Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 Dourados 25 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Brasil pode ter nova epidemia de dengue em 2010

Alerta – 23/12/2009

O Brasil corre grande risco de viver uma nova epidemia de dengue em
2010. A opinião é de especialistas consultados, que apontam a falta de
ações de combate à doença.

“É muito provável termos uma
epidemia se as prefeituras não se sensibilizarem, pois a doença já está
se prenunciando”, aponta o epidemiologista José Ricardo Pio Marins, da
Universidade de Brasília (UnB). “

A dengue é um doença muito
difícil de controlar. Se as prefeituras não cuidarem, pode acabar
ocorrendo uma epidemia de maior monta”, diz ainda o epidemiologista
Roberto Medronho, chefe do departamento de medicina preventiva da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Relatório divulgado no
fim de novembro pelo Ministério da Saúde apontou um aumento de 47% – de
76 para 112 – no número de cidades com altos índices de infestação por
larvas do Aedes aegypti (mosquito transmissor da doença) neste ano, em
comparação com 2008.

Os dados, coletados entre outubro e
novembro deste ano, dispararam o alerta de um possível surto da doença
em 102 cidades, incluindo 17 capitais, e colocaram no nível de risco
outras 10 cidades.

A presença em excesso das larvas nos meses que antecedem o verão pode significar um alto risco de epidemia da doença.

Entre
janeiro e maio, devido às altas temperaturas, o ciclo de
desenvolvimento do Aedes aegypti cai de 30 para 12 dias. Ou seja, a
população do mosquito pode crescer rapidamente. Segundo o ministério,
70% dos casos de dengue ocorrem neste período.

Para o
ministério, no entanto, a situação de vulnerabilidade existe, mas não
deve se configurar em uma epidemia. “O fato de ter mosquitos não quer
dizer que vai ter uma epidemia, e que esses indicadores vão persistir.

Ações
já estão sendo colocadas em prática para controlar isso”, diz Giovanini
Coelho, coordenador do programa de dengue do órgão.

Mas o que se
vê em alguns locais do país parece estar longe de um quadro controlado.
Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde havia contabilizado,
somente até o início deste mês, um acréscimo de mais de 320% nas
notificações de casos de dengue neste ano, em comparação com o mesmo
período de 2008.

Ao todo, 48 mortes pela doença já haviam sido confirmadas. Para os especialistas, isso já pode ser considerado um surto.

Explicações
O
aumento da incidência da larva do mosquito coloca em risco os bons
indicadores já conquistados, como a queda de mais de 46% no número de
casos de dengue neste ano, entre janeiro e agosto, ante o mesmo período
de 2008.

Já as mortes causadas pela doença nas 30 primeiras
semanas do ano caíram 63,2% – houve 166 óbitos em 2009, enquanto no
mesmo período do ano passado foram registradas 451 mortes.

Para Pio Marins, houve um relaxamento nas ações de controle da dengue, depois da epidemia de febre amarela do ano passado.

O
mosquito também é vetor dessa doença, mas em menor escala. “O risco da
febre amarela fez com que houvesse um controle mais intenso, o que
repercutiu também nos bons índices de transmissão da dengue”, avalia.

Já
para Coelho, a disparada se deve às próprias condições estruturais das
cidades brasileiras. “O mosquito se prolifera em criadouros
artificiais, como caixas d’água, tonéis, lixo acumulado. Essas
vulnerabilidades contribuem para a manutenção do mosquito e, além
disso, tornam seu controle mais complexo”, explica.

Ele defende
ações coordenadas com outros setores para evitar a proliferação da
doença. “O controle da dengue não é responsabilidade só do setor de
saúde, mas de várias áreas

Os criadouros em depósitos de
armazenamento de água terão uma solução definitiva quando se resolver o
problema de abastecimento. O problema do lixo não vai ser do setor de
saúde, por isso o grande desafio é essa ação intersetorial”.

