Em busca de um teatro popular
De todas as artes que eu pude experimentar a mais interessante de todas foi o teatro. Acredito que pelo fato de agregar em si tantas outras
Cultura – 18/11/2009
De todas as artes que eu pude
experimentar a mais interessante de todas foi o teatro. Acredito que pelo fato de agregar em si tantas outras
atividades artísticas.
Desde séculos antes da nossa era,
até o presente o teatro nunca deixou de existir, mantido pelo impulso do homem
que necessita desse instrumento de prazer e diversão, mas também de
conhecimento e denúncia.
Sua intenção se transforma junto a
sociedade na qual se encontra inserido.
No Brasil hoje é preciso repensar
criticamente a sua ação, para o teatro vir a ser útil na construção de uma
sociedade democrática.
Na minha trajetória como ator em
Dourados uma pessoa muito importante para mim pela sua história pautada pela
dedicação ao teatro é a atriz, diretora e professora de teatro Lourdes Martins.
Acredita no teatro como ferramenta
de mudanças, no cenário local, regional e nacional, mas afirma que para isso é
necessário conscientizar a sociedade da importância dessa arte.
Filha de pais cearenses afirma que a
sua vocação pelo teatro veio através da sua mãe. Conta que sua mãe que era
costureira e atriz, e era ela quem fazia o guarda-roupa e montava as peças,
transformando o seu quintal em um teatro popular onde em alguns eventos até se
cobrava ingressos para assistirem a apresentação.
Desde pequena sentia o teatro
aflorar em torno de si, inclusive nas brincadeiras de criança, quando utilizava
a garagem como palco para as suas apresentações e criava as histórias
interpretando sempre o papel principal.
Quando tinha oito anos e estudava no
colégio das irmãs, fizeram uma chamada para montarem uma peça de teatro e ela
inconformada não admitia ter ficado de fora. Mesmo sem ter sido convidada foi assistir
ao ensaio e ficava imaginando o que
faria se estivesse interpretando os personagens para que tivessem uma atuação
melhor.
Quando percebeu a dificuldade de um
protagonista para interpretar o seu personagem, não perdeu a oportunidade foi
até a professora que dirigia a peça e pediu que ela pudesse demonstrar ao
menino como ela faria aquele personagem se ela estivesse no lugar dele. A
professora concordou e ela fez a interpretação muito bem ganhando o papel, que
era um personagem masculino.
A peça foi um sucesso e ao término
da apresentação quando os atores se despedem do público a professora pediu que
ela saísse por último, pelo seu jeito engraçado de caminhar que inferiu ao
personagem, recebendo muitos aplausos pela sua performance e uma demonstração
do seu perfil para a comédia.
A partir daí toda vez que os
professores queriam montar uma peça ela era a primeira a ser convidada, tomava
a iniciativa em saber a temática da história e adaptava o texto, ficando sempre
com o papel principal.
No antigo ginásio, hoje ensino
fundamental, quando o professor de artes se propunha a montar uma apresentação rapidamente
já se criava expectativas em torno do seu grupo, pois a facilidade na criação
dos personagens já era do conhecimento de todos
e ajudava também na direção das
peças.
Conta que tinha dezenove anos quando
uma prima a convidou para assistirem a uma peça de teatro no CEUD, Centro
Universitário de Dourados e ela aceitou entusiasmada, pois não sabia da
existência de grupos universitários em Dourados. Durante
a apresentação tinha sempre a mesma sensação, de como seria se ela estivesse em
cena.
Quando terminou o espetáculo, foi
correndo descobrir quem era o diretor, e como ela faria para participar do grupo.
Deu de cara com o nosso Professor Doutor Wilson Valentim Biazotto, uma das
figuras pioneiras no teatro universitário em Dourados. Era um dia
de sábado e na terça-feira já era integrante do grupo, preenchendo uma vaga na
peça que já estava em cartaz, ou seja, a mesma a qual assistiu, era a peça “X e
Y, Os Vendedores” de José Edward.
Em seguida montaram a peça “Os Três
Peraltas na Praça”, texto de José Velluzi, onde era intérprete de uma
professora brava que mandava em todo mundo. Fazia o papel tão bem que ao término
das apresentações quando o público e personagem interagiam para comentar o
espetáculo, as crianças não queriam em hipótese alguma se aproximar dela.
A sua passagem pelo Centro
Universitário de Dourados durou aproximadamente nove anos, onde muito aprendeu
da sua convivência em grupo e do compromisso que deve ter com o teatro.
Atriz disciplinada, que prioriza os
ensaios em relação a qualquer evento social. Afirma que o que mais compromete a
profissão é o descompromisso assumido por quem deseja fazer do teatro apenas
mais uma atividade, sem assumir responsabilidades.
Em 1993, com a realização do
primeiro Festival de Monólogos em Dourados, criou o próprio texto e com direção
de Toni Germano, ganhou o segundo lugar com a peça “O Engano”. Começava aí uma
nova fase na sua vida, com muitas viagens e apresentações e muitas premiações.
Cursou e escola Macunaíma em São Paulo, o que lhe deu
uma boa base, possibilitando uma oportunidade de conhecer técnicas e com isso
dando seqüência ao seu objetivo maior, que é o de expandir a arte através do
teatro, dando aulas aos interessados nessa arte, no Teatro Municipal de
Dourados.
Eu pude participar de algumas peças
montadas por essa artista, diretora e professora de teatro onde acompanhei de
perto esse exemplo de dedicação, companheirismo e compromisso com esse fazer
teatral, que requer do ator, consciência, dedicação e um engajamento com essa
maravilhosa arte.
Fala Plínio Marcos!!
“A arte é uma magia, a
gente aprende, mas ninguém ensina!”
Fonte: Folha de Dourados



