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Deputado reclama ao bispo o descuido do prefeito Artuzi

Dourados – 23/12/2009

Seria cômico se não fosse trágico. Este é o réquiem de final de ano protagonizado pelo prefeito Ari Artuzi (PDT) e pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB) por causa dos recursos de emendas federais para a realização de obras em Dourados. Enquanto um ataca o outro em rádios e jornais, as obras continuam paralisadas entremeio a um fogo cruzado de acusações mútuas e numa briga insana pelos holofotes da mídia de olho na eleição de 2010. Geraldo acusa Artuzi de não se preocupar com a “papelada’ junto aos órgãos da Administração Federal para tornar ágil a liberação dos recursos de suas emendas e com isso alega que as obras páram por falta de dinheiro. Artuzi usa sua artilharia política para dizer em alto e bom tom que a “burocracia” está em dia. Na manhã do último sábado, Artuzi usou o programa “A Hora da Verdade” da Grande FM para “alfinetar” mais uma vez o deputado peemedebista ao reclamar que Resende “indicou” uma emenda de apenas R$ 1 milhão para o Orçamento da União para 2010. Artuzi diz que este dinheiro não dá para nada. Enquanto encarna o próprio Papai Noel em sua propaganda de fim de ano através de mídia em outdoor, Geraldo Resende revela outra faceta de sua religiosidade. Foi reclamar ao bispo. Isso mesmo! Mandou um oficio para Dom Redovino Rizzardo, chefe-mor da Diocese de Dourados reclamando das “peraltices” de Artuzi e pediu a intercessão do representante da Santa Sé na região para que abrandasse o coração do prefeito e fizesse brotar de suas “artérias” o espírito Natalino-Cristão. No Ofício 637/2009 datado de 09 de dezembro de 2010, direcionado ao reverendíssimo, o deputado Geraldo Resende afirma que “na condição de deputado federal e representante da população de minha cidade no Congresso Nacional, tenho me empenhado fortemente na luta por garantir recursos do Orçamento Geral da União, que transformem em realidade os sonhos e as necessidades da nossa população. Entretanto, tal como o senhor, tenho vivido uma angústia permanente ao ver que muitos desses projetos podem estar ameaçados por força da morosidade dos trâmites burocráticos ou pelo descuido dos administradores municipais, responsáveis em primeira instância pela execução dos projetos e das obras para as quais temos conseguido recursos em Brasília”. O parlamentar prossegue na sua assertiva ao Bispo dizendo que “No caso específico da saúde, tenho feito insistentes alertas às autoridades municipais, sem que a minha insistência tenha tido qualquer sinal de sucesso. De tanta preocupação, tomei a liberdade de entregar ao prefeito Ari Artuzi um relatório com 18 obras, para as quais eu me empenhei pessoalmente e já garanti os recursos junto ao governo federal”. A lista de obras é extensa conforme o documento. No relato de Resende estão: “a construção do Centro de Convivência do Idoso, a reforma e ampliação de 10 dez unidades básicas de saúde; a construção e a compra de equipamentos para a Clínica da Mulher; a reforma do Hospital da Vida; a construção de uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento; a construção de outras quatro unidades do PSF – no Altos da Monte Alegre, no Campo Dourados, no Jardim Guaicurus e no Jardim Oliveira II. No total, essas obras reúnem investimentos que somam quase R$ 8 milhões”. Resende reclama com o Bispo afirmando que “como todos os esforços que fiz até agora resultaram em quase nada, estou pedindo o vosso apoio, reforçando a minha fé e a minha crença de que juntos, poderemos convencer as autoridades municipais a não deixar que a burocracia prive a população da nossa cidade de obras e projetos tão importantes para a vida de todos”. “Diante de todo o descompasso da administração municipal, temo que todo esse esforço seja em vão” reclama Resende ao Bispo. Ao finalizar sua carta, Geraldo Resende pede a intercessão do Bispo dizendo “volto a pedir com humildade o Vosso apoio para que o pior não aconteça. E neste caso, o pior seria perder todos esses recursos por falta de cumprimento das exigências legais. Uma lástima, se pensarmos no imenso trabalho que tivemos para assegurar esses recursos que são disputados a ferro e fogo por milhares de municípios brasileiros”. A EXPRESSAO A expressão “vá reclamar com o bispo” tem sua origem na era monárquica brasileira. Conta a historia que logo depois da renuncia de Dom Pedro I o Brasil vivia uma crise de instabilidade política causada pela falta de legitimidade uma vez que Dom Pedro II ainda era criança e quem governava o país era uma regência. O Brasil vivia num cenário propício para as disputas entre os partidos Liberal e Conservador que se alternavam no poder. Depois de uma década dominada pelos liberais, 1840 marcou a volta dos conservadores ao poder. Até 1841, eles impuseram medidas que tiravam das províncias certos direitos adotados pelos regentes liberais no início da década anterior, como o de promover eleições para preencher cargos de oficiais da Guarda Nacional. As decisões