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Uma história de amor pela educação e pelos jovens

Os macacos, os Maristas e o Irmão Jaime – 05/10/2009

Nicanor Coelho, de Dourados

        Os macacos, dezenas deles, aparecem sobressaltados e repentinamente dos galhos das frondosas árvores ao menor barulho de pessoas. Em busca de alimentos, os macaquinhos Prego chegam à cerca que protege a chácara dos Irmãos Maristas, para pegar nas mãos das crianças nacos de pão. Assim acontece todos os dias.
        Nesta chácara repousam os sonhos de Irmão Amábile Gentile Biazus, que a partir de 1945 quando opta pela vida religiosa recebe o nome de Irmão Jaime Biazus. É neste lugar onde está preservada e intacta um resquício de Mata Atlântica que serve de refúgio para dezenas de espécies vegetais e para a família de macacos que deve vinte, trinta ou mais integrantes.
        Também é nesta chácara que foi construído o CESOMAR (Centro Educacional e Social Marista) que atende centenas de crianças e adolescentes e situação de risco social das cercanias do bairro João Paulo II, onde esta localizado. Para estes jovens são oferecidos cursos, atividades lúdicas e de lazer e esportivas, além de orientação psicológica, religiosa e para uma vida inteira.
        Enquanto macacos pulam de galho em galho a memória histórica rememora décadas passadas quando o Irmão Jaime construiu um legado para muitas gerações de jovens. Biazus, quando os Maristas ainda realizavam suas atividades numa casa velha no cruzamento da Avenida Marcelino Pires com a Rua Floriano Peixoto, atuava de forma amorosa e insistente na prevenção do uso indevido de drogas e levava para as escolas da rede pública as boas novas daquele que nasceu do ventre de Maria, a inspiradora de Marcelino Champagnat, precursor do ideal Marista.
        Jaime Biazus, um intelectual de primeira grandeza, num dos seus escritos disse que diante da situação de desrespeito à vida humana, perante a desestruturação familiar urge recriar um profundo espírito humanitário. Entre as centenas e milhares de pessoas que Jaime conseguiu tirar do mundo das drogas ele conta o exemplo de um jovem de uns vinte anos que fez acompanhamento durante um ano e meio.  
A moça era traficante e usuária de drogas e, segundo Jaime, um “belo dia chegou até a comunidade marista e ao se encontrar comigo disse: – Hoje estive em… e lá me ofereceram gratuitamente toda droga que eu quisesse. Minhas mãos crisparam, meus olhos crisparam. Lembrei-me de suas palavras e disse NÃO. Fui à rodoviária comprei a passagem e estou aqui para lhe dizer: graças a seu carinho e sua dedicação para comigo, eu aprendi a me amar, aceitei o carinho dos outros, descobri Deus. Sou gente graças a você”.
Deus. Foi isso que Irmão Jaime conseguiu colocar no coração desta jovem. O mesmo Deus que criou as matas e os macacos pregos que embelezam as tardes das crianças do Jardim João Paulo II e que dá força para que os maristas e os funcionários do Cesomar possam continuar realizando este imprescindível trabalho pelas nossas crianças, pelos novos jovens que não encontram em suas famílias o alicerce para construírem uma vida cheia de esperanças e porvir.
Intemerato continua o sonho e o trabalho de Irmão Jaime Biazus. Puros estão os corações dos maristas de Dourados e do restante do Brasil e continentes afora. Indene está o ideal de Marcelino Champagnat para que os seus seguidores não claudiquem e continuem plantando alegria e esperança nos corações de muitos jovens, assim como fez Jaime Biazus e tantos outros abnegados maristas.
Os macacos. Eles continuam vivendo na mata à espreita das maldades humanas, incólumes diante da dureza da sociedade capitalista. Eles seguem procriando e enquanto isso esperam que o Centro Social Marista seja reaberto para a visitação. Para que os gostosos piqueniques de final de semana possam novamente acontecer debaixo das árvores de raízes velhas e retorcidas e para que mais e mais crianças e adolescentes possam viver a experiência de conviver com a doçura dos irmãos maristas. Os macacos assistem diariamente ao show que a natureza oferece da aurora ao cair da tarde sob o imponente sol austral. Estes pequenos seres irrequietos também assistiram à construção de um grande edifício que hoje abriga as atividades Maristas. Finalmente os macacos, sempre os macacos, conferem o sucesso dos ensinamentos Maristas em resultados práticos nas vidas de muitas pessoas. Aquelas mesmas que na infância remota tiveram vivenciaram uma convivência Marista e hoje são exemplos de superação e hoje são cidadãos de primeira qualidade e pessoas muito melhores.

Fonte: Midiamax

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