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”Lula teve bom senso”, diz senadora

''Lula teve bom senso'', diz senadora

Entrevista – 04/01/2010

”Lula teve bom senso”, diz senadora

 A entrevistada da edição de hoje de O PROGRESSO é a senadora Marisa Serrano (PSDB). Ela fala sobre a situação nacional do partido que tem José Serra como pré-candidato a Presidência da República; do papel do bloco Democrático Independente (BDR) nas eleições do ano que vem no Estado, da possibilidade dela novamente concorrer ao cargo de governadora e faz um resumo de seu trabalho como senadora nestes quatro anos. Marisa Serrano também expressa sua opinião sobre a desistência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves na disputa pela presidência da República. Confira a entrevista:O PROGRESSO – Que experiência política a senhora obteve nestes quatro anos como senadora da República?R – “A experiência política foi extremamente rica porque eu tinha sido deputada federal, mas a Câmara dos Deputados tem um ritmo completamente diferente do Senado. No Senado são três senadores por estado, então há uma harmonia e um equilíbrio de forças que na Câmara não tem. E no Senado há uma assessoria muito boa que nos ajuda bastante. Eu, só este ano, apresentei 26 proposições legislativas. Além disso, presido a Subcomissão Permanente de Águas, era vice-presidente da Comissão de Educação e nos três últimos meses me tornei presidente e também sou parlamentar do Mercosul. Então foi um ano de bastante trabalho em que eu produzi muito.O PROGRESSO – E que experiência a senhora obteve ao disputar a eleição para governadora em 2002 quando praticamente sem apoio levou a pleito para o segundo turno concorrendo inclusive com a máquina?R- “Foi uma experiência incrível. Uma coisa é concorrer a eleições para o Legislativo, outra é para o Executivo. É preciso discutir propostas, saber dos problemas e apresentar soluções. É, sem dúvida, uma campanha muito mais intensa. É preciso conhecer profundamente o Estado para saber das necessidades do povo. Para mim foi muito bom, cresci bastante, a participação nos debates foi extremamente proveitosa e conheci profundamente o Mato Grosso do Sul.O PROGRESSO – Este projeto de ser governadora do Estado continua em sua mente?R – “Acho que todo político sonha sim em governar o seu Estado. Se nós trabalhamos tanto e conhecemos as demandas e as angústias da população, é natural queremos ter as ferramentas necessárias para atender às necessidades do povo. Gostaria de ser governadora para colocar em prática minhas convicções, mas é claro que isso depende também das circunstâncias e do momento, não depende só da minha vontade.O PROGRESSO – O Bloco Democrático Independente (BDR) tem condições de eleger mais um senador?R – “Este ano teremos duas vagas na disputa ao Senado e acredito sim que conseguiremos ao menos colocar um nome do bloco para representar o MS no Senado”.O PROGRESSO – Este nome seria de Murilo Zauith?R – “O BDR decidiu desde o início que uma das vagas da majoritária seria para Dourados e nós desde o início do ano estamos percorrendo o Estado colocando o nome do Murilo Zauith. Acho que Dourados merece ter um senador”.O PROGRESSO – O PSDB e o BDR estão mais propensos a apoiar a à candidatura a reeleição de André Puccinnelli?R – “A partir do começo de 2010, nós vamos conversar sobre a linha política para as eleições. E aí vamos conversar com os outros partidos, inclusive com o PMDB. Nós temos duas possibilidades: ou nos coligamos ao governador, ou lançaremos candidatura própria, as duas estão colocadas e as duas são viáveis.O PROGRESSO – A senhora tem conversado com o governador a respeito de sucessão em Mato Grosso do Sul?R – “Não, o Puccinnelli não costuma conversar com os aliados. Ele não debate os problemas do Estado e muito menos as soluções. Ele não está aberto a sugestões. É o estilo dele de governar, de maneira mais autoritária e centralizadora”.O PROGRESSO – O que os douradenses podem esperar da senhora para o ano de 2010? R – “Podem esperar um trabalho