Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Dourados 32 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

‘A Primavera e o Partido Democrático Trabalhista’

Opinião – 02/10/2009

A PRIMAVERA E O PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA 
              A Primavera é a Estação das flores e é considerada a mais linda das estações, os jardins ficam floridos, inspira a esperança, o otimismo, enfim tudo que demonstre um sentimento de ternura e amor. O Partido Democrático Trabalhista adota como símbolo a rosa vermelha empunhada na mão esquerda, isto está previsto no parágrafo 2o do Artigo primeiro do seu Estatuto. Imagino que além de seguir a tradição da Internacional Socialista, a rosa talvez foi inspirada na Revolução dos Cravos em 25 de abril de 1974 em Portugal. O partido foi fundado por políticos e intelectuais brasileiros, logo após o início do processo de abertura política da ditadura militar e como decidiu no ato de sua fundação, o PDT continua adotando as cores vermelho, brando e azul e a bandeira com duas faixas vermelhas, uma branca no centro.
              A fundação do PDT é considerada a Carta de Lisboa de 17 de junho de 1979, isto quer dizer que o partido já tem mais de 30 anos. Em Dourados no dia 20 de junho por ocasião da última posse da Comissão Provisória, que se iniciou no período do mandato de João Leite Smidt e terminou no mandato do deputado Ari Rigo. Naquela data, ninguém falou sobre a história do partido e continuam não falando. Será que conhecem a história? Um dos fatos mais marcantes da perda da legenda PTB para o grupo do General Golbery, foi a cena em que Leonel Brizola chorou copiosamente e rasgou um papel com a sigla PTB dizendo: “Consumou-se o esbulho”. No dia seguinte, a foto desta cena é publicada no Jornal do Brasil ao lado do seguinte poema de Carlos Drumond de Andrade:
              “Eu vi
              Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro. Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
              Vi homicídios que não se praticaram mas foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem conseqüência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
              Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva; E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
                           A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário… Se ela é jogo, como pode ser pura?… Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraude? Vi os discursos…”
                   Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de maio de 1980, Caderno B. P. 1
             Nessa  primavera, infelizmente o partido democrático trabalhista está sendo disputado por grupos que não tem a cara do trabalhismo, os neófitos trabalhistas entraram em 1994, oriundos do PMDB, estes filhos do PDS, PTB e assim por diante. Agora de um lado disputam o partido, pois cada um quer estar com ele para agradar o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos e outros para continuarem ao lado do governador Andrea Puchinelli. Aonde está o trabalhismo, suas idéias que deviam ser debatidas? O que vemos agora é novamente um esbulho como dissera o fundador do partido, Engenheiro Leonel de Moura Brizola. Pergunto: o que os dois grupos até hoje apresentaram para se considerarem os representantes do trabalhismo no Estado? 
             No início da déca de 1980, aqui esteve Brizola para fundar o partido e imagino que não é este o crepúsculo que ele gostaria de ter, após sua morte em 21 de Junho de 2004.
            José  Tibiriçá Martins Ferreira, advogado, ex-presidente do partido em 1999, destituído pelo mesmo grupo que se degladia pela legenda..

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial