Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Dourados 25 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

A pizza de Arruda

Opinião – 11/12/2009

O
governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, saiu do DEM antes
que o partido formalizasse a sua expulsão. Pode ocorrer que também
renuncie ao mandato eletivo se correr a ameaça concreta de impeachment.
Fugindo da raia, como já fizeram muitos dos acusados de corrupção e más
práticas administrativas, pode evitar a inelegibilidade e boa parte das
punições. Aliás, o próprio Arruda já renunciou ao mandato de senador,
em 2001, quando violou o sigilo do painel de votação do Senado Federal.
Renunciou e, já no ano seguinte, elegeu-se deputado federal e depois
governador.
            Com
a desfiliação formulada nesta quinta-feira, o governador estaria fora
das eleições de 2010, quando poderia concorrer à reeleição. O candidato
precisa ser filiado ao partido um ano antes das eleições, marcadas para
outubro. Mas o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal,
adverte que é possível Arruda alegar perseguição partidária e ainda
conseguir o registro de sua candidatura.
            Essas
saídas estratégicas dos faltosos, que renunciam para se safarem da
punição integral, causam extremo mal-estar à população. Servem para
conspurcar a imagem da classe política e fortalecer a estrábica visão
de que “político é tudo ladrão” ou “farinha do mesmo saco”, como se diz.
            No
auge das crises é bem verdade que a renuncia do político-alvo é um
alívio para toda a comunidade e especialmente para o próprio meio. Em
alguns casos, se o suposto faltoso não renunciar, corre o risco de sair
morto ou de provocar distúrbios onde outras mortes possam ocorrer. A
própria história brasileira contabiliza os casos de Getúlio Vargas,
Jânio e Jango. O primeiro teria se suicidado e os outros dois
renunciaram, justificando, entre outras coisas, o desejo de evitar o
derramamento de sangue de brasileiros.
            Mas,
exceto em casos extremos, a renúncia só tem valido para provocar a
impunidade de maus administradores, corruptos e de confessos
malfeitores. Via de regra, o afastamento tira o objeto principal das
mobilizações, e o acusado passa ao largo, deixando de pagar pelo que
cometeu. É nesse momento que o povo, antes bombardeado pelas
informações sobre os pecados desses figurões, perde sua fé e parte para
o perigoso terreno do desrespeito e do desprezo à classe política.
            A
nação espera que o governador José Roberto Arruda e demais
participantes do seu esquema, ultimamente denunciados, sejam levados à
mais justa punição. Que, renunciando ou não aos seus postos, sejam
chamados a promover a mais severa reparação dos males que tenham
cometido. E que só depois desse acerto de contas com a sociedade e a
justiça, se ainda tiverem condições, possam voltar a postular novas
eleições ou cargos públicos. Assim também deveria ocorrer com os
participantes dos mensalões (mineiro e nacional), dos sanguessugas e de
todas as outras vergonhas ocorridas na história política recente do
país e, lamentavelmente, varridas para baixo do tapete da impunidade.
            O respeito é bom e todos temos o direito de exigí-lo
 
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
[email protected]                                                                                               

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial