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Sindicalistas trocam acusações sobre desvio de verba pública

Dourados – 29/12/2009

Sindicalistas trocam acusações sobre desvio de verba 
O presidente do Sinsemd (Sindicato dos Servidores Municipais de Dourados), Wayne César Ruiz, e o guarda municipal Nilson Araújo Figueiredo, ex-diretor financeiro na gestão anterior, estão trocando acusações sobre desvio de verbas da entidade.
Nilson Araújo acusa o atual presidente de desviar para conta corrente particular metade do valor repassado todos os meses pela Prefeitura – em torno de R$ 10 mil, referentes ao desconto de 1% da contribuição sindical dos servidores.
O presidente nega as acusações e diz que o sindicalista foi afastado do cargo por desviar pelo menos R$ 1,3 mil do Sinsemd sem comprovação.
Na quarta-feira, Nilson Araújo Figueiredo, filiado ao Sinsemd, procurou o Diário MS para denunciar o presidente Wayne César Ruiz de desvio de recursos da entidade.
Segundo ele, o presidente ‘embolsa’ metade do valor repassado referente à contribuição sindical, repassado mensalmente pelo município. O valor, segundo ele, seria depositado na conta corrente particular do presidente.
Araújo também acusa Wayne Ruiz de desviar uma quantia de R$ 48.130,43, que teriam sido repassados pela prefeitura em dezembro de 2008, mas, segundo ele, não foram depositados na conta do sindicato.
Araújo apresentou à reportagem o recibo de recebimento do recurso, com assinatura do presidente, mas disse não dispor do extrato da conta corrente do sindicato, o que comprovaria ou não o depósito do dinheiro.
“Temos a assinatura que ele [Wayne] recebeu o dinheiro, mas a tesoureira inclusive garante que este recurso não entrou nos cofres do sindicato”, afirmou.
O sindicalista também acusa o presidente de fraudar atas de reuniões da diretoria, relatando a leitura e aprovação dos balancetes financeiros anuais da entidade.
“Nem houve votação e o texto apareceu depois que a ata foi assinada e registrada. Isto é crime”, acusa. Segundo ele, os sindicalistas querem que o presidente seja destituído do cargo e expulso do sindicato.
Ele também afirma que o caso será encaminhado ao MPE (Ministério Público Estadual), para forçar a devolução do dinheiro desviado da entidade. “Este dinheiro não é dele, é dos servidores”, reclama.
Outro lado
Procurado pelo Diário MS, Wayne César Ruiz se defendeu e disse que a acusação do sindicalista é uma reação à recente alteração nas regras eleitorais, o que é previsto pelo estatuto do sindicato.
As mudanças, segundo ele, tornam mais rigorosa a candidatura dos servidores à presidência do sindicato, a partir de restrições como certidões civis e criminais, certidões de débito com dívida ativa da União, certidão negativa da Justiça Eleitoral e de procedimentos administrativos da prefeitura.
“As regras ficaram mais rígidas e algumas pessoas ficaram rebeldes. É uma tentativa de moralizar o Sinsemd”, garante o presidente. Wayne nega as acusações e lembra que, em 2007, assumiu o sindicato com pelo menos R$ 300 mil de dívidas da gestão anterior.
Ele lembra que, atualmente, o sindicato não possui nenhuma dívida de sua gestão. “Estou só pagando conta que os outros deixaram e vou entregar o sindicato com dinheiro em caixa”, garante. Ao se defender, Wayne também acusa Araújo de desviar recursos da entidade e apresenta vários relatórios que constam a utilização de recursos em benefício próprio ou sem comprovação, feitas pelo sindicalista enquanto ocupava a função de diretor financeiro da entidade.
No total, são pelo menos R$ 1.383,06 retirados da conta do Sinsemd sem a devida comprovação. Os documentos são assinados por um assistente financeiro, contratado pela diretoria para averiguar as contas da entidade. “Minhas acusações são embasadas em documentos.
Tenho como provar que ele utilizou este dinheiro em benefício próprio, até mesmo trocar os pneus dos carros dele e da mulher”, afirma Wayne. Em 2007, já no final do mandato, Araújo foi afastado do cargo por não conseguir comprovar o destino do dinheiro do sindicato.
Em fevereiro de 2010, o Sinsemd irá passar por uma nova disputa eleitoral. A gestão atual deveria encerrar em julho de 2010, mas o estatuto prevê a realização de novo pleito devido ao desligamento de 2/3 da diretoria.
Dos 18 diretores, 12 foram desligados – segundo Wayne, para assumir cargos de confiança na administração municipal, o que exige o afastamento da diretoria.
A nova eleição está marcada para o dia 26 de fevereiro. O atual presidente não pretende participar da nova disputa.

Fonte: Diário MS

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