História dos índios deve ser ensinada na escola pública
Direitos Humanos – 12/11/2009
O Senado recebeu ontem uma série de sugestões para garantir o cumprimento da lei que tornou obrigatória a inclusão de conteúdos relativos à história e à cultura indígenas no currículo oficial da rede de ensino. Na opinião de quatro debatedores que participaram de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), os parlamentares devem incentivar a formação dos professores e a produção de material didático sobre a história e a cultura indígenas e criar espaços para que as lideranças indígenas participem efetivamente do processo de discussão do ensino dessas matérias e dos demais temas de seu interesse.
As ideias foram apresentadas a partir de questionamento feito pelo presidente da comissão, Cristovam Buarque (PDT-DF).
Álvaro Tukano, idealizador do projeto Séculos Indígenas no Brasil, contou, por exemplo, que, no colégio de padres salesianos em que estudou, os índios perdiam a merenda se falassem suas línguas. E a técnica de educação da Fundação Nacional do Índio (Funai) Marileia Taiua, do povo Kurâ-Bakairi, relatou que o primeiro animal que seu pai aprendeu a desenhar na escola foi um elefante e que as línguas e os rituais indígenas eram proibidos.
André Ramos, da Funai, afirmou que a educação contribuirá para pôr fim à visão dualista que há na sociedade a respeito dos povos indígenas, com os estereótipos do “mau selvagem” e do “bom selvagem”. Há também a crença de que há muita terra para pouco índio.
Frank Coe, coordenador-geral do Séculos Indígenas no Brasil, apresentou o projeto – um trabalho de documentação da situação dos povos indígenas no Brasil.
Fonte: Jornal do Senado



