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Mamografia agora só a partir de 50 anos

Orientações – 19/11/2009

Orientações do governo ganham força com novo estudo americano que não indica exame precoce

As recomendações do governo brasileiro para o rastreamento do câncer de mama na população – mamografia a partir dos 50 anos, com intervalo de, no máximo, dois anos – ganharam força com a divulgação anteontem do estudo norte-americano que faz as mesmas orientações. 

Especialistas do País, no entanto, continuam defendendo o modelo de rastreamento antigo dos EUA, que vigorava desde 2002: mamografias a partir dos 40 e com intervalos anuais.

O painel de médicos do United States Preventive Task Force, grupo que assessora o governo dos EUA em assuntos de prevenção, anunciou que mamografias precoces e muito frequentes têm levado à realização de biópsias, cirurgias e sessões de quimioterapia desnecessárias. 

Por isso a orientação de iniciar o rastreamento aos 50 anos – e não aos 40 – e reduzir a frequência. Em muitos casos, os tumores revelados demorariam tanto para se desenvolver que jamais causariam problemas, disseram os médicos.

O painel condenou ainda o autoexame das mamas – orientar a mulher a apalpar os seios em busca de nódulos – como método de rastreamento do câncer de mama na população em geral. O entendimento é de que, em muitos casos, a metodologia também leva a intervenções desnecessárias, ansiedade e confusão da paciente. O Brasil já tinha a mesma posição

“O Inca recomenda, desde 2003, mamografias a partir dos 50 anos, realizadas a cada dois anos, assim como agências do Canadá e da Europa. Os EUA fizeram uma revisão, com nova metodologia, e agora se alinharam aos demais países”, avaliou Ana Ramalho Urtigão Fares, gerente da Divisão de Apoio à Rede Oncológica do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

A gerente destaca, porém, que não há limitação à realização de mamografia em qualquer idade se o médico encontrar sinais de câncer e achar que ela é necessária para o diagnóstico.

A idade para rastreamento serve apenas para orientar a política pública de saúde.

Paulo Hoff, diretor clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Luiz Henrique Gebrim, mastologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), veem de forma positiva as novas orientações.

“A princípio, elas reforçam a posição do Inca”, afirma Hoff. “Sou a favor, mas não podemos adotar sem discussão.”

Segundo ele, começar cedo os exames pode culminar em efeitos colaterais e procedimentos cirúrgicos, como biópsias e perfurações, que implicam riscos. 

Para Gebrim, a mudança é positiva em termos de políticas públicas, que exigem prioridades. “Já as mulheres que não têm restrição de recursos devem fazer a mamografia (precocemente).”

Fonte: Idec / Jornal da Tarde

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