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‘Improviso e arrogância na terra de Marcelino Pires’, por Ribeiro Arce

Opinião – 23/12/2009

Improviso e arrogância na terra de Marcelino Pires
*Ribeiro Arce
Dia primeiro de janeiro comemora-se a entrada do ano novo, o começo de 2010, ano eleitoral em que os brasileiros vão as urnas para eleger o presidente da república, governadores, deputados e senadores. É um ano de muita reflexão, não podemos incorrer no erro de eleger aventureiros, mentirosos e ladrões dos cofres públicos. Vamos analisar os partidos políticos, as propostas, os perfis dos candidatos, votarem conscientes e exercer o verdadeiro papel de cidadão – o de vigiar e cobrar postura ética dos eleitos.
Na cidade de Dourados, terra de Marcelino Pires e de tantos homens e mulheres de bem, vamos iniciar o ano de 2010 com quase nada a comemorar em termos políticos, haja vista que o município passa pelo pior vexame administrativo de sua história. Convido o estimável leitor para analisar os 74 anos de história de nossa emancipação político-administrativa, verás que nunca passamos por tamanho ridículo como agora no governo dos senhores Ari Artuzi e Carlinhos Cantor.
Boa parte da população, especialmente a eleitora de Artuzi/Cantor, caiu no conto da mentira, da promessa esfarrapada, do tudo é fácil resolver. Não conseguiu perceber que por de trás da dupla que distribuía fartamente abraços, beijinhos, tapinhas nas costas e outros afagos comuns de candidatos populistas e aproveitadores, havia fortes interesses de empresários ávidos por dinheiro e políticos ‘profissionais’ da Capital gananciosos por poder. Um ano depois, o resultado está aí escancarado para todos analisarem friamente.
Na campanha eleitoral prometeram ‘mundos e fundos’ para melhorar a saúde pública em favor dos mais necessitados. Boa parte do eleitorado acreditou e agora está sofrendo com o caos nos postos e hospitais do município. Estaria a grande cartada de Artuzi e Cantor no contrato milionário com o hospital Evangélico? Essa ação não resolveu o problema. Com a resposta os milhares de usuários do SUS (Sistema único de Saúde) de nossa cidade.
As pistas de rolamentos das ruas e avenidas e o trânsito estão uma lástima. Tamanho é o desconforto enfrentado pelos usuários e os prejuízos materiais em carros, motos e bicicletas causados pelas crateras que se alastram tirando o sossego de quem precisa se deslocar diariamente para trabalhar. Pensava a dupla que acabando com algumas ciclo-faixas resolveria o problema? Se pensava dessa maneira, pode rever o pensamento. Que o digam os milhares de ciclistas que trafegam diariamente pela nossa cidade.
Agora, o que marcou de forma negativa e manchou para sempre a administração do Artuzi e do Carlinhos Cantor e respingou impiedosamente na Câmara Municipal de Vereadores, foi a operação Owari/Brothers da Policia Federal. Nunca na história de Dourados nossa cidade sofreu um baque político tão cruel como aquele de julho último. Num único dia a Polícia Federal algemou e colocou na ‘cana’ o vice-prefeito, vários secretários e assessores de confiança da prefeitura e três vereadores, dentre eles, o líder do prefeito e o presidente do Legislativo. Naquele dia o município ficou órfão e o povo sentiu na pele o quanto faz falta um governante sério e corajoso nos momentos difíceis. Pois, enquanto o ‘couro comia’ na região da figueira o chefe mor correu para Brasília, conforme noticiou fartamente a imprensa. Aquele episódio mostrou de forma cabal que nossa setentona Dourados estava em mãos de um grupo malvado e perverso.
Nas entrelinhas do texto, o leitor percebe que o improviso e a arrogância estão presentes no governante de plantão de Dourados. Veja só quanta barbaridade que justifica o título do artigo. Arrancou na mão grande e na calada da noite a estátua do ervateiro do centro da cidade e ainda mentiu para o douradense, dizendo que em alguns meses a mesma estaria instalada em outro local mais apropriado. Municipalizou a Sanesul sem discutir o projeto com os milhares de consumidores da empresa em Dourados, numa trama perversa, conforme demonstra as gravações da Polícia Federal na operação ‘Owari/Brothers’. Arrancou ciclo-faixa de várias vias públicas sem discussão nenhuma com os usuários, até parece uma birra contra esse instrumento público tão valioso para o ciclista, pois antes mesmo de se tornar prefeito, em companhia do ex-vereador Walter Hora, arrancou os tachões da rua Cafelândia, num ato deprimente que rendeu até editorial do mais importante jornal do estado. Ainda tem o caso do PREVID, da eleição direta para diretor de escola, do aumento do IPTU e tantos outros que caracterizam o improviso e arrogância.
Apesar de tudo, o governante de plantão tem encontrado transito livre para cometer suas peripécias. Tem ao seu lado uma Câmara de Vereadores conivente e uma oposição pífia. Com raras exceções bradam algumas vozes e surgem pequenos grupos organizados contrários as ações desvairadas da administração municipal. E, olha que Dourados tem vice-governador, deputados, vários ex-prefeitos, ex-deputados, ex-vereadores e entidades representativas da sociedade. Estaria os calados coniventes com tudo isso? Ou estão esperando as eleições de 2010 para tomar posição? Nossa setentona Dourados merece coisa melhor, principalmente respeito e seriedade dos governantes.
*Professor da rede estadual de ensino. E-mail: [email protected]

Fonte: Folha de Dourados

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