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Javier Pavão culpa a imprensa e ‘Capillo’ admite ser do PCC

Narcotráfico – 28/12/2009

Waldemar Gonçalves – Russo 
    O brasileiro Jarvis Ximenes Pavão e o paraguaio Carlos Antonio Caballero, o “Capilho”, dois supostos importantes narcotraficantes que estavam em atividades no território do país vizinhos, já se encontram em Assunção presos sob um forte esquema de segurança.
    Os dois que foram presos ontem de madrugada em um hotel fazenda na região de Yby-Jhaú, no Departamento de Concepción, concederam entrevista à imprensa brasileira e paraguaia na capital paraguaia, assim que desembarcaram de um helicóptero cedido pelo presidente da República Fernando Lugo, que havia ido até Pedro Juan Caballero para buscá-los.
    Javier Pavão atribuiu a sua “fama” de narcotraficante a imprensa dos dois países e nega ser envolvido com o crime organizado, enquanto “Capillo” admitiu ser integrante da facção criminosa paulista, o PCC (Primeiro Comando da Capital) no território paraguaio.
    Junto com a dupla também foram presos os “capangas” dela, Alexander Carvalho, Daniel Ferreira dos Santos e o paraguaio Hugo Orlando Escobar e apreendidos guaranis, reais, dólares americanos e um forte armamentos e munições de grossos calibres.    
    A Senad (Secretaria Nacional Anti-drogas) ressalta que antes da prisão de Jarvis Ximenes Pavão, o filho dele, José Martinez Mendi Pavão, havia já sido preso no dia 16 agosto de 2007 em uma operação similar feita pelos agentes antidrogas, e na oportunidade foram apreendidos 85 quilos de cocaína pura, no interior da fazenda quatro filhos, que seria de propriedade do narcotraficante.
    A Senad informa também que na fazenda Jericó, que seria de “Capillo”, apontado como sendo um dos chefes do PCC no Paraguai, foi feita uma operação no dia 24 de outubro passado, aonde foram presas seis pessoas, todas brasileiras, que seriam ligadas à facção criminosa paulista.
    “Capillo”, que foi preso na operação de ontem, possui a fazenda com uma área produtiva a 13 quilômetros da fronteira com Mato Grosso do Sul, é apontado como um dos chefes do crime organizado no Paraguai.
    ENTREVISTA
    Na entrevista de Javier Pavão Jimenez no dia de ontem, a ousadia dele surpreende até mesmo os agentes paraguaios.
    Segundo consta, Javier Pavão depois de cumprir três anos de prisão em Santa Catarina, fugiu e veio se instalar na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira de Mato Grosso do Sul, via Ponta Porã com o Paraguai.
    Em 2006, ele concedeu entrevista ao jornal paraguaio ABC e culpou a imprensa por ser apontado como sendo um grande narcotraficante de drogas. “Não devo nada à Justiça brasileira. Eu não era ninguém até que a imprensa brasileira e a paraguaia sujaram meu nome”, afirmou ele na oportunidade e novamente no dia de ontem ao conceder uma nova entrevista, poucas horas após a sua prisão.
    Javie Pavão afirmou que fugiu para o território paraguaio porque em Santa Catarina seus pais possuem propriedades e negócios naquela região.
    Na época, ele disse ainda que, para driblar as autoridades, precisou se mudar mais de 60 vezes.
    Javier Pavão seria narcotraficante e é considerado um dos maiores do ramo e de ter ligações com os negócios de Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”.
    Considerado um dos maiores narcotraficantes do país, o brasileiro seria ligado ao cartel de venda de drogas dirigido por “Fernandinho Beira-Mar”, que está recolhido no presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
    “CAPILLO”
    Já  Antônio Carlos Caballero, o “Capilo” admitiu ser chege do PCC no território paraguaio e disse que “não está proibido de que políticos da região aonde se encontrava lhe desse proteção”. “Sou um dos líderes do Primeiro Comando da Capital, no Paraguai e também no Brasil”, e afirmou que seus “soldados” atuam também no ramo de transportar drogas para da Bolívia para o Brasil e o Paraguai.
    “Não se pode dizer quantas pessoas fazem parte do no grupo, do PCC”, disse ele ao ser consultado sobre a quantidade de criminosos que integra o grupo criminoso que é dedicado ao tráfico de armas e droga e atua na maioria das vezes em favelas de Rio de Janeiro, Brasil, onde o domínio está nas mãos do rei do tráfico sul-americano, Fernandinho Beira-mar.
    Ao ser questionado se a facção está protegida por políticos, “Capilo” foi direto na resposta, ao dizer que “não está proibido que essas pessoas integram nossa organização”.
    Sobre uma suposta proteção de policiais a sua pessoa que havia sido preso nos últimos anos acusados de corrupção, “Capillo” respondeu que “não negociamos com nada para podermos andar pela região onde estivemos, inclusive aonde fomos capturados. Não temos informantes na polícia, é mentira o que dizem. Há 15 dias que estava na companhia de Pavão no local aonde fomos presos. Antes de retornar ao Paraguai estive na Bolívia e estou na região de fronteira há anos”, comentou o narcotraficante, reafirmando que “Há 15 dias que cheguei ao Paraguai e vim para poder passar as festas de final de ano com minha mãe que vive próximo ao local aonde me prenderam ”, disse ele
    “Capillo” negou categoricamente que havia se dedicado a negociar armas do EPP (Exército do Povo Paraguaio). “Nunca negociamos armas para o EPP, nem comigo, nem com o nosso grupo”, finalizou o narcotraficante sobre o assunto, acrescentando que quanto à ordem de prisão no Brasil não corresponde porque cumpriu todos os processos que tinha quando esteve durante cinco anos presos no território brasileiro.

Fonte: Folha de Dourados

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