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Judaísmo e Agronegócio

Dr. Reinaldo de Mattos Corrêa (*) –

Em Israel, informou-me um rabino que o Judaísmo, com a rica tradição de leis e princípios éticos, faz a leitura crítica do agronegócio, o qual muitas vezes coloca a eficiência e o lucro à frente do bem-estar humano e ambiental. O rabino apresentou perguntas interessantes:

A busca incessante por lucro no agronegócio, que muitas vezes explora trabalhadores e degrada o meio ambiente, é compatível com a ênfase judaica na justiça social e na responsabilidade pela criação?

Como conciliar a centralidade da terra na tradição judaica com a realidade do agronegócio, que muitas vezes utiliza práticas insustentáveis que esgotam os recursos naturais?

A tradição judaica de tzedakah (caridade) pode ser mobilizada para desafiar o modelo de produção industrial de alimentos que gera desigualdade e fome?

O princípio judaico de bal tashchit (não destruir) oferece recursos para defender os direitos dos animais e promover uma agricultura mais ética e compassiva?

A responsabilidade individual, tão importante no Judaísmo, pode ser aplicada para combater os impactos negativos do agronegócio, que muitas vezes são profundos e interligados?

Falou-me o rabino que o agronegócio, com a lógica de maximização de lucros, muitas vezes coloca em segundo plano o bem-estar dos trabalhadores rurais e o meio ambiente.

A tradição judaica, por outro lado, com a ênfase na justiça social e na responsabilidade pela criação, exige a reflexão crítica sobre as práticas do agronegócio que exploram e degradam.

É necessário questionar se a busca incessante por lucro a qualquer custo é compatível com os valores judaicos de justiça e compaixão.

A terra possui um significado central na tradição judaica, é vista como um presente divino a ser cuidado e protegido.

O modelo de produção industrial de alimentos do agronegócio, com o uso intensivo de agrotóxicos, monoculturas e exploração dos recursos naturais, está em desacordo com a responsabilidade judaica de cuidar da terra.

Como podemos reimaginar um sistema alimentar mais sustentável que esteja em sintonia com a tradição judaica?

A tradição judaica de tzedakah (caridade) exige que combatamos a fome e a pobreza, que são frequentemente perpetuadas pelo agronegócio.

É necessário mobilizar recursos e ações para garantir o acesso universal a alimentos nutritivos e saudáveis.

Como podemos fortalecer a responsabilidade social das empresas do agronegócio e promover práticas mais justas e equitativas?

O princípio judaico de bal tashchit (não destruir) implica na proteção de todos os seres vivos, inclui os animais.

O agronegócio, com as práticas de criação industrial em massa, muitas vezes causa sofrimento e crueldade aos animais.

Como podemos promover a agricultura mais ética e compassiva que esteja em consonância com o princípio de bal tashchit?

A tradição judaica enfatiza a responsabilidade individual de cada pessoa em agir de acordo com os valores éticos.

No entanto, os impactos do agronegócio são frequentemente amplos e estruturais, exigem respostas que vão além da ação individual.

Como podemos articular a responsabilidade individual com a necessidade de ações coletivas para enfrentar os desafios do agronegócio?

Assim, o Judaísmo, com a rica tradição de leis e princípios éticos, dispõe de ferramentas valiosas à crítica profunda ao agronegócio. Ao lançar perguntas provocativas e explorar as implicações, podemos iniciar o diálogo construtivo sobre a construção do sistema alimentar mais justo, sustentável e em consonância com os princípios judaicos.

(*) É Produtor Rural em Mato Grosso do Sul.

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