncia registrada foi feita ao Disque 100, em 13 de maio de 2025, e apontava que a menina vivia em condições precárias, com hematomas pelo corpo, sempre “suja”, e ainda havia suspeitas de uso de drogas pela mãe e envolvimento com entorpecentes por parte do padrasto.

Mesmo diante de três denúncias contundentes, nenhuma ação efetiva de proteção foi tomada para garantir a segurança de Emanuelly.

Ministério Público investiga Conselho Tutelar

O MPMS confirmou a abertura de um procedimento investigativo para apurar se houve falha no cumprimento do dever legal por parte do Conselho Tutelar Sul. Em nota, o órgão informou:

“Caso seja constatada omissão, será analisado se essa conduta teve relação com o desfecho trágico da vida da criança.”

O crime

Emanuelly foi vista pela última vez caminhando com o suspeito pela Rua São Gabriel, no bairro Taquarussu, em Campo Grande. A cena foi registrada por câmeras de segurança. Ao ver a filha com o homem, a mãe chegou a comentar, em desespero: “Olha meu bebê, é a Manu! Aonde ele vai levar ela?”

Após a denúncia, a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Choque, localizou o corpo da criança dentro de uma banheira, enrolado em uma coberta, escondido embaixo da cama do suspeito, em uma residência na Vila Carvalho.

O autor do crime foi morto horas depois em confronto com os policiais.

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