voltavam a ser discutidas e aprovadas no palácio imperial, o que ampliava a força de uma pequena casta que tinha acesso ao imperador. A centralização tinha o formato ideal para fomentar perseguições pessoais. Quem não fosse amigo do chefe da polícia provincial ou de seus agentes nos municípios podia ser perseguido sem ter como de defender ou a quem reclamar. A história nos relata que se a pessoa fosse queixar-se ao bispo como ultima tentativa, logo veria que ele não tinha coragem de desafiar o poder imperial-e, não raro, era ele mesmo ativo participante dos esquemas palacianos. Essa fase, chamada de regresso conservador, determinou a mais brutal centralização do Império, quando, segundo Nelson Werneck Sodré em Formação da História do Brasil, “o poder voltava exclusivamente às mãos de uns poucos poderosos. A expressão nos dias atuais é usada somente as pessoas mais velhas usam quando querem dizer que uma coisa não tem mais jeito e que não adianta reclamar porque ninguém vai resolver seu problema. Veja o ofício encaminhado ao bispo:Ofício N.º 637/2009-BSB Brasília/DF, 09 de dezembro de 2009.Reverendíssimo SenhorBispo DOM REDOVINO RIZZARDODourados/MSSenhor Bispo,Tenho acompanhado vossa luta e persistência em defesa de tempos melhores para a nossa cidade. Vossa fé e determinação são comoventes e se mostram cada vez mais indispensáveis para chamar à responsabilidade os políticos e administradores que se descuidam de suas obrigações.Na condição de deputado federal e representante da população de minha cidade no Congresso Nacional, tenho me empenhado fortemente na luta por garantir recursos do Orçamento Geral da União, que transformem em realidade os sonhos e as necessidades da nossa população.Entretanto, tal como o senhor, tenho vivido uma angústia permanente ao ver que muitos desses projetos podem estar ameaçados por força da morosidade dos trâmites burocráticos ou pelo descuido dos administradores municipais, responsáveis em primeira instância pela execução dos projetos e das obras para as quais temos conseguido recursos em Brasília.No caso específico da saúde, tenho feito insistentes alertas às autoridades municipais, sem que a minha insistência tenha tido qualquer sinal de sucesso. De tanta preocupação, tomei a liberdade de entregar ao prefeito Ari Artuzi um relatório com 18 obras, para as quais eu me empenhei pessoalmente e já garanti os recursos junto ao governo federal. Todo o meu trabalho está voltado para aquilo que a população aponta como prioridade e a preocupação com a saúde é o primeiro item que aparece em todas as pesquisas de opinião.Constam da lista que levei ao prefeito: a construção do Centro de Convivência do Idoso, a reforma e ampliação de 10 dez unidades básicas de saúde; a construção e a compra de equipamentos para a Clinica da Mulher; a reforma do Hospital da Vida; a construção de uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento; a construção de outras quatro unidades do PSF – no Altos da Monte Alegre, no Campo Dourados, no Jardim Guaicuros e no Jardim Oliveira II. No total, essas obras reúnem investimentos que somam quase R$ 8 milhões. São obras importantíssimas que podem ajudar a trazer mais tranqüilidade para a nossa população. Mas a burocracia vem emperrando o andamento delas. Há um caso que demonstra bem a gravidade dessa questão: o dinheiro que vai ser usado para reformar e ampliar os 10 postos de saúde espalhados por vários bairros da cidade foi empenhado em março de 2007. Isso significa que esse dinheiro está depositado há dois anos e oito meses, sem que as obras aconteçam. Como todos os esforços que fiz até agora resultaram em quase nada, estou pedindo o vosso apoio, reforçando a minha fé e a minha crença de que juntos, poderemos convencer as autoridades municipais a não deixar que a burocracia prive a população da nossa cidade de obras e projetos tão importantes para a vida de todos. Para o Vosso conhecimento, minhas gestões junto ao Ministério da Saúde podem assegurar ainda outros R$ 13 milhões destinados à construção do Instituto da Mulher e da Criança, estrutura que estará vinculada à Universidade Federal da Grande Dourados e que vai mudar o cenário da estrutura pública de saúde em Dourados.Diante de todo o descompasso da administração municipal, temo que todo esse esforço seja em vão. Por isso, volto a pedir com humildade o Vosso apoio para que o pior não aconteça. E neste caso, o pior seria perder todos esses recursos por falta de cumprimento das exigências legais. Uma lástima, se pensarmos no imenso trabalho que tivemos para assegurar esses recursos que são disputados a ferro e fogo por milhares de municípios brasileiros. Certo de poder contar com o vosso apoio, me despeço, colocando-me à disposição para quaisquer esclarecimentos posteriores. Aproveito para manifestar o meu apreço pelo vosso trabalho e reforçar a minha fé cristã de que tudo irá se resolver da melhor forma possível.Cordialmente,GERALDO RESENDEDeputado Federal PMDB/MS

Fonte: Nicanor Coelho, do midiamax em Dourados

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