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Clóvis ‘abre o jogo’ e diz que Artuzi é desorganizado

'Você tem que dar informação com qualidade e não com quantidade', disse o ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Dourados

Geral – 13/11/2009

O jornalista Clóvis de Oliveira, ex-secretário de Comunicação de Ari Artuzi esteve ontem à noite no programa “RIT Cidade” com o jornalista César Cordeiro para falar porque se demitiu do cargo. O Dourados News separou os pontos mais importantes da entrevista e o leitor confere a partir de agora:
 
Falta de planejamento Nesse trecho, Clóvis explicou que o prefeito não tinha planejamento em suas ações, o que acabava prejudicando o trabalho dele e que ainda atrapalha o Município:
“Você começa a fazer um tapa buracos na Floriano Peixoto e o cidadão da Monte Alegre encontra o prefeito e reclama. Imediatamente ele pegava o telefone e ligava para a equipe que estava na Floriano Peixoto. ‘Olha tem que arrumar aqui na Monte Alegre’, [dizia Artuzi].
Isso aí não é administrar, isso aí é falta de planejamento. E eu cobrava toda semana isso. Gente, não é da minha área. Minha área é comunicação, mas como é que eu vou informar à população que nós vamos deslocar a equipe para a Monte Alegre?
‘Não, tem que fazer a Floriano Peixoto e a Monte Alegre [dizia Artuzi]’. Nós tínhamos duas equipes? Não, não tínhamos. Então, tinha que ter planejamento. Esse planejamento ele não tem, nem nas obras, como não tem na educação e não tem na saúde.
A educação anda porque tem uma estrutura pronta, um orçamento próprio, contingenciado do Ministério da Educação. O MEC direciona. É verba carimbada. A saúde tem que cumprir metas. A saúde com dinheiro local não anda. Com dinheiro estadual não anda! Só anda com dinheiro federal, do SUS. A saúde pública é isso.
Falta de tempo Já neste outro pedaço da entrevista, Clóvis explicou que não havia um meio de arrumar erros do passado em pouco tempo. “A demanda reprimida está aí, porque houve má administração no passado e que você não conserta em um ano, como você não conserta a comunicação em dois meses. Você tem que ter um planejamento, você tem que ter um rumo, uma meta, um traçado e esse traçado não existiu. E aí começou o desgaste, porque o prefeito cobra e você tem que trabalhar atendendo as necessidades da população e do prefeito.”
Descordenação Em seguida Clóvis explicou que a Assecom foi criada como Secretaria na época de Braz Melo, depois com Tetila virou Agência de Comunicação e com Artuzi se transformou em Assessoria. Antes de sair, Oliveira havia entregue à secretaria de governo um plano para organizar a assessoria mais uma vez como secretaria, com funções reguladas em uma espécie de Plano de Cargos e Carreiras onde as funções estavam bem definidas e organizadas, de modo a aparelhar o serviço para população e para a administração simultaneamente. Não deu tempo de vê-lo aprovado.
“A idéia era coordenar a divulgação para não ficar essa coisa poluída, soltando notícia para lá e para cá. (..) Não é avalanche de informação que você tem que dar. Você tem que dar informação com qualidade e não com quantidade. (..) Fica difícil de coordenar, porque a comunicação é estratégica. A informação tem que ter responsabilidade, porque do mesmo jeito que ela ajuda, ela atrapalha e às vezes, atrapalha mais do que ajuda”, disse Clóvis.
Triste César Cordeiro, amigo de Clóvis de longa data, desabafou. “Pelo seu equilíbrio, pelo seu profissionalismo, pelo seu equilíbrio como pessoa e como jornalista, eu achei que fosse suportar, mas confesso que me enganei”, desabafou o apresentador em tom de brincadeira.
Nem um pouco arrependido “Você não deve se arrepender do que você faz, nunca. Às vezes eu me arrependo de alguma coisa que eu deixei de fazer. (…) Quando ele me chamou, ele me disse que eu teria toda a autonomia para desenvolver a política de comunicação que ele precisava para a administração, que estava em minha mãos. Eu exatamente estava concentrando em todas as ações nesse sentido, para fazer uma política de comunicação para o município de Dourados, para atender a comunicação como um todo e não particular para o prefeito de Dourados”, explicou Clóvis de Oliveira.
A população espera mais Clóvis disse ainda que o prefeito com suas ações pode não estar correspondendo às expectativas que seus eleitores colocaram sobre os ombros deles:
“Dourados tem no prefeito Ari Artuzi a maior figura de responsabilidade que se criou por conta da expectativa da campanha eleitoral. A população vê nele, aquela pessoa que vai responder os seus anseios. Ela preferiu o prefeito Ari Artuzi e por conseqüência, a equipe que estiver em volta dele. E essa equipe tem que responder esta expectativa. Eu estava trabalhando exatamente para fazer essa máquina funcionar de forma que respondesse essa expectativa. Infelizmente se esta não é a visão que o prefeito quer do mandato dele, então ele tem que ter alguém que acompanhe esse ritmo dele, essa correria dele e que infelizmente eu não sei se é esta correria é a melhor forma de chegar ao objetivo lá na frente”, afirmou o jornalista.
É diferente César lembrou que Ari exerceu os cargos de vereador e deputado e que talvez por isso estivesse ainda se adaptando ao outro cargo do Executivo, que tem funções bem diferentes. Clóvis concordou: “Você tem que ter toda uma normatização. Você simplesmente não pede, porque o legislador pede. Ele pede e o Executivo faz. Agora o Executivo não pode ir fazendo as coisas sem que tenha um planejamento para isso. Tem que ter uma norma, um planejamento, uma lei, o recurso orçamentário, a rubrica, tem que ser aprovado na Câmara. Ele tem que seguir as determinações da lei. Você tem que saber se você tem dinheiro para gastar. Uma das críticas que o prefeito fez em relação a mim, é que eu estava gastando demais em comunicação e na verdade uma cidade do tamanho de Dourados, você não gasta menos que 3% do seu orçamento em comunicação [aproximadamente R$ 1,8 milhões]. E hoje não gasta nada, gasta o mínimo”, desabafou Oliveira.
Interinamente responde pela Assecom a jornalista Lia Nogueira, que pode ser efetivada no cargo ou dar lugar a outro secretário, que especula-se no meio jornalístico, possa ser o antecessor de Clóvis, Eleandro Passaia, atualmente repórter da Rede Record em Campo Grande.

Fonte: Dourados News

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