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Tecnologia desenvolvida na Unigran é pirateada pelo país

Engenheiro Marco Antonio Souza denuncia que empresários apropriaram-se indevidamente de invento que produz biocombustível a partir do sebo

Biodiesel – 21/01/2010

Pesquisas desenvolvidas em Dourados foram inovadoras com a utilização do sebo na produção do biocombustível
 
                                 José Henrique Marques
 
            O engenheiro eletricista Marco Antonio Fernandes de Souza procurou à direção da Folha de Dourados para denunciar que a tecnologia de biodiesel, tendo o sebo como matéria prima, foi pirateada em todo o país. A usina para a produção industrial deste combustível foi desenvolvida na Unigran, em 2003, por iniciativa do vice-governador Murilo Zauith, então deputado federal, que é presidente de honra da respeitada e tradicional instituição de ensino superior de Dourados.
            Segundo Marco Antonio, naquele ano fora convidado por Zauith para “pesquisar tudo sobre o biodisel e, posteriormente, desenvolver uma usina para a  produção comercial. Em menos de três anos já havia conseguido desenvolver com sucesso as pesquisas e criar uma metodologia prática e simples para a produção do biocombustível”.
A grande inovação da tecnologia desenvolvida na Unigran foi criar o biocombustível a partir do sebo, já que na época o material usado era óleo de mamona, girassol e de outros grãos. “No final de 2005 eu já tinha desenvolvido a produção de biodisel de sebo e no mesmo ano montei uma usina para 10.000 litros de biodisel na cidade paraguaia de Límpio, na Grande Assunção, com a autorização de Zauith”, afirmou, acreditando que é “o pioneiro na produção de biodisel  de sebo no Brasil e no Paraguai e quem sabe em muitos outros países”.
Os problemas do engenheiro eletricista e criador dos equipamentos da usina de biodiesel, a partir do sebo, começaram quando por “motivos particulares”, a Unigran encerrou as pesquisas. “Mas, o doutor Murilo me autorizou que patenteasse tudo o que foi desenvolvido em meu nome”, garante Marco Antônio. O processo encontra-se em andamento na Remat Marcas & Patentes, em Campo Grande, e normalmente demora seis anos para que a patente seja concedida ao inventor.
            “Acontece que a metalúrgica ACM Secadores foi contratada para construir os equipamentos que eu projetava com minha orientação técnica e profissional, ficando, assim, o empresário Antonio Carlos  Montanari conhecedor de muitos segredos  do equipamento”, afirma o engenheiro eletricista.
            Marco Antonio também projetou uma pequena usina, de cerca de 1500 litros-dia, no Frigorífico São Luis, construída sob sua orientação pela ACM Secadores. “Tudo começou num bate-papo na sauna do Clube Indaiá, onde o proprietário do Supermercado Carreiro, José Silva Carreiro, ficou bastante interessado e fez uma parceria com o empresário Diocar Durigon, dono do frigorífico”, conta o engenheiro.
            “Foi um contrato verbal, mas na presença de várias pessoas”, afirma Marco Antonio que mesmo depois de repassar toda a tecnologia e ensinar o manuseio do equipamento para um técnico em química, sobrinho de Carreiro, não recebeu o pagamento de um carro em ótimas condições e uma casa em um bom bairro de Dourados. Ele lembra que pouco depois, Carreiro e Diocar, romperam a sociedade, com o primeiro ficando com um terreno do Distrito Industrial e o segundo com a usina instalada em seu próprio frigorífico.
            Como a usina desenvolvida nos laboratórios da Unigran foi um grande sucesso, as instalações recebiam visitas diárias de muitas pessoas de outros estados e países. “Todos ficavam maravilhados pela simplicidade do equipamento e pela produção quantitativa e qualitativa do biodisel. Em umas dessas visitas fiquei conhecendo os empresários Carlos Fisher e Ramon Calderan, sócios de uma empresa em Sidrolândia, a Tecnodiesel”, conta Marco Antônio.
            “Eles me pediram para projetar uma pequena usina e indiquei a metalúrgica ACM Secadores, depois ACMBIO, e uma outra unidade foi montada sob a minha orientação, sem praticamente receber nada de Antonio Carlos Montanari, pela indicação e pelo projeto”, relembra.
Passado algum tempo, Marco Antonio fez uma parceria para explorar a tecnologia com Bruno Inácio Hachanaar “que dizia ser proprietário da Montadora Industrial São Miguel e passei a viajar muito para o norte de Mato Grosso”. Certo dia, em Dourados, foi visitar Montanari, mas a esposa dele “me impediu de entrar na metalúrgica. Descobri que estava se iniciando um grande projeto de uma usina de biodisel para a Biocar, de Carreiro”.
      “Então fiz uma notificação extrajudicial para o Carreiro e para a ACM Secadores a fim não reproduzir e nem comercializar o meu equipamento, pois já estava com o pedido de patente requerida. Desprezaram a notificação e implantaram a Usina Biocar no Distrito Industrial de Dourados, com capacidade de produzir 30 mil litros/dia. Não recebi um centavo de Royalts, pois é um direito que tenho pela invenção e é desse direito que o inventor vive e continua pesquisando”, lamenta Marco Antonio.
            Por estar projetando, orientando e montando muitas usinas no Mato Grosso, junto com a Montadora Industrial, o tempo de Marco Antonio “estava muito curto”, mas, mesmo assim, acabou descobrindo que Montanari vendeu o projeto a FAG Faculdade Assis Gurgacz (FAG), de Cascavel-PR, através de um dos responsáveis pela fazenda Milk Star (a 3ª maior produtora de leite do Brasil) que conheceu a usina do Frigorífico São Luis. Diocar indicou a ACM Secadores para construir uma usina na fazenda Iguaçu, em Céu Azul/PR”.
            “Daí  para frente a minha tecnologia se multiplicou com a pirataria para muitos estados, como Paraná, Rondônia, Acre, Amazonas, Mato Grosso, entre outros”, disse Marco Antonio, que continuou a parceria com a família Hachanaar, onde venderam oito usinas em MT, com faturamento de mais de R$ 3 milhões e um lucro de aproximadamente R$ 2 milhões.
Quando pediu para fazer um acerto financeiro acerca do faturamento na parceria, Marco Antonio afirma ter sido vítima de mais um golpe: “Descobri que Bruno não passava de um golpista que usa própria filha, Cristiane Maria Hachanaar, e alguns funcionários para lesar terceiros. Há relatos de que sou a terceira vítima desta quadrilha”.
            Marco Antonio esclarece que “todas as pessoas e empresas citadas estão sendo investigadas pelos órgãos competentes nas esferas estadual e federal”.
 
 

Fonte: Folha de Dourados

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