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Polícia Federal investiga mais de 300 pessoas na Owari e Brothers

Polícia – 07/12/2009

Em entrevista concedida ao O PROGRESSO o chefe da Delegacia da Polícia Federal Bráulio César Galoni informou que mais de 300 pessoas passam por diferentes tipos de investigações de crimes atribuídos a instituição, em Dourados. Nesta entrevista o delegado também discorre sobre o desfecho das operações Owari e Brothers, além da atuação da PF contra bocas de fumo na cidade.O delegado Galoni apresentou também um balanço de apreensão de drogas neste ano de 2009. Foram apreendidos 9.142.980 quilos de maconha, 38.774 de cocaína, 125.310 de pasta base, 500 de crack e 5.648 de haxixe. Em 2009, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva, 38 de temporária e lavrados 122 flagrantes. Confira na entrevista:
Houve mudança no conceito da Delegacia da Polícia Federal depois da deflagração das operações Owari e Brothers, que antes poderia ser vista como uma Polícia que não agia na cidade de Dourados e sim na faixa de fronteira? “Eu acredito que em decorrência destas operações a sociedade percebeu de uma forma mais evidente a presença da Polícia Federal, mas o nosso trabalho é diuturno, tanto que nós temos mais de 300 investigações em curso incluindo somente a Delegacia da Polícia Federal em Dourados. Se atentarmos para isso, veremos que toda a estrutura da nossa Delegacia está trabalhando por conta destas investigações”O trabalho de investigação a estas duas operações por parte da Polícia Federal está encerrada? “Para fins de investigação o trabalho da Polícia Federal com o relatório do inquérito, está encerrado. É evidente que os pedidos da Justiça estão sendo solicitados à Polícia Federal, assim como do Ministério Público e nós estamos cumprindo”.O senhor considera que as Operações Owari e Brothers marcaram o trabalho da Polícia Federal em Dourados? E quanto a investigação sobre os proprietários de garagens, pode haver, também, um grande desfecho? “Eu acredito que todo trabalho da Polícia Federal é importante. Nós temos 300 investigações em curso e todas elas tem a sua importância, são fatos criminosos que atentaram contra a sociedade de Dourados e região e, portanto, tem o seu grau de importância. Então a sociedade tem a impressão de que aquelas operações (Owari e Brothers) foram as mais importantes da PF, mas desde o início do ano temos realizado diversos trabalhos de investigação que podemos chamar de micro-operação.A maioria destes crimes incluídos nestes 300 inquéritos está ligado diretamente a enriquecimento ilícito? “A Polícia Federal trabalha com aqueles crimes que de uma forma ou de outra atinge bens, serviços ou interesses da União. Existe aí uma gama infinita de crimes de toda ordem, envolvendo tráfico, moeda falsa, contrabando, crimes contra o sistema financeiro, contra a Caixa Econômica Federal, transferências fraudulenta de contas, enfim uma infinidade de crimes”. Qual a necessidade de se montar uma grande  operação como a Owari, por exemplo? “O que se costuma chamar de Operação é toda uma logística que a Polícia deve lançar mão para cumprir os mandados, sejam eles de busca ou de prisão em benefício de determinada operação, é na verdade o emprego de uma logística e é isso que a sociedade vê e isso que nós e a sociedade costumamos chamar de Operação. Mas no dia a dia, na instrução dos inquéritos policiais, os delegados são obrigados a lançar mão de colocar equipes nas ruas para cumprir os mandados. Isso normalmente não aparece dado ao número pequeno de pessoas que são presas, mas quando esta logística é maior surge a necessidade de valermos de outras delegacias, quer seja no Estado ou fora dele”.Como o senhor observa Dourados no contexto de movimentação financeira ilícita, principalmente na remessa de dólares ao exterior?“Na época em que foram instaurados vários inquéritos para apurar as denominadas contas CC-5 que é justamente remessa de dinheiro ilegal para o exterior, se fez uma estimativa de quanto que Dourados participaria destas remessas. Chegou-se a conclusão que são números gigantescos. Depois disso, não se tem mais informações específicas que apurem estes dados com mais preciosismo. Nós precisaríamos fazer este estudo, mas creio que Dourados em termos de crime financeiro continua tendo uma importância fundamental, pois se movimenta muitos recursos ilícitos aqui”Antes da inauguração desta Delegacia da Polícia Federal de Dourados havia a imagem de que a PF existia em Dourados tão somente para investigar crimes de tráfico de drogas e contrabando. Este conceito mudou em função da nova estrutura? “Eu acredito que foi uma mudança de visão. Há muito tempo a sociedade se acostumou a identificar a Polícia Federal voltando sua atuação apenas no tráfico de drogas e contrabando. Isso era uma realidade porque foi uma determinada época uma opção de fazer do tráfico e do contrabando o carro-chefe da Polícia Federal. Isso mudou, prova disso é que as nossas maiores atuações têm sido contra as grandes organizações criminosas, seja ela de tráfico, ou não. Minha preocupação, por exemplo, foi sempre a de dar atenção não somente ao tráfico de drogas e contrabando, e sim as outras atribuições da Polícia Federal. A partir daí começamos a voltar os olhos para os delitos de desvio de dinheiro público, corrupção, crimes que estavam enraizados aqui, patrocinados até por pessoas tidas como respeitadas na sociedade”.As operações Owari e Brothers foram as que mais se destacaram para a PF, pela sua repercussão no país? “Eu acredito que a Polícia Federal fez outras operações tão importantes quanto a Owari e a Brothers, no entanto, estas operações têm sua importância até porque foram as primeiras em que os policiais se voltaram ao lado atípico de crimes de corrupção, desvio de recursos, contra funcionários públicos. Então, acho que por ter sido a primeira neste sentido teve a sua importância, mas nós esperamos que outras instituições também comecem a se preocupar com este tipo de atividade delituosa. A população se vê as vezes distante da PF, com receio até mesmo de fazer denúncia. Como é possível aproximar a sociedade da Polícia Federal? “A Polícia Federal talvez já tenha sido vista no passado como uma Polícia Elitizada e por conta disso afastada da sociedade. Nos últimos tempos nós temos tido a preocupação de nos aproximar da população e a imprensa tem sido muito importante neste sentido.  Nós temos muitas formas de ouvir o cidadão douradense. Ele pode vir pessoalmente a Delegacia da Polícia Federal, pode telefonar. O cidadão pode também se valer dos e-mails para entrar em contato, enfim, existe uma infinidade de formas. Vale ressaltar que sua identidade será preservada. A sociedade pode também encaminhar cartas anônimas via Correios, por exemplo, e pode ter a certeza de que cem por cento das denúncias apresentadas serão investigadas. Se ela não tiver atribuição da Polícia Federal será encaminhada para quem tem essa atribuição”.   E sobre a apreensão de drogas?“Fechamos em 2009 diversas bocas de fumo em Dourados e aprendemos diversos traficantes. Às vezes, para a sociedade, o fechamento de uma boca de fumo tem mais importância do que a apreensão de toneladas de maconha. Isso porque a preocupação é frequente da PF ao fato da boca de fumo atingir diretamente a sociedade, enquanto as toneladas de drogas estarem distante da população”.

Fonte: O Progresso

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