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Sem luvas, médicos dispensam pacientes

A situação é tão preocupante que tem levado pacientes a procurar socorro nas farmácias da cidade.

Dourados – 14/11/2009

Falta de materiais básicos vem emperrando o atendimento nos postos de saúde de  Dourados

Não há previsão de abastecer os postos com remédios e insumos 

 
Pacientes que dependem do atendimento básico da saúde de Dourados têm enfrentado dilema. Grandes bairros da cidade sofrem com a escassez de médicos e as unidades de saúde ficam vazias Mas se a falta desses profissionais tem deixado os postos quase ociosos, a presença deles não significa que a população será atendida. Com a falta de insumos (luvas, gases, curativos) os profissionais estão dispensando os pacientes que são orientados a procurar outros postos. 
A situação é tão preocupante que tem levado pacientes a procurar socorro nas farmácias da cidade. Farmacêuticos estariam orientando e prescrevendo medicamentos nos casos considerados de menor agravo. Constatado problemas mais graves, os profissionais estariam indicando a procurar diretamente os hospitais.
Caso típico que tornou-se rotineiro em Dourados é a devolutiva de pacientes de postos de saúde para o Pronto de Atendimento Médico (PAM). Atendimentos simples, que poderiam ser resolvidos nas unidades de saúde têm se transformado em “bicho de sete cabeças” pela falta de insumos.
O mecânico de motos Allan Jhonny Estevão Xavier foi mais um dos pacientes encaminhado ao PAM. No final da tarde de anteontem ele cortou o dedo durante expediente de trabalho. Ao procurar o posto do Centro Social Urbano (CSU) foi informado que deveria procurar o PAM. “Sangrava muito o meu dedo, embora o corte não era profundo”, disse o mecânico.
O médico fez o encaminhamento do rapaz para o PAM com o seguinte motivo, constatado no receituário: “Solicitamos sutura em dedo da mão de Allan Jhonny. Motivo: paciente com corte em dedo, de fácil manejo, porém, estamos sem luvas no momento, e por isso, solicitamos a gentileza de atendê-lo”. 
Sem alternativas o rapaz procurou o PAM, pouco antes das 19h. “Ao chegar lá fui colocado numa sala onde pediram para que eu lavasse o dedo. Fiquei esperando, esperando… Já eram 20h30 quando uma enfermeira disse que eu logo seria atendido. Disse apenas que eu deveria esperar que uma outra sala fosse limpa, para depois olharem meu dedo”, relatou o paciente, que cansado de esperar decidiu ir embora.
Para justificar sua saída a enfermeira pediu que ele assinasse um documento dizendo que estaria desistindo do atendimento médico. “Assinei o papel mas ela não deixou eu justificar que a desistência seria decorrente da demora do atendimento”, argumentou o paciente.
INSUMOS

A falta de insumos em Dourados tem levado muitos médicos a comprarem materiais com dinheiro do próprio bolso. Cansados de ajudar com esse tipo de custeio, muitos deles estão passando o atendimento do paciente para outras unidades de saúde, como o PAM. Na semana passada, por exemplo, ao realizar exame de sangue no posto do Parque das Nações II, um paciente teve uma luva amarrada ao redor do braço, ao invés da borracha de praxe. 
A aquisição de insumos para a saúde de Dourados depende da conclusão da licitação feita pela Prefeitura. O processo estaria em fase final, entretanto não há data de quando os postos estarão abastecidos com os materiais básicos de atendimento, bem como de medicamentos, que também está em falta na rede pública. 
A Secretaria de Saúde Municipal foi procurada para dar explicações sobre  a escassez de insumos. O secretário de saúde estava ocupado, bem como os responsáveis pela compra e licitação de medicamentos. Os assessores, ficaram de entrar em contato com a reportagem. Isso não aconteceu.

Fonte: Douradosagora

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