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“A greve dos bancários”, por Waldir Guerra

"A greve dos bancários", por Waldir Guerra

Opinião – 05/10/2009

                                                                                       Waldir Guerra  O mundo faz justiça ao premiar o Brasil como sede dos jogos olímpicos de 2016, mas o Brasil não faz justiça ao permitir que alguns poucos banqueiros abocanhem bilhões, todo mês, e se neguem a partilhar um pouco desse lucro com quem tanto os ajuda. Duas da tarde, sexta-feira passada; eufórico com a indicação da cidade do Rio de Janeiro para sede da Olimpíada de 2016, e carregando minha alegria, tentei entrar no banco, mas fui barrado na porta por alguns bancários – funcionários em greve, naturalmente. Deles fiquei sabendo que os bancos brasileiros lucraram nestes primeiros seis meses de 2009 mais de 14 bilhões de reais.  É um lucro monstruoso principalmente se considerarmos que o mundo todo continua se esforçando para sair de uma tremenda crise financeira onde centenas de bancos estão amargando prejuízos enormes, enquanto no Brasil, os banqueiros estão à vontade para explorar os brasileiros.  Em 1995 eram 820.000 bancários empregados nos bancos brasileiros; hoje são apenas 400.000 e só nesses últimos seis meses – neste mesmo período em que os bancos lucraram 14 bilhões – já foram demitidos 2.544 bancários. Atualmente o que os bancos arrecadam somente com encargos e tarifas bancárias, supera o valor da folha de pagamento dos funcionários e, no mundo globalizado em que vivemos, nossa dependência dos bancos torna-se obrigatória. Não temos como escapar das garras dos banqueiros.    Os grevistas têm razão em querer renegociar a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) que na atual negociação a Fenaban (federação dos bancos) oferece apenas 4% do lucro líquido para ser distribuído entre os funcionários quando, na regra em vigor, os bancos têm de distribuir entre 5% e 15% do lucro líquido. O mundo, como dizia, fez justiça ao Brasil ao permitir que o Rio seja a sede da Olimpíada de 2016, mas o Brasil não faz justiça aos bancários quando não permite que compartilhem de uma parte maior no lucro que os bancos brasileiros vêm tendo – até porque, ele é demasiado para tão poucos banqueiros.  Essa greve, na verdade, deveria ser feita às portas do Banco Central também, e não somente nas agências bancárias, porque é de lá que sai o Certificado para que um banco possa operar. Sem o Certificado do Banco Central, a Lei é clara: qualquer empresa que faça operações financeiras cobrando juros altos, sem o Certificado do Banco Central, está praticando agiotagem; crime que dá cadeia.  Já que o Banco Central não se importa com os lucros excessivos dos bancos e os deixa a vontade nessa exploração cartorial e oficializada poderia, pelo menos, determinar que 10% (dez por cento) do lucro líquido dos bancos sejam distribuídos àqueles que o realizou: os funcionários, ou melhor, aos bancários.  Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, banqueiro competente – mas de coração duro como todo banqueiro – e que se emocionou juntamente com Pelé e Lula lá na Dinamarca, sexta-feira, quando do anúncio em que o Brasil (Rio de Janeiro) foi indicado para sediar as Olimpíadas de 2016, poderia aproveitar o bom momento dessa euforia para determinar aos banqueiros que paguem aos bancários não 4%, como querem, mas 10% dos lucros que obtêm às nossas custas. E que paguem já! Porque devagar os próprios clientes estão se convencendo de que esta greve dos bancários pode até ser considerada, por muitos, dispensável quanto ao aumento dos salários dos bancários, mas é totalmente justa na exigência no aumento da PLR, Participação nos Lucros e Resultados pelos bancários.   Membro da ADL, Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado Federal.

Fonte: Folha de Dourados

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