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60% das causas de cegueira infantil podem ser evitadas

Prevenção – 30/09/2009

O último levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que 43% das crianças cegas no mundo perderam a visão por causas evitáveis ou tratáveis. Os conhecimentos médicos já permitem a prevenção ou o tratamento efetivo de pelo menos 60% das doenças que cegam crianças. De acordo com o oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Mario Jampaulo, muitos pais deixam para buscar suporte oftalmológico em estágios avançados de doenças. Os menores sinais podem revelar muito sobre a saúde ocular da criança, e o diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento efetivo. As causas evitáveis são aquelas que podem ser totalmente preveníveis ou tratáveis para preservar a visão dos pequenos. Em todas as etapas da infância, a criança está sujeita ao aparecimento de problemas oftalmológicos e é fundamental a atenção dos pais aos menores sinais de irregularidades. Para o oftalmologista, a preocupação com a visão deve começar ainda na sala do parto. Desde o nascimento, a criança deve passar por exames para identificar algum problema ocular. “Após o parto, todo pediatra deve realizar o teste do olhinho, é lei. O teste denuncia desde catarata congênita, tumores até possíveis alterações embrionárias”, explica. Até dois anos, outros sinais, perceptíveis aos pais no dia-a-dia, podem indicar que a saúde ocular do bebê não está bem. Por exemplo, um lacrimejamento excessivo pode sinalizar desde uma obstrução do canal lacrimal até um glaucoma congênito. Na fase de dois a cinco anos, costuma surgir o estrabismo acomodativo, que consiste na diferença de alinhamento entre os olhos e pode afetar a qualidade da visão. “Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, maior o sucesso do tratamento uma vez que o dano causado a visão só é reparado até os oito anos de idade. A partir dessa idade, o sistema neurológico-visual já está desenvolvido e não permite mais correções dessa natureza”, esclarece. O especialista afirma que o tratamento contra estrabismo é simples e eficaz, inicialmente consiste em tampar o olho sadio para estimular a visão do estrábico. “Além do tampão, dependendo do caso, os oftalmologistas podem recorrer ao uso de óculos e até cirurgia para corrigir os desvios oculares”, completa. Em idade escolar, o desinteresse pela aula e a dificuldade de aprendizagem devem servir de alerta aos pais e professores. “É muito importante que as instituições de ensino façam avaliações de rotina para identificar possíveis problemas refrativos”, observa o especialista. Além disso, os pais devem levar as crianças para uma consulta oftalmológica antes do início das aulas. “Problemas como miopia (dificuldade para enxergar de longe), hipermetropia (dificuldade para enxergar de perto) e astigmatismo (imagem se forma em mais de um ponto na retina) podem afetar o desempenho escolar das crianças”, alerta Jampaulo. Durante a pré-adolescência e a puberdade, as pessoas estão mais sujeitas ao aparecimento do ceratocone, uma irregularidade não-inflamatória, às vezes estimulada pelo hábito de coçar os olhos em excesso levando a córnea a sofrer mudanças em sua estrutura, obtendo o formato de cone. Muitas vezes os sintomas não são percebidos. “O adolescente não sente dor ou sequer lacrimeja, mas apresenta uma forte sensibilidade à luz e uma baixa qualidade de visão, mesmo utilizando óculos”, esclarece. O ceratocone não tem cura nem a córnea volta a seu estado original, mas os tratamentos disponíveis conseguem corrigir os altos graus de astigmatismo, estabilizar o problema e reduzir a deformidade da córnea. “Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento”, salienta o médico. Astigmatismo, hipermetropia e miopia também ocorrem com frequência nesta faixa etária. O Estado do Maranhão

Fonte: Folha de Dourados

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