Dia do Meio Ambiente: os pássaros em Dourados

Suzana Arakaki (*) –
O dia do meio ambiente está sendo muito bem comemorado pelos observadores de aves de Dourados. Membros do COA DA GRANDE DOURADOS, clube de observadores de aves, um coletivo fundado em 2015 por estudantes de Biologia, registraram pela primeira vez no último sábado, a coruja murucututu numa das áreas verdes de Dourados.
As aves podem ser consideradas termômetro da saúde ambiental das cidades. As espécies e quantidades de aves avistadas são indicativos da saúde ambiental das cidades. A expansão do perímetro urbano para moradias e de áreas rurais para plantio ou pastos, demandam desmatamento e isso provoca desequilíbrio ambiental, as aves e outros animais desaparecem por falta de abrigo e alimento ou buscam refúgio nas áreas urbanas. É o caso de Dourados com o ocorrência de araras vermelhas no perímetro urbano.
Dourados tem 257 espécies de aves registradas no Wikiaves, uma plataforma digital utilizada pelos observadores de aves em todo Brasil. Esta plataforma tem 45 mil usuários que enviam seus registros, fotografias ou gravações, que são utilizados por pesquisadores de várias áreas. As 257 espécies foram registradas por muitos observadores de aves de Dourados e de várias partes do país que passaram por Dourados. Foi um observador de Santa Catarina que registrou, pela primeira vez, araras azuis em Dourados. Com base no registro, observadores do COA entraram em contato com ele e também puderam registrar a arara azul numa fazenda em Dourados. Pela segurança e bem estar das aves e privacidade dos proprietários rurais, nem sempre os locais de avistamento podem ser divulgados. Os observadores de aves tem um código de ética, composto de várias orientações visando a preservação e bem estar das aves.
Quem são os observadores de aves em Dourados?
Os observadores de aves são pessoas preocupadas com a conservação e preservação do meio ambiente. Donas de casa, crianças, comerciários, universitários, advogados, professores e juízes compõe o COA DOURADOS e observam aves em Dourados. É uma atividade ainda tímida na região. Ainda soa estranho ver pessoas com roupas camufladas nas margens de rios, estradas ou casas na cidade, apontando câmeras ou binóculos para as matas ou casas. Várias aves são avistadas no perímetro urbano da cidade, até mesmo nos quintais. Os professores Rafael Goes e Suzana Arakaki publicaram, recentemente, livros sobre as aves. O livro de Rafael Goes, “Aves no Campus” apresenta um levantamento das espécies observadas na Cidade Universitária de Dourados e Suzana Arakaki publicou em homenagem aos netos, “Passarinhos no quintal” um livro infantil de colorir elaborado a partir de registros fotográficos feitos no quintal de sua casa.
Todos podem observar aves. Não é preciso equipamentos caros de fotografia, basta um celular, se puder um binóculo. Com apenas um celular uma pessoa pode registrar a vocalização de uma ave e registrar nas duas principais plataformas digitais: wikiaves e eBird. A plataforma Wikiaves é nacional, já a eBird é gerenciada pelo Laboratório Cornell de Ornitologia da Universidade de Cornell. Na eBird é possível registrar avistamentos de aves em tempo real com o sistema de Sistema de Posicionamento Global – GPS. O eBird organiza eventos de observação de aves como o Big Day. No dia marcado, observadores de todo planeta observam e registram espécies. Dourados participa desse evento através do COA.
A observação e registro de aves por pessoas comuns é considerada ciência cidadã. Dentro do conceito de ciência-cidadã, os usuários lançam registros visuais e auditivos para orientar os demais sobre a ocorrência de uma determinada espécie em certo local.
(*) Suzana Arakaki é historiadora e professora universitária. Trabalhando na cidade de Amambai, adotou a prática de observação de aves durante o trajeto de viagem. Desde 2005 observa e registra aves na BR 163 e MS 156, 375 e 379. Participa de várias entidades ligadas á área, entre elas, o Cunhatay Guyrá, um coletivo de mulheres observadoras de aves. A observação e registro de aves é uma atividade saudável que possibilita a conexão com a natureza em tempos de maciça emergência digital. Também tem a função de acalmar a mente ante os conflitos cotidianos.