pautado pela ética e transparência. Procuro auxiliar a todos os municípios do meu Estado e do meu País sem diferenciá-los. Minhas proposições visam à melhoria da qualidade de vida da população. Os Douradenses podem também esperar uma parlamentar que saiba debater grandes questões nacionais, fazer e aprovar leis importantes. Para Dourados este ano, apresentei, em conjunto com dois deputados federais, uma emenda ao Orçamento para destinar verbas para a infra-estrutura da cidade”. O PROGRESSO – E qual sua opinião sobre o trabalho do prefeito de Dourados Ari Artuzi?R – “É muito novo ainda, tem apenas um ano de mandato e sabemos que é pouco tempo para uma avaliação. Esperamos que em 2010 a prefeitura de Dourados possa deslanchar”.O PROGRESSO – A senhora acha possível uma aliança entre PT e PMDB em Mato Grosso do Sul?R – “Em política tudo é possível. O que não é possível é o PSDB se aliar ao PT”.O PROGRESSO – A senhora sempre teve como bandeira de luta a educação, como a senadora avalia o modelo de educação no Brasil?R – “Precisamos reformulá-la. Já conseguimos promover o acesso à sala de aula, mas as crianças vão à escola, só que não querem permanecer nela, além disso, a escola é fraca. Então esses são os dois problemas que precisamos enfrentar. Criar uma escola mais atrativa para os nossos jovens e melhorar a qualidade da educação”.O PROGRESSO – O país vive um momento de sucessivos escândalos e denúncias, como a senhora avalia esta fase?R – “Estamos de fato vivendo um momento difícil, mas é bom ver a participação ativa da sociedade, que não se acomoda ao ver as denúncias. Isso só demonstra a necessidade de fortalecer a fiscalização e a punição para que a população brasileira possa respeitar a classe política”.O PROGRESSO – Qual a sua opinião sobre a desistência de Aécio Neves na disputa pela presidência da República?R – “É claro que um partido não pode ter dois candidatos à presidência da República. Sabemos que Serra está mais estável nas pesquisas de intenções de voto e a partir do momento em que Aécio recuou, ele deixou o campo livre para Serra sair candidato. O mais importante de tudo é que ele fez isso garantindo a unidade do partido. É claro que o governador Aécio contribuiu muito para o debate e para a democracia, colocando suas idéias e propostas e participando dos debates promovidos pelo partido nas diversas regiões brasileiras sobre temas importantes para o País”. O PROGRESSO – Qual tem sido a sua contribuição em Brasília para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul?R – “Acredito que minha ação em defesa da educação, do meio ambiente, das regiões de fronteira, o meu posicionamento nos grandes debates nacionais e nas decisões sobre a votação de projetos. Tudo reflete no Estado. Sou uma parlamentar atuante no debate da preservação dos nossos recursos hídricos e também busco a valorização das nossas cidades fronteiriças. Além disso, tenho alguns projetos de interesse direto do Mato Grosso do Sul, entre elas, cito a proposta que cria Áreas de Livre Comércio para Corumbá e Ponta Porá. Também tenho uma Proposta de Emenda à Constituição que cria um fundo especial para município de fronteira, cujo objetivo é garantir mais recursos para estas cidades que sofrem com a demanda por serviços dos vizinhos e com a falta de segurança”.O PROGRESSO – Quais os seus projetos políticos para 2010?R – “Meu mandato vai ate 2014, portanto discutiremos apenas no início do ano que vem a conjuntura política para decidir sobre a possibilidade de candidatura própria ou não”.O PROGRESSO – E que avaliação a senhora faz sobre o presidente Lula?R – “Acho que ele teve o bom senso de manter a política econômica e social do governo Fernando Henrique Cardoso. Avançou em alguns pontos e isso foi importante para o país. Evoluiu numa época em que nós tivemos uma boa conjuntura econômica mundial. O que é importante agora é debater o que pode ser feito daqui para frente, quem tem as melhores propostas para o futuro”.

Fonte: O PROGRESSO

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