Quem tem pena da Grécia agora?, por Waldir Guerra
Quem tem pena da Grécia agora?, por Waldir Guerra
Artigo – 10/05/2010
A União Europeia está novamente enfrentando grave crise financeira, agora por conta de um grande aperto de um dos seus membros, a Grécia. Nem bem a economia mundial começa a se recuperar da crise do subprime nos Estados Unidos nova crise causada agora por empréstimos excessivos concedidos à Grécia, um dos países membros da Comunidade Européia, explode e bota em polvorosa a Europa toda. Administrações irresponsáveis de vários governos gregos levaram o país a se endividar em até 48% do seu PIB tornando a divida impagável. Mas como não socorrer a Grécia se sua moeda é o Euro, moeda comum a mais de 20 países europeus? Como não refinanciar suas dívidas se o sistema financeiro europeu entraria em colapso? Pior. Não salvar a Grécia agora seria também o fim da União Europeia. Foi a Primeira Ministra da Alemanha, Angela Merkel, que encabeçou o socorro à Grécia. Também será a Alemanha quem mais vai contribuir com os mais de 100 bilhões de euros necessários para salvar aquele país. Os próprios países que se encontram também em situação embaraçosa com suas finanças, os Piigs, como são denominados pela imprensa internacional (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), também terão uma cota de contribuição de alguns bilhões apesar de todos eles se encontrarem em dificuldades financeiras. Nesse rateio feito para tirar a Grécia do sufoco até o Brasil vai contribuir com uma parcela de mais de 200 milhões. Não é pouco, nem é muito, mas serve para mostrar nossa solidariedade, afinal, estamos num mundo globalizado e dependemos de todos os demais países para sobrevivermos no disputado mercado mundial. Das muitas lições a serem tiradas nesse episodio de pré-falência da Grécia, três delas precisam ficar guardadas nas mentes dos brasileiros para que no futuro não estejamos na mesma situação dos gregos hoje. A primeira delas é a de que o Brasil ampliou demais seus ministérios e o abuso inconsequente acabou aumentando exageradamente o número de funcionários públicos federais. O governo está financiando um grande número de obras em outros países quando deveria financiar mais nossa infra-estrutura – ferrovias, por exemplo. Simplificando, o governo está gastando mal e demais nossos escassos recursos. A segunda lição que acabamos de aprender com a crise grega é que o Brasil não pode e não deve aceitar fazer uma moeda única para o MERCOSUL. Se a Grécia, pais onde nasceu a cultura, onde a democracia fez seus primeiros passos. Essa Grécia de Sócrates, Platão e Aristóteles onde tantos sábios geraram tantos ensinamentos que perduraram por mais de dois mil anos. Essa mesma Grécia agora, irresponsavelmente, cria um desastre financeiro. O que não pode fazer, no contexto de um MERCOSUL, países sem tradição como Paraguai e até mesmo a Argentina, esta última, então, que há pouco tempo, irresponsavelmente, já aprontou uma moratória? A terceira lição diz respeito em se permitir na permanência de um mandato público pessoas legitimamente eleitas, mas reconhecidamente incompetentes para exercerem seus cargos administrativos. Foi o que aconteceu com a Grécia – e é o que acontece em muitos municípios brasileiros. Mas, então, é para se ter pena da Grécia? Da Grécia sim, mas dos gregos não. Simplesmente porque não souberam escolher bons governantes. A Grécia entrou para a Comunidade Europeia em 1981, faz trinta anos e de lá até hoje teve muitos governos e, pelo jeito, nenhum deles com competência para controlar suas finanças. Esses quebra-quebras que agora promovem os gregos deveriam ter sido feitos contra seus maus governantes anteriores e não contra o atual que se esforça para salvar o país.
Waldir Guerra*
* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



