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Ator quer encenar a história da Retomada de Corumbá

Cultura – 15/10/2009

Ator quer encenar a história da Retomada de Corumbá   Especialista em interpretar personalidades da História, o ator Jonh Vaz que até amanhã, 16 de outubro, encena no anfiteatro Salomão Baruki, às 15h, a peça “Dom Pedro I – Espetáculo Maçônico”, retratando a trajetória do primeiro Imperador do Brasil, contou ao Diário como foi o trabalho de montagem do espetáculo; a paixão por personagens históricos; lembrou também o início da carreira, quando recebeu apoio de um reconhecido e renomado ator sul-mato-grossense.
Na entrevista, logo após a apresentação na Loja Maçônica Farol do Norte, em Ladário, ele revelou que pretende voltar a Corumbá com a dramatização da vida de Che Guevara e que tem um projeto para encenar a Retomada de Corumbá pelo Exército Brasileiro, num dos principais episódios da Guerra com o Paraguai. A ideia é montar o espetáculo a partir da prainha do Porto Geral com participação popular no elenco. “É um projeto para parar os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso”, disse.
Dom Pedro
“O espetáculo demorou um ano. Imagine a dificuldade que é contar uma história de 1808 a 1834 em 40 a 45 minutos. (…) Mandei fazer a bota que uso no espetáculo, que é uma réplica da bota de Dom Pedro, em março de 2007. Estreei em março de 2008, então a pesquisa, a produção demoraram cerca de um ano. A pesquisa foi feita lá, no Grande Oriente, no Rio de Janeiro, no Palácio Maçônico do Lavradio. Em Portugal, onde morei um tempo, trabalhei nessa Loja Madrugada Nº 1 Grande Oriente Lusitano. Lá também é um museu maçônico e tem as atas, depoimentos dos intelectuais da cultura maçônica portuguesa e detalhes da vida de Dom Pedro em Portugal. Feitas as consultas nessas fontes primárias e secundárias, juntamente com a História do Brasil e o conhecimento de alguns maçons, fizemos esse primeiro espetáculo maçônico do Brasil. Nunca na história do Brasil e da Maçonaria teve uma peça de teatro dentro dos templos maçônicos.”
Plateia jovem
“É extremamente importante as crianças terem contato com o espetáculo porque fazemos o debate depois da peça, liberamos o texto para os alunos e o tema cai no Enem, redação, matéria de prova. Eu mandei o texto da peça por e-mail e as crianças leram, conversaram comigo e passaram a ter uma percepção melhor do espetáculo. Através do e-mail tiraram algumas dúvidas. Então, pelo teatro é possível fazer com que uma pessoa entenda o Primeiro Reinado numa visão histórica. Eu quero que esteja presente, junto conosco, a filha da empregada doméstica; do açougueiro; do gari, todos com seus pais porque são essas pessoas que mais precisam ter acesso aos bens de consumo cultural e estão fora porque não têm como participar. Geralmente o que se oferece a elas é lixo cultural.”
Trajetória
“Eu comecei minha vida no teatro através das mãos de um sul-mato-grossense, o Rubens Corrêa. O maior ator deste país é daqui, o mais premiado ator dos prêmios Moliére; Shell e Mambembe. O maior ator de teatro do país – quem me falou isso foi Paulo Autran com quem trabalhei dez anos – ‘O Rubens Corrêa é hours concours’. Quando o Rubens morreu o prefeito de Aquidauana me convidou para inaugurar o Museu de Arte Pantaneira Rubens Corrêa então eu fui e interpretei Antony Artaud, que foi interpretada por Rubens durante 10 anos. (…) O Rubens tinha um trabalho muito lindo junto com a doutora Nise da Silveira que é a pessoa mais importante da psiquiatria do Brasil. Foi ela quem fez a atual reforma psiquiátrica no Brasil, acabando com os manicômios, fazendo a introdução dos hospitais-dia. (…) Ele fazia espetáculos de teatro, leituras dramatizadas dentro dos hospitais psiquiátricos e eu passei a fazer esse trabalho com a morte dele. Fiz durante seis anos com a doutora Nise, interpretei Nietzsche, Baudelaire, Van Gogh, Camille Claudel. Antes de estrear no teatro, eu estreava dentro dos hospitais psiquiátricos. Chegou um momento da minha vida quando fiz meu último personagem, que foi Louis Althusser, com a mulher do Stênio Gracia, a Márcia Andrade, e o Stênio dirigiu minha peça. Ali, ele me falou que era importante eu dissociar meu trabalho do Rubens e achar meu próprio caminho.”
Personagens históricos
“Estive em Cuba, na Universidade de Santa Clara e me informei sobre a importância do Che [Guevara] e daquela comunidade. Foi quando comecei a estudar e fiz um espetáculo que reconstitui a morte dele na Bolívia, que é meu grande sucesso. Estou fazendo agora uma temporada fora do Brasil, fiz na Bolívia exatamente onde ele morreu, dentro da sala de aula que ele morreu. Sentei na cadeira que ele levou os tiros e fiz a reconstituição do espetáculo da morte dele com o patrocínio da Universidade de Mato Grosso (Unemat). A gente vai montar aqui um dia em Corumbá e Ladário, com atores daqui. Feito isso comecei a dar um novo rumo a minha carreira. No ano seguinte, 2002, faziam 100 anos de Juscelino Kubitschek, então interpretei o JK. (…) Em 2003, faziam 15 anos da morte de Chico Mendes e o interpretei, fazendo a última reunião no dia da morte dele. Então quem não sabia nada sobre a história da Amazônia encontrava ali uma aula. Um espetáculo emocionante com toda trilha de Geraldo Vandré. Depois de Chico, em 2004, vieram os 40 anos do golpe militar de 64 e eu interpretei Jango, no Palácio do Catete, hoje Museu da República, que foi a sede do governo brasileiro até Juscelino Kubitschek. Getúlio se matou ali no terceiro andar.”
Retomada de Corumbá
“É um projeto de 400 mil reais, não é barato. Mas, é um projeto para parar os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Nada vai ser comparado a isso, é um projeto que envolve 300 pessoas como figurantes, é a própria sociedade que vai participar. (…) Antes dessa ação espetacular, nós vamos discutir os dois lados da Guerra em lojas maçônicas e o espectador vai entender o porquê da Guerra com o Paraguai, vamos saber os bastidores dessa guerra. O espetáculo vai ser a invasão paraguaia tomando a praia brasileira e a Retomada [de Corumbá]. É um espetáculo para parar o estado. A justificativa desse projeto é extremamente importante. Nunca antes na história de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, houve um momento, desse tamanho, em que se falou sobre a história da Guerra com o Paraguai. Com a sociedade participando. A cidade será mobilizada em torno desse evento. A ideia é fazer naquela prainha [do Porto Geral]. Até janeiro a Caixa Econômica Federal está aberta para financiamentos culturais. Se houver apoio do prefeito (Ruiter Cunha) com o deputado da região junto a Caixa, vai sair.”

Fonte: Midia Max

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