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Debate sobre violência nas aldeias reúne centenas na Araporã

Dourados – 04/11/2009

 
Dezenas de indígenas estão reunidos neste momento na Escola Araporã, localizada na Aldeia Bororó, Reserva de Dourados, para discutir o combate à violência na comunidade indígena. O evento conta com a participação de autoridades representativas do Ministério Público Federal e lideranças caiuás, guaranis e terenas. A criminalidade é um dos principais fatores da evasão escolar nas escolas. A declaração é de educadores que participaram de protesto na manhã de sexta-feira, no centro de Dourados. De acordo com os educadores, os adolescentes são as principais vítimas das drogas e alcoolismo nas aldeias.
Com isto, muitos acabam desistindo da escola e ingressando em organizações criminosas. O grupo pede segurança nas aldeias, para que haja desarticulação de grupos que estão colocando em risco a convivência no local.  Em passeata, o grupo formado por mais de 100 pessoas percorreu a Avenida Marcelino Pires, levando faixas e cobrando das autoridades a volta do policiamento ostensivo nas aldeias, extinto há três anos, após a morte de policiais civis. A operação Sucuri também deixou de fazer a segurança na Reserva em janeiro deste ano, o que contribuiu para aumentar o índice de violência. O diretor da Escola Tengatui Marangatu, Josias Marques, da etnia guarani, disse que toda a grade curricular da escola já foi afetada devido aos altos índices de violência. “Inserimos debates e palestras nas escolas, orientando sobre os riscos das drogas e alcoolísmo. Trabalhamos com o público adolescente, que é a categoria mais vitimizada pelo tráfico. Isso gera violência e temor nas aldeias”, explica. Em reunião com a administradora regional da Fundação Nacional do Índio, Margarida Nicoletti, semana passada, os manifestantes reclamaram da falta da segurança e cobraram o retorno das forças policiais nas aldeias. Eles pediram para que ela assinasse um documento, se comprometendo a intensificar os trabalhos no intuito de levar as forças policiais de volta para dentro da Reserva. O grupo pretende denunciar a situação de Dourados em Brasília caso a Funai não apresente soluções concretas para o problema nos próximos dias.Margarida disse ao site Douradosagora e ao Jornal O Progreso, que não é competência da Funai determinar a volta ou não do policiamento ostensivo, mas sim de todos as esferas públicas. Ela contou que já vem solicitando todos os pedidos dos indígenas com relação a segurança, através de articulações e projetos que já estão funcionando na aldeia, como o Conselho de Segurança. Margarida afirma que apoia a causa e que fará novos contatos a fim de tentar solucionar o problema. Ela disse ainda que já encaminhou documentação para todas as forças policiais em Dourados autorizando a entrada de agentes nas aldeias. Em recente entrevista ao Douradosagora, o professor Elias Moreira, diz que denuncia que desde o início deste ano está sem o funcionamento da Operação Sucurí, responsável pela segurança local. Com isso, segundo o professor, assassinatos em estradas vicinais no período noturno, estão cada vez mais afastando alunos das unidades educacionais.Elias conta que toda a comunidade indígena sofre com atos criminosos provocados por um grupo isolado da Reserva. “Não só os não indios são vítimas de ataques dos índios, mas a própria comunidade. Estamos lutando contra tudo que é ilícito ao redor das aldeias e que prejudica a todos”, conta.Os manifestantes vão solicitar que a Funai e Ministério Público Federal (MPF), autorizem e liberem imediatamente a entrada de policiamento ostensivo nas aldeias.
 

Fonte: Douradosagora

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