Para
o Ministério da Saúde, parte da culpa é ainda das chuvas excessivas
deste ano que castigaram muitos locais do país. “O que contribui foram
as condições meteorológicas. Houve muita chuva, que colaborou para a
maior incidência das larvas”, afirma Coelho.

Pio Marins concorda
que o aumento das chuvas colaborou para o aumento dos criadouros, mas
não culpa o mau tempo pela proliferação do mosquito. “Não vi ações mais
enérgicas para evitar isso.

Era esperado que acontecesse, sabemos que o inseto está na região, é só ter as condições que ele cresce.

É
uma coisa previsível, um tipo de epidemia evitável, pois você sabe que
vai acontecer, que tem doente, que tem inseto, mas não toma as medidas”.

Para
ele, faltou uma ação contínua das prefeituras para evitar a infestação
pelo mosquito, que é ainda maior quando a chuva aumenta.

Medronho
compartilha da mesma opinião. “No combate a dengue, o principal
problema é a gestão do controle no nível municipal, não se faz as
visitas adequadamente, não se educa a população. Aí chega o verão e vem
a epidemia, que uma vez instalada é difícil de controlar”, diz. “

É
necessário fazer o controle, trabalhar o ano todo, especialmente fora
da época, para que não haja acúmulo de criadouros e evitar a
proliferação quando chegar o verão”, continua.

Mas apesar de a
execução das ações contra a dengue ser de responsabilidade de cada
prefeitura, os especialistas apontam que parte do problema diz respeito
ao Ministério da Saúde. Para eles, questões políticas – “amigos” e
“padrinhos” que fazem vista grossa – ficam no meio do caminho entre o
que deve ser feito e o que acontece na prática. “

As prefeituras
têm a responsabilidade mais imediata, mas o ministério tem que
capitanear essas ações. Ele tem mecanismos de pressão para induzi-las,
porque tem os recursos, mas tem tomado ações muito políticas e pouco
técnicas”, avalia o epidemiologista da UnB.

Essas questões
políticas impedem que se tenha uma fiscalização adequada das ações
municipais, na avaliação de Medronho. “É preciso supervisionar se o
dinheiro repassado está sendo usado para isso, se as prefeituras estão
executando as ações previstas.

A cobrança das ações é um
problema político muito sério no Brasil. Dependendo da suscetibilidade
dos políticos, essa cobrança surte mais ou menos efeito”.

Os
especialistas alertam que o grande risco de uma nova epidemia da doença
é a dengue hemorrágica. “Pessoas que já tiveram infecção pelas dengues
do tipo 1 ou 3 têm mais chance de ter a dengue hemorrágica”, aponta
Medronho.

O vírus tipo 2, que apresenta maior virulência
quando se trata de dengue hemorrágica, voltou a circular no Mato Grosso
após uma década. “É um risco quando um grande número de pessoas
infectadas vai para lugares onde tem o vetor e mais ainda se essas
áreas já foram afetadas por outras epidemias de dengue”, explica.

Ele
lembra, ainda, a importância de ações que a própria população pode
tomar no dia a dia para evitar a proliferação do mosquito (ver quadro).
“A união entre o poder público e a população é fundamental para
combater a doença”.

Medidas de prevenção contra a dengue
Manter
a caixa d’água, tonéis e barris ou outros recipientes que armazenam
água totalmente tampados e limpos na sua parte interna (lavados com
escova e sabão semanalmente);

Deve-se remover tudo o que possa impedir a água de correr pelas calhas e não deixar a água da chuva acumular sobre as lajes;

No
caso dos vasos de plantas, encher de areia, até a borda, os pratinhos
dos vasos. Se não tiver colocado areia no pratinho da planta, lavar a
mesmo com escova, água e sabão, pelo menos uma vez por semana, fazendo
o mesmo com vasos de plantas aquáticas;

Jogar no lixo todo objeto que possa acumular água, como potes, latas e garrafas vazias;

Colocar
o lixo em sacos plásticos, fechar bem esses sacos e deixá-los foram do
alcance de animais. Manter lixeiras bem fechadas.

Fonte: UOL

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial